Verstappen dá graça ao ano: resumo da primeira metade da Fórmula 1 2019 – Parte 1 de 2
Max Verstappen foi um dos responsáveis por dar emoção a uma temporada que parecia perdida (Foto: Reprodução formula1.com)

Verstappen dá graça ao ano: resumo da primeira metade da Fórmula 1 2019 – Parte 1 de 2

A temporada de 2019 da Fórmula 1 já está na metade: momento de fazer um balanço do desempenho das cinco primeiras equipes até aqui

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Felipe Quintella

A Fórmula 1 chega ao seu recesso de verão em um contexto muito diferente do começo do ano. Antes mesmo de começar a temporada propriamente dita, a Ferrari era tida como favorita para 2019, por ter liderado as tabelas dos testes de inverno em Barcelona. Mas, como era de se esperar, nada daquilo espelhava como realmente seria o campeonato.

Na verdade, foi a Mercedes que despontou como o time dominante desde a primeira corrida. As cinco primeiras provas renderam dobradinha para carros prateados, uma marca sem precedentes na história da categoria. Ou seja, na cabeça do fã, a temporada seria uma grande procissão até Lewis Hamilton se sagrar facilmente hexacampeão.

A F1 passou boa parte desse primeiro semestre oferecendo corridas previsíveis e entediantes. O ápice foi o GP da França, tido como uma das corridas menos interessantes dos últimos tempos. Porém, desse ponto em diante, o campeonato passou por uma transformação.

As quatro últimas corridas foram completamente diferentes: emoção na pista, erros, dramas e estratégias. Um dos culpados por isso foi Max Verstappen, que venceu duas dessas quatro provas, conquistando pontos suficientes para deixar em aberto a briga ainda pelo vice-campeonato. 

Para entender melhor o que esteve em jogo até aqui, vamos relembrar o que marcou a primeira metade do ano cinco equipes (por enquanto), além da situação de cada um no campeonato.

Mercedes

Mesmo com a mudança de contexto, a Mercedes foi e continua sendo a grande favorita para levar os dois títulos de 2019: o de pilotos e o de construtores. A equipe alemã se mostrou em ótima forma, em todos os sentidos: na estratégia, nos pits stops e na logística geral dos finais de semana. Além de ter feito um carro extremamente adaptável, confiável e simplesmente rápido. Essa eficiência resultou na liderança absoluta do campeonato de construtores, com 438 pontos.

Com esses recursos à disposição, Lewis Hamilton fez seu trabalho muito bem até o momento. O atual campeão do mundo venceu oito das 12 corridas até aqui, pontuando em todas e subindo ao pódio dez vezes. Claro que inglês cometeu erros, mas tudo indica que ele está em sua melhor forma da carreira. Com 250 pontos, o #44 lidera o mundial de pilotos, indicando fortemente a chegada do sexto título ao final do ano.

Contudo, nem tudo é perfeito na Mercedes. Valtteri Bottas repetiu nas últimas corridas o seu papel de mero coadjuvante de Hamilton dentro da equipe. Mas no começo do ano não foi assim, já que o finlandês era considerado um dos candidatos ao título. Chegou a vencer duas corridas (Austrália e Baku) e andou no mesmo ritmo do companheiro constantemente. Porém, perdeu o embalo, cometeu erros e hoje é o segundo na tabela, com 188 pontos, 62 a menos do que Hamilton.

O poder da Mercedes em 2019 é inédito até para a própria Mercedes.
O poder da Mercedes em 2019 é inédito até para a própria Mercedes. (Foto: Reprodução mercedesamgf1.com)

Ferrari

Depois de 12 corridas, a Ferrari está na segunda colocação nos construtores, com 288 pontos. Um abismo em relação aos rivais prateados. É uma situação bem diferente de 2018, ano em que os italianos disputaram tanto o título de pilotos quanto o de equipes durante a maioria da temporada. Em 2019, duas grandes mudanças chegaram aos boxes vermelhos: o novo chefe de equipe, Mattia Binotto, bem como Charles Leclerc, um dos pilotos-sensação da nova geração da Fórmula 1.

