#Trajetória: Assis
Assis, ídolo do Fluminense (Foto: Domínio Público)

Sempre é bom relembrar a trajetória de um craque. Gols marcantes, passagens de sucesso ou de fracasso, fase áurea, retorno, fim da carreira e o pós-profissão, todos esses períodos, passados com sucesso, constroem uma figura idolatrada pelas torcidas. Por isso, a VAVEL Brasil traz de volta à tona alguns grandes jogadores que pisaram os gramados do país do futebol. Agora, é o momento de um ídolo do Tricolor das Laranjeiras.

Benedito de Assis Silva (12/11/1952 a 06/07/2014), ou simplesmente Assis, é um dos ídolos da rica história do Fluminense Footbal Club. Entre seus feitos com a camisa do Tricolor, estão os gols marcados em cima de seu maior rival nos anos de 1983 e 1984, o Clube de Regatas do Flamengo. Tais atuações o apelidaram de "Carrasco rubro-negro". Além disso, foi um dos principais goleadores do timaço que viria sagrar-se campeão brasileiro em 1984.

O início

Nascido na capital paulista e criado no bairro Vila Prudente, na Zona Leste, começou a carreira em 1972, com passagens por equipes pequenas de São Paulo, como São José, Inter de Limeira e Francana. Inclusive, quando este último conquistou o direito de disputar a primeira divisão do Campeonato Paulista, em 1978, registrou o contrato de Assis. E após balançar as redes 17 vezes no ano seguinte, o atacante despertou o interesse do São Paulo Futebol Clube, seu primeiro grande clube.

Sua passagem pelo Tricolor Paulista foi curta, nos anos de 1980 e 1981, mas que teve a conquista do bicampeonato da equipe no estadual. Em seguida, transferiu-se para o Sport Club Internacional, negociação essa que envolveu a chegada de Mário Sérgio ao clube paulista. No ano seguinte, seu destino foi o Athletico Paranaense. Inclusive, foi lá que teve suas primeiras atuações ao lado do também atacante Washington, que, mais tarde, viria a formar com Assis o famoso Casal 20 no Fluminense.

Foto: Sérgio Sade / Revista Placar
Assis em campo pelo Clube Athletico Paranaense (Foto: Sérgio Sade / Revista Placar)

Chegada ao Fluminense

Foi no Tricolor das Laranjeiras que o atacante teve maior destaque, já que, ao lado do companheiro de ataque citado anteriormente, conquistou o tricampeonato carioca (1983, 1984 e 1985) e o Campeonato Brasileiro de 1984. Também fez parte do elenco que conquistou o Torneio de Seul, em 1984, a Copa Kirin e o Torneio de Paris, ambos em 1987. Defendeu o Fluminense entre os anos de 1983 e 1987, disputando 179 partidas e balançando as redes 55 vezes.

Casal 20

A compatibilidade entre Assis e Washington foi além das quatro linhas, já que ambos cultivaram uma amizade, independente da bola. Os dois se conheceram no Internacional. Na época, o centroavante fazia testes no time de Porto Alegre, mas não chegou a ser aproveitado. O encontro definitivo, então, viria no ano seguinte, no Athletico-PR.

No clube paranaense, conquistaram o campeonato estadual duas vezes seguidas. Daí então surgiu o apelido de Casal 20, em menção a um famoso seriado americano exibido na TV Globo. A campanha do Furacão no Campeonato Brasileiro de 1983 chamou a atenção ao eliminar o São Paulo, mas parou na semifinal, diante do Flamengo, que tinha Zico em seu elenco.

Na sequência, a dupla quase se desfez. Isso porque, em 1983, a intenção inicial do Fluminense era contratar apenas Washington, e Assis viria junto apenas para uma conversa de sondagem. No entanto, uma festa da torcida Tricolor no Galeão acabou mudando a história. Washington e Assis foram festejados e ambos tiveram que vestir a camisa do Fluminense e posar para fotos. Os tricolores queriam os dois e não que o Casal 20 fosse separado. Assim, o clube carioca teve que comprar os dois.

