Dos recordes à tríplice coroa: A temporada de Luis Enrique

A temporada 2014/15 acabou e o técnico Luis Enrique foi um dos grandes destaques. O treinador do Barcelona comandou a equipe na conquista da triplice coroa com os títulos da La Liga, Copa do Rei e Uefa Champions League. Além disso, Lucho foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso do trio "MSN" formado por Messi, Suárez e Neymar.

Os números deste novo Barcelona, moldado ao caráter de seu treinador, são impressionantes. Em 60 partidas disputadas, os catalães saíram vitoriosos em 50 ocasiões, empatando quatro vezes e perdendo seis: um aproveitamento de 83%. A defesa, antes com problemas extremos em contra-ataques e bolas aéreas, mostraram melhoras, tendo levado apenas 37 gols.

O inicio e a reformulação

Depois dos fracassos da última temporada, na qual ficou sem titulo algum - o que não ocorria desde 2008 - o Barcelona decidiu promover uma revolução na equipe, como a feita por Josep Guardiola oito anos atrás. O foco principal seria a reconstrução do plantel e da filosofia de jogo, profundamente abalados pela saída repentina de Tito Vilanova, por motivos de saúde, e a falta de pulso de Tata Martino.

O primeiro passo em direção as mudanças foi dado no dia 19 de maio de 2014, quando o Barça anunciou a chegada de Luis Enrique. O discurso sério e a forma que tratou assuntos delicados como liderança e motivação, pontos que eram deficientes com Tata Martino, fizeram a torcida acreditar no ex-capitão da equipe. A maneira que falou sobre Messi também afirmou a segurança do asturiano para lidar com o craque do time, algo que Tata Martino não conseguiu lidar.

A volta de Luis Enrique ao Camp Nou, depois de oito temporadas como jogador, promoveu mudanças profundas na equipe em que Tata Martino havia deixado em 2014. Promovendo um futebol vertical e um investimento maior no trio ofensivo, Lucho tornou o Barcelona mais agressivo e poderoso.

Ainda no mês de maio, os reforços começaram a ser anunciados. O primeiro nome foi o de Marc-André Ter Stegen, goleiro alemão de 23 anos, contratado por 12 milhões de euros. Em junho, foi a vez do meio-campista croata Ivan Rakitic, por 18 milhões de euros e de Claudio Bravo, goleiro chileno que chegou por 12 milhões de euros. No mês seguinte, a contratação do uruguaio Luis Suárez foi anunciada, pelo valor de 81 milhões de euros, assim como a do francês Jérémy Mathieu, por 20 milhões de euros.

Porém, ao mesmo tempo em que vários jogadores chegavam ao clube catalão, muitos outros saíam, casos do capitão e ídolo Puyol, que havia anunciado sua aposentadoria, e de Víctor Valdés, pelo fim de seu contrato. Outros foram vendidos, casos de Cesc Fàbregas, por 33 milhões de euros para o Chelsea, e Alexis Sanchez, por 42,5 milhões de euros para o Arsenal. Era apenas o começo das mudanças.

Puyol anunciou sua aposentadoria nesta temporada (Foto: Gazeta Press)

Os amistosos de pré-temporada demonstraram diversas qualidades que marcariam a campanha blaugrana, entre eles, a pressão e a verticalidade. Esta última, mostrando o desprendimento da equipe do famoso “tiki-taka” de Guardiola, passando a se necessitar de menos toques para chegar ao gol, sendo mais objetivo.

O começo e a adaptação

O Barcelona começou sua caminhada no Campeonato Espanhol enfrentando o Elche, em casa. Apesar de ser chamada de “nova era”, o protagonista do jogo foi o de sempre: Lionel Messi. O argentino marcou duas vezes e garantiu os primeiros três pontos da temporada de forma tranquila. Porém, era evidente que a equipe estava ainda se moldando à nova visão de jogo de seu treinador, por mais que ainda fosse fiel à filosofia tão característica do Barcelona.

Messi foi importante principalmente no começo da temporada, quebrando recordes e recuperando o futebol em alto nível (Foto: Getty Images)

Os primeiros onze jogos mostraram outra grande mudança: a defesa. Taxada anteriormente de lenta, fraca e insegura, levou apenas quatro gols, além de não levar gols em oito partidas da Liga.

Apesar das mudanças com a chegada do novo treinador, as rotações pareciam incomodar a torcida e alguns jogadores, como Neymar. Luis Enrique parecia fazer questão de experimentar todas as variantes de escalações possíveis. O asturiano chegou até a mudar a formação tática da equipe, contra o Paris Saint-Germain, na fase de grupos da Champions League, saindo do tradicionalíssimo 4-3-3 para um 3-4-3 que deu certo, mas não foi mais utilizado.