Mesmo assim, a Scuderia não conseguiu nem igualar o desempenho do ano passado, fazendo uma temporada bem irregular até aqui. O time errou em estratégias, pits e principalmente em classificação, jogando fora muitas oportunidades. Por outro lado, o carro é bom em algumas pistas, principalmente as de alta velocidade, porém a equipe ainda não conseguiu capitalizar um resultado em cima disso. O primeiro semestre viu os carros vermelhos basicamente disputando o posto de segunda força com a Red Bull.

Sebastian Vettel é a representação desse desempenho irregular. Nesse semestre o tetracampeão conseguiu apenas eventuais pódios, e não venceu nenhuma vez. Inclusive, apenas em uma corrida ele disputou a liderança diretamente: justamente no Canadá, onde foi punido com a perda da vitória, por uma lance polêmico com Hamilton.

Também cometeu erros sérios, assim como na segunda metade de 2018. Mas se redimiu na Alemanha, onde saiu de último para chegar em segundo, debaixo de chuva. Talvez o alemão consiga uma vitória depois das férias, mas o título já está fora das possibilidades para esse ano. Vettel é o quarto no campeonato, com 156 pontos.

O novo companheiro de Vettel, Leclerc, também sofre com a irregularidade. O jovem piloto também cometeu erros e acumula  mais abandonos que Sebastian. Porém, ele soube aproveitar os momentos que a Ferrari lhe deu um bom carro e disputou vitórias, na Áustria e no Bahrein. Não venceu, mas suas brigas com Verstappen nas últimas provas proporcionaram os melhores momentos da temporada até aqui. O monegasco também não pode sonhar com muito no campeonato, mas vai deixando seu recado no primeiro ano em uma equipe de ponta. Leclerc é o quinto na tabela, com 132 pontos.

A dupla da Ferrari teve bons momentos, mas não conseguiu representar um desafio pelo título. (Reprodução scuderiaferrari.com)
A dupla da Ferrari teve bons momentos, mas não conseguiu representar um desafio pelo título (Foto: Reprodução scuderiaferrari.com)

Red Bull Rac

Assim como a Ferrari, a Red Bull parecia não ser capaz de superar o domínio da Mercedes. Pela primeira vez equipada com o motor Honda, a equipe austríaca não tinha certezas quanto ao seu desempenho para o ano. Contudo, a unidade de potência se mostrou confiável, evoluiu, e se mostrou à altura do ritmo dos rivais. Com isso, os taurinos brigaram por boa parte do primeiro semestre com a Ferrari, enquanto a Mercedes disparava na frente.

Até que vieram as últimas corridas, nas quais Max Verstappen mostrou maturidade e acima de tudo, velocidade, para partir para cima da Mercedes. O holandês venceu de forma espetacular na Áustria, superando o já rival Leclerc, e na Alemanha, sobrevivendo a um caos debaixo de chuva. Pontuou em todas as corridas, o que rendeu ao jovem piloto o atual terceiro lugar na tabela, com 181 pontos, na cola de Bottas. Se continuar com a boa fase, é provável que Verstappen consiga esse vice-campeonato, que antes parecia seguro nas mãos do finlandês.

Porém, assim como na Mercedes, a boa fase de um piloto não é compartilhada pelo companheiro. A Red Bull é terceira colocada nos construtores, com 244 pontos. Essa pontuação seria bem mais generosa caso Pierre Gasly tivesse acompanhado o desempenho de Max. Pela primeira vez vestindo o macacão de uma equipe de ponta, vindo de uma boa temporada de estreia pela Toro Rosso, o francês parece ter sentido fortemente a pressão.

Enquanto Verstappen disputava as primeiras posições, várias vezes no ano Gasly estava na verdade correndo no pelotão intermediário. Tanto que apenas uma vez ele conseguiu superar em corrida o colega de garagem: na Inglaterra, onde Max se envolveu em um incidente com Vettel. O sexto lugar no mundial, com apenas 63 pontos, rendeu ao francês uma suspeita de desligamento da equipe, famosa por ser impaciente com seus novatos.

Sem Verstappen, provavelmente 2019 seria um ano bem mais entediante para a F1. (Reproduçãoredbullracing.redbull.com)
Sem Verstappen, provavelmente 2019 seria um ano bem mais entediante para a F1 (Foto: Reproduçãoredbullracing.redbull.com)

 

+ Com bons números na Toro Rosso, Alexsander Albon substitui Pierre Gasly na Red Bull

McLaren

A Mclaren vem de uma má fase desde 2013, quando deixou de correr no pelotão de ponta da Fórmula 1. Fernando Alonso e as questões que envolviam a relação com a Honda nesse período não ajudaram, e a equipe terminou 2018 como mera coadjuvante do meio do grid. Em 2019, com uma nova e jovem dupla, Carlos Sainz e Lando Norris, a coisa mudou. Bem como uma pesada reestruturação da equipe, simbolizada pela chegada de Andreas Seidl na chefia.

