Retro eSports: SK Gaming

Conquistas, trocas de jogadores, crises e mais conquistas: tudo que aconteceu no ano mais vitorioso da história da equipe brasileira de CS:GO

Retro eSports: SK Gaming
Arte: Editoria de Artes/VAVEL.com

Apenas confirmando que é a melhor equipe de Counter-Strike: Global Offensive do mundo, a SK Gaming levou OITO títulos a nível mundial em 2017 (sem contar um título no futebol). Ao longo da temporada de 2017, os brasileiros passaram por altos e baixos (mais altos que baixos), não conquistando o Major, mudando a line-up por duas vezes e até passando por alguns vexames, mas no final das contas a equipe já marcou sua história no cenário competitivo e deixou uma confiança ainda maior para a temporada 2018.

Confira os momentos da temporada 2017:

Curta era Fox e Major

O 2017 da SK começou ainda em 2016. Mais precisamente no dia três de dezembro, quando vazou a informação que Lincoln "fnx" Lau estava saindo da equipe e o português Ricardo "fox" Pacheco entraria em seu lugar temporariamente. Com isso, a equipe brasileira jogou a ELEAGUE Major, ainda em janeiro com o complete. A equipe fez um período de treinamento na Alemanha na primeira semana de janeiro que ajudou no bom desempenho no torneio. "fox" chegou a dizer que eles treinavam 14 horas por dia.

Foto: HLTV.org
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No campeonato o time sofreu em vários jogos por conta da adaptação. Foram dois placares 19 a 17 a favor dos brasileiros ainda na primeira fase. Nas quartas-de-final eliminou até com certa facilidade a FaZe Clan. Porém, nas semifinais caiu para a Virtus.pro por dois mapas a zero numa série muito apertada. Após o resultado a equipe anunciou a saída do jogador português.

Chegada de felps

Ao final do Major foi confirmado a troca entre SK Gaming e Immortals. João "felps" Vasconcellos chegou para lugar de "fnx". E sua estreia foi logo contra a ex-equipe. Na abertura da quinta temporada da ESL Pro League, a SK venceu os dois mapas disputados, mas "felps" teve pouco destaque. Apesar disso, o primeiro campeonato presencial com essa nova line-up foi surpreendente e com grande destaque. Na DreamHack Masters realizada em Las Vegas no final do mês de fevereiro.

Foto: HLTV.org
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Com o estilo ofensivo, "felps" surpreendeu a maioria das equipes no campeonato, sendo destaque da SK na competição. Apesar do grande desempenho do novo jogador, os brasileiros sucumbiram na final diante da Virtus.pro, perdendo por dois mapas a um.

Depois desse bom campeonato foi criado expectativa muito alta em relação a equipe brasileira. Que acabou indo por água abaixo nos dois campeonatos seguintes. Na Intel Extreme Masters XI, em Katowice e StarLadder i-League, em Kiev os brasileiros caíram na fase classificatória, e logo surgiu a dúvida sobre o real potencial dessa formação.

Essa dúvida foi logo sanada quando a equipe emplacou dois títulos: cs_summit e Intel Extreme Masters XII, em Sydney. Nesses torneios, a equipe brasileira mostrou um estilo diferente que vinha apresentando. O ritmo de cada round variava, hora com avanços rápidos, hora recuado, hora agressivo. Assim, os adversários não tinham anti tático para uma variedade enorme de jogadas.

João "ERROR" Ferreira/HLTV
João "ERROR" Ferreira/HLTV

Apesar de não ter conquistado a quinta temporada da ESL Pro League (perdendo para campeã G2 Esports), os brasileiros emplacaram três títulos seguidos no mês de junho e julho. Levaram a DreamHack Open Summer, em Jönköping, a terceira temporada da Esports Championship Series, em Londres e e a ESL: One em Colônia. O último, mais especial, jogando na casa da sua organização, chegou a decisão e mostrou uma imensa superioridade fechando a final por três mapas a zero diante da Cloud9.

Foto: HLTV.org
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Um dia após a final, os brasileiros disputaram mais uma decisão. Dessa vez em um local diferente, o RheinEnergieStadion estádio do FC Köln, time da primeira divisão alemã para uma partida de futebol. Eles enfrentaram os rivais históricos da Virtus.pro num duelo que valeu 100 mil dólares para o vencedor. Ao final da partida a SK Gaming ganhou por 5 a 4, arrematando mais uma taça.

Essa sequência marcou o título de MVP para três jogadores diferentes, mostrando o equilíbrio em alto nível que a equipe tem. Marcelo "coldzera" David ficou com a DreamHack, Fernando "fer" Alvarenga com a ECS e Gabriel "Fallen" Toledo com o da ESL: One.

Vindo de uma boa fase, com a confiança alta, a expectativa era de fechar o semestre com sucesso conquistando o título do Major, no fim do mês de julho. Mas, o PGL Major Kraków não foi do jeito que esperava, Enfrentando os até então, atuais campeões, Astralis, acabaram perdendo nas quartas de final e sendo eliminados.