A chegada de Luis Suárez

O anúncio da contratação de Luis Suárez foi visto com desconfiança, principalmente depois dos acontecimentos da Copa do Mundo de 2014, quando o uruguaio mordeu o zagueiro italiano Chiellini e recebeu uma punição de quatro meses por parte da FIFA. Apesar de polêmico, a esperança era que Suárez trouxesse algo que faltou em muitos momentos com Tata Martino: o poder de decisão.

Recebido com o status de artilheiro da Premier League e do futebol europeu, ficou limitado aos treinos pela punição, mas foi o suficiente para que começasse a adquirir entrosamento com os novos colegas. Sua estreia oficial foi à altura, contra o Real Madrid. E mesmo com o revés, não deixou de mostrar o quão diferenciado era, participando do gol catalão marcado por Neymar, e mostrando o quanto seria útil ao longo da temporada.

O que era esperado com a chegada de Suárez era o poder de decisão que faltou em muitos momentos com Tata Martino na temporada anterior. Suárez foi decisivo contra o Manchester City nas oitavas de final da Champions League, contra o PSG nas quartas de final, contra o Real Madrid na 28ª rodada do Campeonato Espanhol e na final da Champions League contra a Juventus. Segundo os números, Luisito era o mais decisivo do trio "MSN". Apesar de terminar a temporada com menos gols que Messi e Neymar, nos jogos grandes a média de gols do camisa 9 era superior.

Suárez foi decisivo contra Manchester City, PSG e Real Madrid (Foto: EFE)

Críticas

A derrota para o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, por 3 a 1, foi seguida por outro revés, desta vez para o Celta de Vigo, no Camp Nou. A sensação de impotência dentro de casa, após quatro bolas na trave e um gol bobo, estremeceram o clima no clube e as criticas pela falta de um jogo consistente crescerem para cima de Luis Enrique.

Porém, o jogo que mudaria tudo ainda estava por vir. Após 11 jogos sem perder, o Barcelona caiu em Anoeta, um dos campos mais difíceis de toda a Liga. A frustração era visível e duras medidas foram tomadas no meio institucional, como a demissão de Andoni Zubizarreta, juntamente com a voluntária saída de Carles Puyol e o anuncio de eleições para o fim da temporada. Já no campo, a união foi a ordem principal para virar a mesa e não sair de mãos vazias outra vez. Era o recomeço outra vez.

O Barcelona sentiu o baque após a derrota em Anoeta (Foto: Getty Images)

A volta por cima e a tríplice coroa

Depois da chamada “Crise de Anoeta”, o Barcelona embalou em uma bela sequência de vitórias e atuações convincentes. O primeiro desafio foi contra o Atlético de Madrid, em uma série de jogos pela Liga e pela Copa do Rei. E depois de seis jogos sem vencer os colchoneros, o Barça superou a equipe de Diego Simeone por três vezes seguidas. E ainda repetiria a dose no segundo turno, na partida que deu o titulo espanhol para os catalães em pleno Vicente Calderón, revidando o revés da temporada anterior no Camp Nou.

Na Champions League, jogos convincentes e classificações firmes em cima de Manchester City (3 a 1 no agregado) e Paris Saint-Germain (5 a 1 no agregado) com Luis Suárez sendo decisivo. Vitória também em cima do Real Madrid, no Camp Nou, com gols do desacreditado Mathieu e de Luis Suárez, sendo decisivo outra vez. Porém, o grande teste veio contra o Bayern de Munique, time do ex-técnico Josep Guardiola. O Barcelona mostrou toda a sua evolução como equipe em um sonoro placar de 5 a 3 (no agregado), com Messi e Neymar sendo decisivos, e conquistando assim a vaga para a final da Champions League contra a Juventus.

Luis Enrique e os jogadores do Barça comemoram a vaga na final da Champions League (Foto: UEFA)

Na Copa do Rei, conquistou o título com 100% de aproveitamento, se tornando a primeira equipe a conseguir este feito. E na final da Champions League, contra a Juventus, o trio "MSN" foi decisivo outra vez. Suárez marcou o gol que desempatou o jogo após rebote de Buffon em finalização de Messi; Neymar participou do primeiro gol e fez o último gol do jogo, que fechou o placar em 3 a 1 no minuto final.

Trio "MSN"

O grande ponto alto desta virada do Barcelona foi o trio "MSN" formado por Messi, Suárez e Neymar. Depois de cumprida a punição do uruguaio, foi questão de poucos meses para que os três se convertessem em um ataque fulminante e mortal. Um trio ofensivo completo, que contou com a recuperação de Lionel Messi, o faro de gol de Suárez e o aperfeiçoamento de Neymar, que marcou o dobro de gols da temporada passada, o que colaborou para o impressionante número de 122 gols na temporada, algo nunca realizano na história.

O trio "MSN" foi fundamental para o sucesso do Barcelona na temporada (Foto: Getty Images)
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