O resultado foi um primeiro semestre impressionante, no qual a Mclaren foi a melhor do resto da categoria. Porém, os carros alaranjados sofreram com a confiabilidade, colecionando um bom número de abandonos. Mas nada que impedisse que o time britânico terminasse as 12 corridas na quarta colocação, com 82 pontos. Uma larga vantagem sobre os competidores do pelotão intermediário. Esse desempenho nos leva a crer que o time apenas precisava de uma mudança de ares durante esses difíceis anos.

Carlos Sainz é a ponta de lança dessa recuperação da Mclaren. O espanhol é o líder inquestionável do segundo pelotão da F1, no sétimo lugar, com 58 pontos. Sempre frequentando a zona de pontuação, Sainz colecionou uma série de bons resultados seguidos, incluindo dois quintos lugares. Tudo indica que ele continuará a boa fase para o segunda metade do ano, sendo o protagonista do primeiro grande passo da equipe na volta na briga pelas vitórias. Na verdade, Sainz pode até sonhar com um sexto lugar, devido ao fraco desempenho de Pierre Gasly.

Lando Norris, em seu ano de estreia na Fórmula 1, compartilha o ritmo do companheiro. Apesar de ter sido o mais atingido pelos abandonos e ter pontuado menos, o inglês de apenas 19 anos tem impressionado o paddock. Principalmente em disputas de posição e em classificação. Décimo na tabela, com 24 pontos, Norris já entra facilmente na lista de talentos da nova geração da categoria.

A dupla Sainz e Norris se mostrou uma ótima escolha para o time de Woking. (Reprodução globoesporte.com)
A dupla Sainz e Norris se mostrou uma ótima escolha para o time de Woking (Foto: Reprodução globoesporte.com)

Toro Rosso

A Toro Rosso está no seu segundo ano equipada com o motor Honda. O desenvolvimento da unidade japonesa poderia significar um 2019 melhor do que foi 2018, um ano de primeiras experimentações. Uma dupla renovada chegou para acompanhar essas expectativas. Daniil Kvayt, velho conhecido da equipe, estava de volta à F1 para tentar se redimir da má fama que o acompanhava. O companheiro dele seria o estreante Alexander Albon, boa promessa da nova geração. Esse elenco conseguiu conquistar para a equipe o atual quinto lugar da tabela, com 43 pontos. Em geral, o desempenho do time satélite da Red Bull esteve sujeito às pistas: quanto tinha um bom carro, pontuou. Quando não tinha, correu apagada, longe da zona de pontuação.

Os 43 pontos seriam bem mais tímidos não fosse o impressionante feito de Kvyat na chuvosa Alemanha. O russo conquistou um terceiro lugar e subiu ao pódio sem ter um carro de ponta, uma visão rara na F1 atual. No geral, Kvyat faz uma temporada interessante, sem impressionar, nem mesmo com os tradicionais incidentes que ele costumava provocar na pista. O torpedo é o atual nono colocado no campeonato, com 27 pontos.

Albon vem fazendo uma boa primeira temporada. Sabendo trabalhar com o que tem, o anglo-tailandês é discreto, sem cometer erros. Mas também chamou a atenção, como na China, quando saiu de último para chegar em décimo. Ele ocupa a 15ª posição na tabela de pilotos, com 16 pontos conquistados. Se continuar assim, o novato  dará um ótimo primeiro passo para sua carreira no topo do automobilismo. 

O pódio de Kvayt: o ponto alto da Toro Rosso na primeira metade de 2019. (Reprodução: planetf1.com)
O pódio de Kvayt: o ponto alto da Toro Rosso na primeira metade de 2019 (Foto: Reprodução: planetf1.com)

+ Com bons números na Toro Rosso, Alexsander Albon substitui Pierre Gasly na Red Bull

Na segunda parte desta matéria, falaremos da situação das demais equipes, pela ordem no campeonato: Renault, Alfa Romeo, Racing Point, Haas e Williams.

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