Crise pós férias e saída de felps

Após as férias de inverno, a SK voltou para os Estados Unidos com a expectativa de manter o ritmo pré-férias, porém isso não aconteceu. A equipe disputou quatro torneios presenciais e não chegou a final de nenhum. Na ELEAGUE Premier foi eliminada ainda na fase de grupos perdendo para Heroic (considerado um time de segunda categoria na europa).

Os maus resultados e a evidente falta de sintonia entre os jogadores culminou numa mudança. "felps" resolveu deixar a equipe na primeira quinzena de outubro, por não estar mais se encaixando no estilo da equipe, sua agressividade estava sendo constantemente punida, causando prejuízos nas partidas. O player declarou que não se sentia mais feliz jogando por ter que deixar seu estilo de lado para se adequar ao time, por isso achou melhor sua saída.

Chegada de boltz e a nova crescente

A decisão da saída de "felps" só foi comentada pelos outros jogadores quando estavam próximos de ir para São Petersburgo disputar a EPICENTER. Nesse mesmo comunicado, confirmaram que Ricardo "boltz" Prass completaria a equipe. A química foi a primeira partida. Mais defensivo e seguro nas jogadas, "boltz" se encaixou perfeitamente com o que a SK precisava naquele momento. O resultado não poderia ser outro. O título da EPICENTER.

Foto: HLTV.org
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Após o título da EPICENTER, os jogadores voltaram para o Brasil. Aconteceria o qualificatório brasileiro para a World Electronic Sports Games, considerada as olímpiadas dos esportes eletrônicos. Porém, a organização da competição proibiu de "boltz" jogar pela equipe por conta do período de inscrição e "felps" completaria. Mesmo sem a formação "ideal", a SK conseguiu a classificação com tranquilidade, mostrando que está um nível acima das demais equipes brasileiras.

Após esse curto no Brasil, o time fez mais três viagens para competições. A primeira foi na primeira quinzena de novembro à Oakland. Numa nova edição da Intel Extreme Masters, os brasileiros caíram nas semifinais para uma inspirada Ninjas in Pyjamas, que acabou se sagrando campeã. Depois, viajaram até Copenhague para a primeira edição da BLAST Pro Series. Num formato diferente, todos os jogos aconteciam ao mesmo tempo e os dois primeiros da fase de grupos faziam a final.

Com emoção, os brasileiros se classificaram graças ao resultado de outra partida e fizeram a final contra a Astralis, donos da casa. Favoritos, os dinamarqueses chegaram a vencer o primeiro mapa, mas perderam o segundo. Conhecidos por ter um psicológico fraco, sentiram a pressão e, depois de estar ganhando por nove a zero o última mapa, sofreram a virada e acabaram perdendo o título para os brasileiros.

Foto: HLTV.org
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O último campeonato do ano e a consagração

O último campeonato do ano para a SK foi a sexta temporada da ESL Pro League em Odense. Os brasileiros vinham embalados pelo título da BLAST Pro Series e dividiam o favoritismo do torneio com a FaZe Clan. Fazendo uma campanha quase perfeita na primeira fase, passaram em primeiro lugar do grupo perdendo apenas uma partida. Nas semifinais eliminaram a Misfits por dois mapas a zero, com direito a 16 a 1.

A final já esperada aconteceu. As duas melhores equipes do momento se enfrentando e muitos dando o favoritismo para a equipe europeia. Na final, a FaZe até chegou a vencer o primeiro mapa, mas completamente dominante, os brasileiros viraram a partida com maestria e fecharam o jogo em três mapas a um.

Foto: HLTV.org
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Conquistas individuais

Os títulos coletivos só exaltam o valor que cada player tem dentro da equipe. Tanto que os quatro jogadores base do time conquistaram prêmios de MVP dos campeonatos ganhos.

Destaque total para Marcelo "coldzera" David. O "cold" é o melhor jogador de CS:GO atualmente e vem levando troféu atrás de troféu. Pela SK ele foi MVP em cinco conquistas: cs_summit, Intel Extreme Masters - Sydney, DreamHack Open, EPICENTER e ESL Pro League - Temporada 6. Todos pela HLTV.org. Além disso, concorreu novamente ao prêmio de melhor jogador de eSports do The Game Awards, o oscar dos games. Diferente da temporada passada quando levou o troféu, desta vez perdeu para Lee Sang-hyeok "Faker" da SK Telecom 1, equipe de League of Legends. Apesar de ter perdido a nível mundial, no Brasil, ele domina. No Prêmio eSports Brasil ele ficou com o troféu de melhor jogador de CS:GO do ano e melhor atleta de eSports do ano.

O capitão da equipe, Gabriel "FalleN" Toledo também recebeu uma homagenagem no Prêmio eSports Brasil. Ele recebeu um troféu em agraciamento por sua trajetória e incentivo ao esporte eletrônico no país. Já de jogador mais valioso de torneios ele ficou com o da ESL One: Cologne e BLAST Pro Series, ambos pela HLTV.org.

Outros que também receberam menções foram Fernando "fer" Alvarenga e Epitácio "TACO" de Melo. O primeiro foi MVP da Esports Championship Series - Temporada 3, pela HLTV.org e o segundo foi escolhido MVP da ESL Pro League - Temporada 6 por uma das patrocinadoras da competição, recebendo um prêmio em dinheiro.