Análise: o que está acontecendo com a SK Gaming?
Foto: Reprodução/HLTV

Análise: o que está acontecendo com a SK Gaming?

O início de 2018 não tem sido bom para a equipe brasileira e este artigo aponta alguns pontos que são determinantes para isso

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Cristino Melo

Esse início de temporada 2018 não tem sido boa para SK Gaming. Tirando o ELEAGUE Major Boston, quando estava com outra line-up, os brasileiros fizeram três torneios abaixo da média. Mesmo nas vitórias o time não convenceu e as derrotas para Team Liquid e Cloud9 colocaram em xeque a capacidade da SK de se adaptar a novos estilos de jogo.

Os maus resultados mostram várias falhas técnicas e Marcelo "coldzera" David tem uma justificativa para isso. Em recente entrevista para o portal HLTV.org, o player explicou a situação atual da equipe:

"O problema dentro da equipe não está dentro do jogo, está fora do jogo, alguns jogadores, especialmente para este torneio, tiveram alguns problemas pessoais. Tivemos uma reunião, conversamos sobre isso, e todos disseram o que está acontecendo em suas vidas. Acho que para o próximo torneio estaremos em um bom lugar", completou o jogador."

Apesar das justificativas, que não podem ser tratadas como inverdades, é preciso saber os fatores que levaram a essa má fase. Algumas delas são:

Histórico ruim em início de ano

Ainda na época de Luminosity Gaming, os brasileiros não tiveram um bom início de 2016. Disputando outras edições da StarLadder i-League StarSeries, em Kiev e Intel Extreme Masters, em Katowice, a LG chegou a fase final das competições, só que faltou poder de decisão dos jogadores e acabou sendo derrotada. O mesmo aconteceu também na DreamHack Open, em Leipzig. Chegou a decisão contra a Natus Vincere e novamente faltou o detalhe decisivo, perdendo dois mapas na prorrogação. Essas três competições nos três primeiros meses do ano. Um mês depois foram campeões do MLG Major e terminaram o ano com dois mundiais.

Em 2017 foi parecido. Até o início de abril a irregularidade que prevaleceu. Começou com o ELEAGUE Major, onde a equipe contava com o português Ricardo "fox" Pacheco, após mudanças no final de 2016. Logo após o Major, João "felps Vasconcellos entrou na equipe. Com isso, uma nova adaptação foi necessária. E esse ajuste demorou para acontecer. Com isso foram duas precoces eliminações em Kiev e Katowice. Porém, depois o quinteto se encaixou e conquistou oito títulos no ano.

Esse início ruim abre também a tese por falta de sorte nas duas competições. Já que é o terceiro ano que disputam e não conseguem levar o título. O histórico mostra que a SK demora em torno de três meses para se encaixar, mas o resto do ano sempre se dá bem. Então é possível que 2018 se repita.

Não definição de map pool

Hoje, é imprevisível as escolhas da SK para uma partida melhor de 3. A única certeza (que já não é tanta assim) é o veto da Nuke. Se for buscar os últimos confrontos o que se pode notar é que existe um pouco de insegurança na equipe após uma derrota. Quando foram eliminados para Team Liquid na StarSeries i-League eles tinham a opção de escolher entre os mapas da Train e Inferno. Escolheram Inferno e perderam com um lado contra-terrorista fraquíssimo. Assim, na MD3 seguinte, tiveram a mesma opção de escolha e resolveram vetar a Inferno.

Outro caso foi na Cache. Na primeira partida da Intel Extreme Masters, eles haviam estreado com vitória no mapa. Na partida seguinte tinham a opção de escolher o mapa, mas decidiram por outro. Eles só foram escolher a Cache novamente no confronto que valia a sobrevivência na competição.

Na mesma entrevista para o portal HLTV, coldzera também comentou que provavelmente a SK deve voltar a jogar Nuke. Então, mais mudanças no map pool devem acontecer para o próximo torneio.

Inferno irregular

Para a entrada da Nuke no map pool, a Inferno deve ser a banida pela SK. Desde que chegaram a organização alemã, a Inferno é o segundo pior mapa em aproveitamento. Perdendo apenas para a Nuke que não jogam a mais de um ano. No mapa da Inferno eles tem um aproveitamento de 54,8%. Muito abaixo em comparação as outras que passam do 65%.

O desempenho no mapa é irregular, hora conseguem sequências de vitórias, hora vem derrotas desastrosas. Apesar de ter mais vitórias que derrotas no histórico (34 vs 28), vale ressaltar que várias vitórias foram em cima de equipes de melhor expressão em fases premilinares de grandes campeonatos como ESL Pro League e ECS.

Os players continuam com bom desempenho

Por incrível que pareça, estatisticamente, o desempenho de todos os jogadores este ano é próximo (muitas vezes para melhor) ao desempenho histórico dos mesmos. Por exemplo, coldzera, escolhi o melhor jogador do mundo de 2017, tem uma média de dano por round de 83.7. Em 2018, caiu para 81.6, muito próximo. Outro que manteve o desempenho próximo foi Gabriel "FalleN" Toledo. O número de kills por round no histórico é de 0.72, neste ano caiu para 0.70. Diferença mínima. Isso é um sinal que individualmente os jogadores estão bem. Porém, estratégias e formas de abordagem para cada adversário não estão funcionando.

Então, depois de um período de treinos na Alemanha, é provável que os brasileiros tragam novidades já na World Electronic Sports Games. Torneio que será realizado na China a partir do dia 12 de março. Experientes, sabem que o coletivo não está funcionando e alterações serão feitas. Agora é aguardar para ver.

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