Tradicionais estádios do Rio de Janeiro - parte 2: Conselheiro Galvão
Madureira e Bangu se enfrentaram em Conselheiro Galvão (Foto: Edilson Dias)

Antes de começar o texto, é necessário pontuar que esse jornalista que vos fala é um grande entusiasta de conhecer estádios pelo Brasil e pelo mundo. Já tendo visitado cerca de 16 estádios diferentes em território nacional, nos estados do Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. E possuindo uma lista com mais de 100 estádios para conhecer. Procuro ir sempre na torcida mandante e só vou de visitante quando é jogo do meu time fora do estado.

Dito isso, eu resolvi aproveitar o Campeonato Carioca 2020 para conhecer diversos estádios. Consegui ir em três muito tradicionais: Estádio de Moça Bonita em Bangu, Estádio Conselheiro Galvão em Madureira e Estádio Édson Passos em Mesquita.

Conto a experiência numa série de três reportagens. A primeira delas foi sobre o estádio de Moça Bonita, você pode conferir clicando aqui. Hoje falaremos sobre Conselheiro Galvão, estádio do Madureira.

Madureira x Bangu

O que fazer num sábado de muito calor no Rio de Janeiro? Muitos responderiam ir a praia. Mas fui conferir de perto a experiência de assistir uma partida em Conselheiro Galvão, estádio do Madureira. Uma viagem de pouco mais de 2h entre São Gonçalo e o local da partida, onde foi necessário pegar um ônibus, um trem e andar por 10 minutos.

Aniceto Moscoso, nome original do estádio, fica localizado bem ao lado do Mercadão de Madureira. Lugar muito agitado, com muita movimentação de pessoas, lembrou-me de um bairro em São Gonçalo chamado Alcântara. Me senti em casa.

A partida teve apelo do público, foi necessário encarar uma pequena fila e comprar o ingresso, R$20 a inteira e R$10 meia entrada. Torcedores de Madureira e Bangu entravam pela mesma entrada, sem nenhum problema.

Torcida do Madureira compareceu em bom número. (Foto: Edilson Dias)
Torcida do Madureira compareceu em bom número. (Foto: Edilson Dias)

Existe uma loja do Madureira antes mesmo de chegar nas arquibancadas, a camisa mais barata era uma de 2013, com a estampa de Che Guevara. Para adquiri-la era necessário desembolsar a bagatela de R$100. Preferi continuar vestindo a camisa da Inter de Milão que usava.

Bem verdade que o estádio é bem pequeno e comporta no máximo 2 mil torcedores, porém a estrutura estava impecável. A pintura, os detalhes bem feitos. Apenas as cadeiras se mostraram um pouco sujas, mas eram assentos históricos, do antigo Maracanã.

Antes da partida começar, uma homenagem do Madureira ao ídolo eterno do clube, Evaristo de Macedo. Foi muito festejado pelo público e pelas crianças que entrariam juntas com o time, além de dar o pontapé inicial da partida. Um detalhe em especial chamou minha atenção, o estádio possui sistema de som, diferente de Moça Bonita.

Evaristo de Macedo foi homenageado antes da partida. (Foto: Edilson Dias)
Evaristo de Macedo foi homenageado antes da partida. (Foto: Edilson Dias)

O jogo teve início e nas arquibancadas eram poucos os torcedores que vestiam a camisa do Tricolor Suburbano. A grande maioria presente ao estádio era formado por moradores da região que queriam ter um momento de lazer. A organizada do Madureira ficou o tempo todo fora das arquibancadas, em uma grade perto de um dos escanteios. Fizeram barulho a partida inteira, mas não eram acompanhados pelos outros torcedores que estavam na Social.

Organizada do Madureira ficou fora do setor Social. (Foto: Edilson Dias)
Organizada do Madureira ficou fora do setor Social. (Foto: Edilson Dias)

Madureira e Bangu travaram um bom duelo na primeira etapa, muitas chances criadas dos dois lados. Mas ninguém conseguiu tirar o zero do placar. Nem Ygor Catatau, artilheiro do Tricolor Suburbano e que tinha o nome gritado pela torcida na arquibancada, a cada toque na bola ele causava um frisson.

Intervalo de partida e uma cena se repetiu, torcedores do Bangu xingaram e vaiaram muito a equipe. Na última partida contra o Volta Redinda já haviam protestado contra o técnico Eduardo Allax, mas dessa vez houve cusparada em direção ao treinador, relatou um amigo que estava na torcida do Bangu.

Aliás, a torcida do Bangu está de parabéns por comparecer e incentivar o clube durante os 90 minutos. Entretanto, eu lamento essa situação no intervalo e espero que cenas como essa não se repitam.

Avistei um ambulante vendendo água, R$4. Só que diferente do jogo em Moça Bonita, que era um copo grande, a água era um copo minúsculo. Não comprei e fui até a lanchonete que funciona dentro do estádio. A mesma água vendida a R$4 pelo ambulante, estava saindo a R$2. Dessa vez comprei logo duas.

O segundo tempo da partida foi marcado por algo que vem ocorrendo no Rio de Janeiro com certa frequência, a mudança no clima. O Sol e forte calor que fazia, deu lugar a diversos raios e tempo fechado. Um dos raios caiu próximo ao estádio e fez um barulho ensurdecedor.

Dentro de campo, as equipes não mantiveram a mesma pegada da primeira etapa e a partida foi sonolenta. Um amigo que estava comigo comunicou que a namorada que mora em São João de Meriti retornaria com a gente para São Gonçalo. Foi quando deixamos o jogo de lado e começamos a planejar como e onde a encontraríamos.

Traçado a rota, voltamos a atenção ao jogo. A torcida do Madureira tentava empurrar o time ao ataque. Nos minutos finais, a equipe até tentou, mas não conseguiu fazer o seu gol. Aliás, durante toda a partida um jogador em especial chamou minha atenção e dos presentes na arquibancada. O zagueiro Marcelo Sales, de apenas 21 anos, mostrou que tem qualidade, não perdeu nenhuma dividida, saiu bem em todos os lances e apresenta um bom potencial para desenvolvimento.

Finalizada a partida em 0 a 0, a torcida do Madureira aplaudiu reconhecendo o bom campeonato que a equipe faz. São 10 pontos conquistados em 15 possíveis. Já a torcida do Bangu voltou a protestar contra o seu treinador e vaiar sua equipe, em cinco partidas, nenhuma vitória e apenas dois gols marcados no Carioca.

Com a rota traçada para o meu amigo encontrar a namorada dele e voltarmos para São Gonçalo, foi necessário corremos para conseguir embarcar no mesmo trem em que ela se encontrava. Pois, se perdêssemos aquele trem, teríamos que esperar 1h pelo próximo. Depois de um bom pique, embarcamos e retornamos para casa.

Na próxima reportagem: Edson Passos e o momento conturbado do América. Estará disponível no próximo sábado (08).


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