#Trajetória: Darío Leonardo Conca
Foto: Reprodução / Fluminense

Sempre é bom relembrar a trajetória de um ídolo. Gols marcantes, passagens de sucesso ou de fracasso, fase áurea, lesões, retorno, fim da carreira e o pós-carreira, todas esses períodos, passados com sucesso, constroem uma figura idolatrada em algumas torcidas. Por isso, a VAVEL Brasil traz de volta à luz alguns grandes jogadores que pisaram os gramados do país do futebol.

Nascido em General Pacheco, Argentina, no dia 11 de maio de 1983, Darío Leonardo Conca é um ex-jogador de futebol que marcou uma geração de torcedores do Fluminense Football Club. Ele atuava como meio-campista ofensivo, meia esquerda ou direita. Conca era um homem de frente bastante conhecido por sua habilidade e técnica na armação das jogadas, principalmente por seus dribles e passes.

Começou a sua trajetória no Club Atlético River Plate, em 1991, quando tinha nove anos, lá ele passou seis meses nas categorias de base do clube até seu desligamento por motivos financeiros da família. Ficou sem clube até 1995, quando com 12 anos ingressou no Club Atlético Tigre, e em 1998, jogou a sua primeira partida profissional com apenas 15 anos na Segunda Divisão da Argentina.

Após alguns anos, em 2003, Conca foi novamente chamado pelo River Plate como profissional, porém, voltou a atuar nas categorias de base. Na mesma época, quando Conca teria sido convocado para a Seleção Argentina Sub-20 que disputaria o Mundial da categoria em 2003, nos Emirados Árabes, mas sofreu uma grave lesão na perna direita que o deixou seis meses afastado das quatro linhas.

Em 2004, com 21 anos, acertou sua transferência por empréstimo com a Universidad Católica, do Chile. Conca chamou atenção para o futebol sul-americano justamente na equipe chilena utilizando a camisa 10 na conquista do Clausura em 2005. Na disputa pela Copa Sul-Americana, levou a equipe às semi-finais, sendo um dos jogadores mais importantes do time, até ser eliminado pelo Club Atlético Boca Juniors, o seu clube do coração, que mais tarde tornou-se o campeão. Pela Universidad Católica disputou 85 partidas e marcou 15 gols.

Chegada ao Brasil e o Fluminense

Conca no Vasco, em jogo contra o Flu (Foto: Reprodução / Vasco)
Conca no Vasco, em jogo contra o Flu (Foto: Reprodução / Vasco)

Entre idas e vindas, Conca foi obrigado a retornar para o River Plate, e não sendo aproveitado, foi transferido para o Rosario Central onde disputou apenas 11 partidas. Retornou para o River, onde não foi aproveitado novamente e de lá foi transferido para o Vasco da Gama. No cruzmaltino, estreou no dia 13 de maio de 2007, na partida contra o América de Natal, substituindo o atacante Alan Kardec. No entanto, só assumiu a titularidade da equipe no dia 30 de junho na derrota por 3 a 1 para o Cruzeiro, e na partida seguinte marcou dois gols na vitória por 4 a 0 contra o Santos. Ágil e habilidoso, Conca agradou a torcida e vestiu a camisa 8 chegando a ser relacionado como atacante ao lado de Leandro Amaral. No Brasileirão daquele mesmo ano, fez seis gols e deixou a equipe em 10º na tabela. Pelo Vasco, disputou 50 partidas e fez oito gols.

No entanto, em 2008, quando se transferiu para o Fluminense, foi quando viveu o seu melhor momento na carreira. Teve a oportunidade de ser treinado novamente por Renato Gaúcho, onde estreou em 2 de fevereiro em 2008, partida válida pelo Campeonato Carioca, quando substituiu o volante Arouca no empate em 1 a 1 contra o Boavista-RJ. Em 1º de março, marcou o seu primeiro gol na vitória por 3 a 1 contra a Cabofriense.

Importância na Libertadores 2008

Conca contra o Boca, na Libertadores 2008 (Foto: Reprodução / Conmebol)
Conca contra o Boca, na Libertadores 2008 (Foto: Reprodução / Conmebol)

Aos poucos ganhou espaço na equipe titular até disputar a Copa Libertadores da América, onde despontou e levou a torcida tricolor a loucura com o show de técnica e habilidade do canhoto argentino. Assumiu o papel de comandar o meio-campo ao lado de Thiago Neves, que mesmo sendo coadjuvante, foi decisivo e liderou a equipe tricolor na época. Em boa parte da campanha, fez boas partidas e marcando gols decisivos, eliminando Boca Juniors e São Paulo no mata-mata. No entanto, o Fluminense chegou à final contra a equipe equatoriana LDU e foi derrotado nos pênaltis, tornando-se vice-campeão da Libertadores. Foi a melhor campanha do Fluminense no campeonato, mesmo tendo caído no grupo 8, considerado na época “o grupo da morte”, onde tinha Libertad, LDU e o estreante Arsenal de Sarandí. O tricolor carioca alcançou o primeiro lugar no grupo 8 e também em primeiro lugar geral em pontuação na Libertadores de 2008.

