Inter 0-0 AC Milan: «derby» das nulidades foi reflexo da decadência milanesa
Foto: Giuseppe Bellini

Inter 0-0 AC Milan: «derby» das nulidades foi reflexo da decadência milanesa

Num outrora vibrante e eufórico «derby», Internazionale e AC Milan defrontaram-se ontem e empataram a zeros. Hoje, distantes do topo da tabela e embrenhados numa mediocridade gritante, ambos os rivais de Milão mostraram em campo a decadência desportiva que reina na cidade de Milão.

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Longe vão os dias em que a euforia do «derby» milanês excitava meia Europa e seus ecos chegavam a várias partes do continente - hoje, as duas equipas vivem longe dos dias de glória e ainda mais longe vivem do topo da tabela classificativa da Serie A italiana. Sem a competitividade doutros tempos, nem Internazionale nem AC Milan conseguem empolgar os seus adeptos e o nulo que ontem ocorreu no «derby» de Milão da jornada 31 foi um límpido reflexo dessa decadência desportiva.

Num jogo com três golos anulados e sem festejos a valer, o Inter bem tentou bater o espanhol Diego López mas o guardião dos «rossoneri» trancou a baliza e manteve o 0-0 no Giuseppe Meazza. Rodrigo Palacio balançou as redes do AC Milan mas o golo foi anulado; Mèxes introduziu a bola na própria baliza mas a equipa forasteira, treinada por Pippo Inzaghi, voltou a ser salva pelo apito do juiz, que anulou devidamente o lance.

O 0-0 traduziu bem, por via do vazio desportivo, a curva descedente que ambos os rivais de Milão vivem; afundados no meio da tabela da Serie A, Inter (décimo classificado) e AC Milan (nono classificado) estão a uns embaraçosos 30 e 31 pontos do líder da competição, a «Vecchia Signora» Juventus, que segue tranquilamente com 73 pontos. Já na época passada a fraqueza milanesa deu nas vistas - o Inter terminou a Liga em quinto lugar, a uns inacreditáveis 42 pontos da campeã Juventus (102 pontos). Os «rossoneri» ficaram-se por uns míseros 57 pontos.

De facto, a decadência milanesa coincidiu com a nova hegemonia brutal da Juventus, renascida das cinzas após o turbulento processo judicial de corrupção (e consequente descida de divisão) e após o reinado do Internazionale na Seria A, com Roberto Mancini e depois José Mourinho (reinado que culminou com a vitória na Liga dos Campeões 2009/2010). Na temporada 2012/2013, também conquistada pela Juve, o Inter já dava sinais de total exaustão: nono lugar 23 pontos da liderança obtida pelos de Turim.

Desde que a verdadeira ascensão da Juventus começou, os dois rivais de Milão imediatamente sofreram um decréscimo qualitativo significativo - a formação «bianconeri» conquistou o Scudetto por três temporadas consecutivas (2011/2012, 2012/2013 e 2013/2014) sem grandes obstáculos e remeteu Inter e AC Milan para os lugares do esquecimento. O AC Milan festejou pela última vez na época 2010/2011, no último campeonato discutido ombro a ombro pelas equipas de Milão (o Inter terminou a seis pontos do rival).

Antes, durante cinco temporadas seguidas, o Calcio italiano fora dominado por completo pelo poderio «nerazzurri», que venceram a Serie A entre 2005 e 2010. O caminho do sucesso começou com a sanção à Juventus e ao AC Milan (perda de pontos) e com o título de campeão de 2005/2006 a cair no colo do Inter, que ficara em terceiro lugar. Até 2010, a equipa brilhou, colocando, nesse mesmo ano, frente ao Barcelona, a cereja no topo do bolo do domínio italiano, com o triunfo na «Champions». Depois disso, apenas a queda total.

O AC Milan também atravessa um pequeno deserto que ameaça tornar os títulos uma autêntica miragem: nos últimos 12 anos os «rossoneri» apenas conquistaram dois campeonatos (2003/2004 e 2010/2011) e, pelo meio, em 2006/2007, um marco de relevo - a conquista da Liga dos Campeões. Mas, actualmente, as lides europeias são já mesmo uma miragem para o AC Milan (este ano ficou fora de todas as provas europeias) e, dada a posição na tabela, o futuro não se afigura risonho nesse cômputo.

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Aliado à queda de Inter e AC Milan está, como cenário de fundo, o descréscimo vertiginoso de qualidade vivido do campeonato italiano. Com equipas envelhecidas e por regenerar, o Calcio arrasta-se numa perda de vigor e vitalidade claras, continuando o futebol italiano a adiar a aposta na juventude das suas academias (veja-se a saída de Cristante do AC Milan e o descontentamento dos fãs na perda de uma promessa) e a viver na sombra maligna da corrupção que assolou a modalidade e as suas instituições de topo.

 

 

 

 

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