FC Porto: Retrospectiva de um duro 2014

FC Porto: Retrospectiva de um duro 2014

Encerra-se 2014 e encerra-se, para os lados do Dragão, um dos anos mais negros do reinado de Pinto da Costa. O FC Porto termina o ano sem títulos, algo a que os jogadores, treinadores e, principalmente, dirigentes daquela casa não estão habituados e é nestas alturas que a fibra dos campeões é verdadeiramente testada. Os dados para um 2015 que será certamente muito interessante de seguir para o futebol português estão lançados

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José Machado

É inegável que a segunda década do século XXI, com o Benfica de Jorge Jesus, tem trazido uma competetividade ao domínio do FC Porto a que não só os dragões, mas também todo o futebol português não estava habituado.

O primeiro assalto à hegemonia azul-e-branca deu-se em 2009/2010 e, nessa altura, a resposta do FC Porto foi com uma autoridade ao nível dos pergaminhos do clube e materializou-se com um tri-campeonato (dois desses três títulos foram conseguidos de forma invicta, algo que o clube nunca conseguira) mas os números mostram que nunca foi tão difícil para os dragões ganhar campeonatos como nesta altura (com os pontos feitos em 2011/2012 e 2012/2013 Jesus teria ganho dois dos três campeonatos de Jesualdo Ferreira).

Benfica sólido ameaça hegemonia portista

2014 fica marcado, para o FC Porto, como o ano em que um Benfica sólido e identificado com um treinador muito mais maduro depois dos erros do passado, tenta um novo assalto ao ciclo de vitórias da invicta. Para que melhor se perceba o que um eventual bi-campeonato dos encarnados significaria basta perceber-se que o Benfica de Jesus seria o primeiro bi-campeão português que não o FC Porto desde 1983/1984 e poderia finalmente dizer-se que Jorge Jesus bateu o pé à hegemonia do FC Porto como Eriksson fizera 30 anos antes.

Fortaleza da Invicta foi abaixo em 2014 com bis de Lima

A velha máxima de que qualquer plantel e qualquer treinador se arriscam a ser campeões no FC Porto já não convence ninguém no futebol português e, infelizmente para Paulo Fonseca, o actual treinador do Paços de Ferreira foi, no ano que agora termina, a personificação desta realidade e nem a chegada de Quaresma, a outra figura mais representativa do ano do FC Porto, a conseguiu disfarçar. A qualidade do treinador é inquestinável mas Paulo Fonseca não estava, no momento em que assumiu o FC Porto, pronto para a realidade que o esperava e o resultado foi catastrófico. Estes são, para mim, os dados que melhor ilustram essa catástrofe:

Reinado de Fonseca no Porto foi curto

Depois de uma derrota em três campeonatos, o FC Porto versão 2013/2014, no campeonato, perdeu 7 vezes, uma delas em casa, algo que não acontecia desde Outubro de 2008 e essa mesma equipa conseguiu, nos únicos três jogos que fez em casa na Liga dos Campeões, destruir uma reputação feroz de fortaleza que o Estádio do Dragão tinha na europa do futebol e que impunha respeito a qualquer adversário.

Neste momento conturbado exigia-se uma atitude da parte de quem dirige os destinos azuis e brancos e a verdade é que o clube não fez por menos. Julen Lopetegui, o ex-selecionador espanhol de sub-21, foi o homem que Pinto da Costa escolheu para enfrentar esta época verdadeiramente decisiva para o clube e em que o campeonato e Liga dos Campeões são, mais que nunca, verdadeiras prioridades.

Lopetegui foi o escolhido para comandar a armada portista

Com o basco veio uma série de nomes algo consagrados no futebol europeu, a maioria espanhola ou proveniente do campeonato espanhol. Jogadores novos como Brahimi, Cristian Tello, Aboubakar, Adrián López, Casemiro ou Martins Indi a juntar aos já respeitados Jackson, Herrera, Danilo ou Quaresma formam um plantel que é unanimemente reconhecido como o mais forte do FC Porto dos últimos anos e um dos mais fortes do futebol português. Esta atitude foi descrita por Mourinho como «a atitude dos campeões, que não se conformam».

Porto reforçado com jogadores de calibre internacional

Campanha europeia positiva, exigência interna inconclusiva

É difícil prever o que nos trará 2015 mas a avaliação geral até ao momento de Lopetegui e do FC Porto 2014/2015 não pode ser conclusiva. O FC Porto recuperou o prestígio que tinha na europa com uma das melhores fases de grupos de sempre do clube na Liga dos Campeões mas termina o ano depois de perder a oportunidade de vencer o Benfica em casa e colar-se à liderança do campeonato, pior que isso, o FC Porto perdeu em casa com o eterno rival e está agora a 6 pontos do primeiro lugar. Os portistas iniciarão o próximo ano sabendo que, para ser campeão, terão de contar com escorregadelas de um Benfica absolutamente concentrado no campeonato.

A incerteza reina no momento em que nos despedimos de 2014 e aguça o apetite para um 2015 que será, certamente, um grande ano no mais que conhecido confronto FC Porto x SL Benfica.

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