0-1, MIN.33, ADRIEN SILVA (G.P)
Sobriedade e seriedade ditam receita no Caldeirão
Foto via: A Bola

Sobriedade e seriedade ditam receita no Caldeirão

Ao ter visado o último reduto do Marítimo com acerto e controlado o ímpeto adversário, o Sporting conquistou os três pontos em visita à Madeira.

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Rafael Reis

Um ambiente de tarde futebolística em cheio recebia nos Barreiros um Marítimo ainda em adaptação à nova realidade após a recente saída do seu técnico Leonel Pontes com menos de um ano de um projecto que o havia levado a deixar a equipa técnica de Paulo Bento na Selecção Nacional… que se havia mesmo de desfazer poucas semanas depois, perante um Sporting que no seu alinhamento titular apresentava 6 portugueses.

Tratou-se da menor quantidade de futebolistas nacionais desde há várias jornadas. Entre os ‘não-lusos’ da equipa verde-e-branca destacava-se a presença de Ewerton na sua estreia como titular quase 3 anos depois de ter jogado na Liga pela última vez, e de Oriol Rosell sete meses após a sua última aparição no onze, sendo que nessa altura foi retirado ao intervalo por Marco Silva, técnico que tinha pela frente, embora poucos o admitam, um encontro importante para o seu futuro.

Tendo em conta que a derrota da véspera do Sp. Braga oferecia uma excelente oportunidade para salvaguardar o terceiro posto e consequente acesso ao playoff de apuramento para a Champions, para o Sporting apenas se impunha a vitória em solo madeirense, o que praticamente garante um sucesso mínimo ao jovem treinador leonino ao deixar a equipa desafogada na luta por um objectivo desportiva e financeiramente importante para o futuro próximo do clube e do próprio técnico.

Sporting começou a visar a baliza madeirense após o primeiro quarto de hora

Muito por esse motivo a equipa de Alvalade procurou impor o seu jogo desde início muito embora tenha sido o Marítimo quem primeiro criou perigo. Com Moussa Marega a surgir isolado ainda nos primeiros minutos e um remate de Fransérgio ao segundo poste, em ambos os casos para defesa de Rui Patrício, os insulares deixavam uma importante demonstração de vitalidade, colocando em duvida a equipa visitante e a estratégia preparada pelo seu treinador.

Os primeiros minutos terão certamente preocupado Marco Silva, especialmente por ter ainda bem frescas a derrota também ao nível táctico com o FC Porto e Julen Lopetegui, e por isso foi bem-vinda a resposta do leão aos 19 minutos numa jogada criada pela ala direita formada por André Carrillo, de quem se esperava o regresso a uma tarde de longo alcance ofensivo, e o lateral Cédric, que arrancou uma tentativa desde uma posição já próxima da área que passou ao lado da baliza adversária.

O Sporting procurava assentar ideias não só para este jogo como para o seu próprio equilíbrio emocional que não mais foi o mesmo desde o intenso derby com o Benfica que motivou tarjas ofensivas, lançamento de petardos e acima de tudo o início do fim das aspirações da equipa aos dois primeiros lugares e foi com agrado para as hostes sportinguistas que aos 32 minutos Raúl Silva travou Jefferson em falta num penalty bem assinalado.

Esse seria mesmo o único remate verde-e-branco à baliza na 1ª parte, e logo convertido de forma exemplar por Adrien que cumpria precisamente o seu jogo 150 e dessa forma apontou o seu 11º golo de penalty, tendo voltado a tentar fazer o ‘gosto ao pé’ aos 39, embora sem sucesso.

Em desvantagem, o Marítimo tentou pressionar pelas alas, mas sem resultados práticos

Saía assim o Sporting para intervalo com esse tento como trunfo, retirando assim uma preocupação ao seu líder Bruno de Carvalho e, mais importante, ciente de que nunca perdeu quando partiu para o descanso em vantagem e que o recente empate frente ao também madeirense Nacional pela meia-final da Taça de Portugal havia servido de importante ‘tubo de ensaio’ para este confronto agora a contar para a Liga NOS.

Na tentativa de demonstrar em especial aos futebolistas estrangeiros do Sporting o motivo pelo qual as deslocações à Pérola do Atlântico são historicamente tão complicadas, o Marítimo optou por recorrer à verticalidade resultante do futebol pelas alas ao lançar Edgar Costa para uma equipa que dominou territorialmente e sob todos os aspectos durante toda a 2ª parte, mas o Sporting manteve com segurança a vantagem conseguida.

Com o tangencial 1-0 os verde-e-brancos conquistaram uma vitória fora após quatro jogos sem vencer enquanto visitante, um sucesso que se reveste de importância para a moralização das ’tropas’, assim como do estado de espírito de Bruno de Carvalho e seus pares, ao passo que o Marítimo consentiu a quinta derrota em casa, mais precisamente a quarta nos últimos seis jogos enquanto visitado. Parece estar a perder-se o ‘poder do Caldeirão’…

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