Fuga do rebaixamento

Em 2009, ainda pelo Fluminense, Darío Conca viveu um dos seus melhores momentos, mesmo na péssima situação do clube na tabela, quando a equipe tricolor era bastante cogitada a ser rebaixada naquele ano. Segundo o matemático Tristão Garcia, o Tricolor Carioca chegou a ter 98% de chances de ir para a segunda divisão, quando em idas e vindas de técnicos renomados como Renato Gaúcho, Renê Simões, Carlos Alberto Parreira e finalmente Cuca, aquele que ficou até o final do campeonato e salvou a equipe do rebaixamento numa inesperada retomada vencendo os jogos que precisava e decidindo a permanência na última partida, no empate em 1 a 1 contra o Coritiba no Couto Pereira. Um ano para ser esquecido pelo clube até a retomada e lembrado por Conca que liderou sozinho boa parte da campanha a equipe, quando Fred estava lesionado e retornou mais tardar no meio do campeonato para ajudá-lo na liderança da equipe tricolor.

Sequência

Em seu terceiro ano jogando pelo Fluminense, mais precisamente em 2010, Conca esperava ter um bom início no Campeonato Carioca, porém, com o mau desempenho da equipe no campeonato, Cuca foi demitido. Em seu lugar, foi contratado o até então técnico Muricy Ramalho, onde retomou um dos melhores momentos da carreira, e que em temporadas anteriores, contava com o desejo de treinar o argentino. Neste ano, Conca, mesmo com presenças de Fred e Deco na equipe, liderou mais uma vez a equipe, só que dessa vez fazendo boa campanha no Campeonato Brasileiro, onde consagrou-se campeão na vitória por 1 a 0 contra o Guarani Futebol Clube, no Estádio Nilton Santos, o Engenhão, com gol de Emerson Sheik.

"Sempre falei, por tudo que o Brasil tem me dado, que jogaria, sim [na Seleção Brasileira]. Mas acho difícil", revelou Conca quando surgiu os rumores

Conca foi bastante elogiado por sua performance naquele ano, sendo o jogador que disputou todas as partidas no Campeonato Brasileiro, tornando-se o segundo jogador de linha a disputar todas as partidas do torneio na era dos pontos corridos e terminando como líder isolado de assistências, além de nove gols e atuando com uma lesão no joelho durante a reta final do torneio, sendo considerado na época um dos mais novos ídolos na galeria do Fluminense. O seu desempenho rendeu prêmios no Brasil, sendo eleito o Bola de Ouro da Revista Placar. Venceu novamente o “Craque da Galera” pelo voto popular, além do principal prêmio, o de Melhor Jogador. Pela imprensa argentina, o ex-jogador foi bastante elogiado, sendo até cogitado a ser convocado pela seleção da Argentina. No entanto, foi pela Seleção Brasileira que o argentino chamou mais atenção, quando houve a possibilidade de naturalizá-lo para poder ser convocado pela amarelinha, o que não se confirmou.

Ida à China

Conca e Lucas Barrios comemorando título chinês pelo Guagnzhou (Foto: Reprodução / Guangzhou)
Conca e Lucas Barrios comemorando título chinês pelo Guagnzhou (Foto: Reprodução / Guangzhou)

Em 2011, o argentino começou a ser sondado por diversas equipes, uma delas Sevilla, da Espanha, e Palermo, da Itália, porém, uma sondagem chinesa foi a que chamou a atenção de Conca, com a possibilidade de receber 2 milhões por mês, sendo o terceiro jogador mais bem pago do mundo na época. O argentino não resistiu e acabou aceitando a proposta milionária do Guangzhou Evergrande, disputando assim a sua última partida pelo Fluminense em 30 de junho de 2011 na vitória por 3 a 1 contra o Athletico Paranaense.

A transferência foi considerada a mais cara do futebol chinês na época, somando bastante expectativa sobre o argentino. Na estreia, mostrou quem era Darío Leonardo Conca, marcando o primeiro gol na vitória por 5 a 0 contra o Nanchang Bayi. Após essa partida, Conca voltou a se destacar agora pelo clube chinês somando gols e assistências que logo chamaram a atenção no país, conquistando o primeiro título chinês com cinco rodadas de antecipação. Encerrou o primeiro campeonato chinês com 15 partidas e 9 gols, recebendo em seguida o prêmio de melhor meio-campista do futebol chinês.

No entanto, em 30 de novembro de 2012, Conca decidiu sair da China junto com a sua família e pertences, apesar de ter contrato ainda até julho de 2013. O argentino teria deixado uma carta de despedida, segundo o presidente do clube chinês, Liu Yongzhuo. “Tenho coisas a fazer na minha vida. E uma delas é voltar ao Brasil”.