Foto: Divulgação
O casal 20: Washington e Assis (Foto: Divulgação)

Como prova da amizade extra campo, os dois ídolos do Fluminense moravam próximos, no bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Washington se referia carinhosamente ao amigo como “Maneca”. Tal apelido vinha de manequim, pois o amigo gostava de se vestir bem, com roupas sociais, o que o tornava bastante elegante.

Romerito, jogador do Fluminense nos anos 80, definiu assim a amizade entre os dois: “Eles eram engraçados, muito simpáticos, gostavam de pagode, gostavam de músicas. Era um casal perfeito, se entendiam muito bem dentro e fora de campo também. Sempre estavam juntos, tomando chope, conversando ali no (Shopping) Rio Sul, jantando juntos. O Washington parecia uma criança, era o menos sério. O Assis era mais sério”.

Os ídolos foram eternizados na sede do Fluminense em 2015. Através de um crowdfunding (vaquinha virtual), a torcida viabilizou a produção de um livro sobre o Casal 20, além de medalhas comemorativas e bustos para os jogadores, feitos em bronze e localizados atualmente na sede das Laranjeiras.

Foto: Fluminense F. C.
Foto: Fluminense F. C.

Passagens por outros clubes

Após deixar o Fluminense, resolveu que era a hora de tentar a carreira no exterior, mais especificamente nos Estados Unidos, pelo Miami. No entanto, não conseguiu obter o visto de entrada e teve que retornar ao Brasil. Na sequência, teve passagens pelo Paysandu Sport Club e Paraná Clube, quando conquistou o título de campeão paranaense. Retornou ao Furacão em 1991, clube pelo qual encerrou a carreira no ao seguinte. Ao todo, disputou 23 jogos pelo Athletico e marcou cinco gols.

Seleção Brasileira

Foto: Divulgação
Foto: Domínio Público

Não teve grande destaque com a camisa da Seleção. Assis foi convocado apenas uma vez, sob o comando do técnico Edu, em 1984, logo após a conquista do Brasileirão pelo Fluminense. O atacante atuou em dois amistosos, o primeiro contra a Inglaterra, no Maracanã, e que o Brasil saiu derrotado por 2 a 0, e na vitória sobre o Uruguai por 1 a 0, no Morumbi. Assis não marcou gols pelo Brasil.

Depois da aposentadoria do futebol

Em 2007, Assis assumiu o cargo de coordenador técnico das categorias de base do Fluminense. Também trabalhou no Rio Branco (ES) e nas divisões de base do Volta Redonda (RJ), na Cidade do Aço, quando formou dupla com o ex-goleiro Ronaldo.

Mais tarde, em 2012, foi convidado a ocupar o título de "Embaixador do Fluminense". No novo cargo, acompanhava os eventos do mundo futebolístico e do próprio Tricolor, como o projeto "Tricolor em toda a Terra", como representante do seu time do coração. No mesmo ano, participou do documentário “Fla x Flu – 40 minutos antes do nada”, comentando sobre o clássico carioca.

Foto: Fernando Araújo
Foto: Fernando Araújo

Morte

Faleceu na manhã de 6 de julho de 2014, aos 61 anos, vítima de problemas renais, em Curitiba, capital paranaense. Ele deixou a esposa, Veridiana, e dois filhos, Lorena e Gustavo. Curiosamente, sua morte ocorreu pouco mais de um mês depois do também falecimento de Washington, seu eterno companheiro em campo.

O então presidente do Fluminense, Peter Siemsen, lamentou a morte do apelidado "Carrasco": “É uma perda muito grande. Assis foi um dos maiores ídolos da história do Fluminense. Marcou uma geração. Um ídolo que tinha uma forte ligação com o clube desde sempre. Hoje é dia de reverenciá-lo por tudo que fez por nós tricolores”.

Mário Bittencourt, hoje o mandatário Tricolor, na época, ocupava o cargo de vice-presidente de futebol do clube e também se manifestou: “Uma dor imensa. Se foi a outra metade da melhor, mais charmosa e mais famosa dupla do futebol brasileiro. O que mais posso dizer? Assis, obrigado por ter me feito muito feliz”.

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