O ala-pivô Serge Ibaka, do Bayern de Munique, falou sobre sua experiência jogando no basquete europeu após 14 anos na NBA na última quinta-feira (23). A entrevista foi concedida ao portal BasketNews, da Lituânia, especializado em conteúdo sobre o esporte.

O jogador começou dizendo que acredita que o basquete na Europa melhorou bastante; esta é a terceira passagem de Ibaka pelo basquete europeu.

Ele prosseguiu dizendo que acha mais difícil jogar na Europa do que na NBA porque não dá para descuidar na defesa. "Na NBA, sempre terá o um contra um. Aqui, não é assim, já que você tem que estar envolvido.”

Ibaka sempre marcou sua carreira por ser um exímio defensor, portanto, faz bastante sentido que ele perceba as diferenças na defesa entre a América e a Europa.

  • A carreira de Ibaka

Serge Ibaka nasceu na República Democrática do Congo, mas naturalizou-se espanhol. Ele foi escolhido como a 24ª escolha do draft de 2008 pelo Seattle Supersonics, hoje Oklahoma City Thunder, mas passou uma temporada no Manresa, da Espanha, antes de ingressar no time.

O jogador passou sete temporadas completas em OKC, liderando a liga em bloqueios por jogo em 2012 e 2013, além de liderar em bloqueios totais quatro vezes. Também foi incluído no time ideal de defesa em 2011, 2012 e 2013.

Além disso, chegou como titular às finais de 2012, ao lado de Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden, mas acabou perdendo para o Heat de LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh.

Em 2011, teve sua segunda experiência no basquete europeu ao disputar 12 jogos pelo Real Madrid, mas apenas dois como titular. Na época, a NBA estava paralisada devido a uma desavença entre a liga e os jogadores sobre o repasse de verba para as próximas temporadas.

Ele foi trocado para o Orlando Magic em 2016 em um pacote centrado em Victor Oladipo e Domantas Sabonis, mas foi trocado antes do final da temporada para o Toronto Raptors.

Ficou lá até 2020, sendo campeão da NBA em 2019. Passou pelo Los Angeles Clippers e pelo Milwaukee Bucks já como veterano, permanecendo na NBA até 2023, quando, aos 34 anos, assinou com o Bayern de Munique.

  • Diferenças do jogo europeu para a NBA

O jogo na Europa segue as regras estabelecidas pela FIBA, a Federação Internacional de Basquete, que é a autoridade máxima do basquete internacional. No entanto, as regras são um pouco diferentes na NBA.

As mudanças começam pela quadra, que é um pouco mais estreita, e cuja linha de três pontos é um pouco mais próxima da cesta. Isso torna o espaçamento da quadra mais difícil e os jogadores acabam ficando mais próximos.

Além disso, três regras diferem bastante. Primeiro, o jogo na Europa dura apenas 40 minutos, ao invés dos 48 da NBA. Segundo, os defensores não têm limite de tempo para ficar no garrafão, ao contrário do limite de 3 segundos da NBA.

Por fim, é permitido "limpar o aro" na Europa, ou seja, é permitido tocar na bola para que ela saia de cima do aro depois que um arremesso foi tentado, desde que a bola já tenha tocado nele.

Além disso, há diferenças no modo de jogo também. Na NBA, o jogo é muito mais frenético e rápido, enquanto o jogo na Europa é mais tático e cadenciado.

E isso é mostrado nos números. Enquanto na Euroleague, principal campeonato europeu, o time com mais posses de bola em um jogo chega a 73, na NBA, o número não fica abaixo de 97, do Chicago Bulls, e chega a quase 105 com o Indiana Pacers.

  • Outros europeus na NBA

A onda recente de jogadores internacionais na NBA trouxe muitos jogadores que tiveram experiências similares no basquete europeu. Luka Doncic, Nikola Jokic e Giannis Antetokounmpo são estrelas que passaram por lá e relataram experiências semelhantes.

Luka Doncic compartilhou o que pensa no podcast de J.J. Redick, em março de 2022. Na ocasião, o armador disse que ficou surpreso quando, em seu segundo ano na NBA, teve um salto de pontuação.

Doncic levou o prêmio de novato do ano em 2019 com 21.2 pontos por jogo. Na temporada seguinte, 2019-20, ele foi eleito para o time ideal da liga com uma média de 28.8 pontos.

Ele ainda afirmou que nunca foi muito um pontuador, uma afirmação passível de debate, mas, na realidade, o armador teve em torno de 20 pontos por 36 minutos jogados em sua temporada de MVP na Europa; na NBA, o mínimo que atingiu foi 23.7.

Giannis Antetokounmpo também falou sobre sua experiência na Europa. O ala-pivô disputou o Eurobasket, uma copa de seleções europeias que acontece no contraturno da NBA, em 2022.

O jogador disse que a defesa lá é muito mais física e que é mais difícil fazer jogadas de infiltração por lá. "Eu acho que lá é mais intenso", afirmou Antetokounmpo durante o media day de 2022.

Ele completou dizendo que, para ter uma média de 10 pontos, bastante modesta para os padrões da NBA, você precisa se esforçar muito na Europa, mas na NBA "você consegue só com lances livres".

Nikola Jokic é mais um que disputou o Eurobasket em 2022 e falou sobre as diferenças. O pivô disse que as defesas na Europa são muito mais rápidas em ajudar e que é preciso estar muito mais atento. "É preciso pensar uma jogada à frente".

  • Estrelas na Europa, bancários na NBA

Apesar do que as estrelas afirmam, também é comum ver estrelas do basquete europeu que não se adaptam ao jogo da América.

Dos últimos cinco MVPs da Euroleague, quatro tiveram passagens pela NBA, mas apenas um, Luka Doncic, MVP em 2018, alcançou algum estrelato.

Sasha Vezenkov e Vasilije Micić, MVPs em 2023 e 2021, respectivamente, estão em sua primeira temporada na liga, mas Nikola Mirotic, MVP em 2022, passou cinco temporadas na América e nunca chegou a ser um titular garantido sequer.

O youtuber Coach Nick, do canal BBALLBREAKDOWN, fez uma análise das diferenças do jogo da NBA com o da Europa e chegou à conclusão de que os principais pontuadores da Europa apenas se beneficiam de bons sistemas ofensivos, mas não costumam fazer jogadas individuais como na NBA.

Luka Doncic, em sua já citada aparição no podcast The Old Man and the Three, disse que as diferenças táticas afetam bastante: "Na Euroleague, é um basquete mais coletivo, mais tático, e você tem menos tempo".