Em 31 de dezembro, apesar da insistência do Fluminense Football Club em trazer o jogador de volta para o Brasil, e do desentendimento com o clube chinês, Conca não conseguiu fazer com que o acordo fosse assinado e acabou tendo que retornar à China no dia 3 de janeiro de 2013. Após alguns meses, marcou um gol contra o Central Coast Mariners, da Austrália, garantindo a vaga nas quartas de final da competição da Liga dos Campeões da Ásia. E também marcou dois gols na vitória de virada do Guangzhou por 4 a 1 contra o Kashiwa Reyols na semifinal no dia 3 de abril de 2013. Darío Conca foi campeão da Liga dos Campeões da Ásia e ajudou o time ainda a garantir uma vaga no Mundial, que ocorreu em dezembro. O clube chinês terminou em quarto lugar atrás de Atlético-MG, Raja Casablanca e Bayern de Munique.

Retorno ao Flu e saída

Após duas temporadas de bastante vislumbre e olhos chineses sobre o argentino, Conca retornou ao Brasil e ao Fluminense em 9 de novembro de 2013. Não conquistou títulos, mas matou a saudade da torcida tricolor com suas boas atuações. Entretanto, esta parceria foi encerrada no final de 2014 quando a patrocinadora oficial do clube, a Unimed, rompeu com o Fluminense. Somando atrasos salariais, Conca decidiu deixar o clube.

Em 2015, acertou a sua transferência com Shanghai SIPG, dessa vez, recebendo um pouco a mais de R$ 2 milhões mensais e com a camisa 10 do clube. A maior contratação da história do clube. Em sua primeira temporada, o argentino mostrou a que veio e se tornou o segundo jogador a ter mais assistências do campeonato, com 13 no total. Ficou atrás do brasileiro e meia-atacante Ricardo Goulart que fez 15 assistências pelo Guangzhou Evergrande, ex-clube de Darío Conca. Na temporada, Conca fez 9 gols de 29 disputados pelo Campeonato Chinês, entrando no top 20 de artilheiros daquela edição.

O começo do fim da carreira

Com a expectativa superada, o argentino renovou por mais dois com a equipe chinesa, porém, no dia 26 de agosto de 2016, Conca sofreu uma séria ruptura do ligamento cruzado do joelho esquerdo. A lesão aconteceu após ter marcado o gol da virada da equipe de Xangai contra o Shijiazhuang Ever Bright, pela Super Liga da China. Era esperado uma previsão de seis a oito meses e por causa desta lesão, o desempenho foi abaixo somando 27 jogos, seis gols e cinco assistências.

Em 2017, Darío Conca surpreendeu a todos acertando a sua contratação com o Clube de Regatas do Flamengo, assinando por um ano de empréstimo. A negociação ocorreu envolvendo a situação do argentino que estava se recuperando ainda da lesão no joelho, com a promessa de que o recuperaria já que estava inaugurando o Centro de Excelência em Performance do Ninho do Urubu. O Rubro-Negro não teve custos com o acerto e só acordou de pagar os salários a partir do momento que ele retornasse aos gramados.

Conca ganhou o seu primeiro título com a equipe rubro-negra sem ter disputado nenhum jogo, que foi o Campeonato Carioca, mesmo com poucas chances de atuar até o final do campeonato. O meio-campista argentino ao todo disputou três jogos pela equipe rubro-negra, somando apenas 27 minutos em campo. Em 9 de dezembro, o Flamengo liberou o jogador para retornar ao Shanghai SIPG.

Conca com a camisa do Flamengo, onde não vingou (Foto: Reprodução / Flamengo)
Conca com a camisa do Flamengo, onde não vingou (Foto: Reprodução / Flamengo)

Em 23 de setembro de 2018, o argentino assinou com o Austin Bold, clube recém-formado de Austin, capital do Texas (EUA), que estreou na United Soccer League em 2019. Pela equipe americana, Darío Conca disputou apenas duas partidas e anunciou a sua aposentadoria do futebol no dia 23 de abril de 2019.

Desejo de ser técnico

O argentino sonha em retornar ao futebol, mas como técnico, e já está prestes a iniciar os estudos. Ele deseja em três anos treinar algum clube, e um deles em especial, o Fluminense. Em entrevista ao canal de streaming DAZN, Conca diz que Muricy Ramalho e Renato Gaúcho são treinadores que o inspiram à beira dos gramados.

"Gostaria [de ser treinador do Fluminense]. Gostaria muito de ser treinador de um time que defendi. É um desafio, uma satisfação muito grande. Você para de jogar, mas a vida continua. Muricy, adorei trabalhar com ele, tem o Renato. Acho que são referências. Ele [Renato] tem uma forma de ver o jogo de forma especial, com o olho ele sabe se um jogador está bem", contou Darío Leonardo Conca.

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