Não vamos aprender com a eliminação na Copa América

Depois de cair na fase de grupos da competição, a Seleção Brasileira perde não só a chance de ganhar um título, mas a confiança de seu torcedor e a chance de aprender alguma coisa com a eliminação

Não vamos aprender com a eliminação na Copa América
Decepção por uma derrota que reflete o momento da Seleção (Foto: Tim Clayton/Corbis via Getty Images)

Sentar nas cadeiras do Gillette Stadium e não ver a massa verde e amarela comemorar foi triste. Virar para os lados e ver os olhares peruanos cheios de alegria e confiança, enquanto os brasileiros levavam o de "nós já sabíamos". O que é mais devastador do que ver que nem a própria torcida confia mais no sucesso da Seleção?

A partida contra o Peru foi exatamente tudo que sabíamos, lá no fundo, que aconteceria nessa Copa América Centenário. Não confiar não significa não querer a vitória, mas sim desacreditar de uma equipe que pensa pequeno demais para o talento que tem.

Como ouvi em Orlando, os brasileiros dão à sua Seleção a mesma quantidade de dedicação que o time dá a eles. Se dentro de campo o desempenho é desesperador e fraco, então que culpa tem quem está na arquibancada? É difícil acreditar e confiar quando não encontramos motivo para tal.

Se hoje o Brasil está fora da Copa América, o culpado não é o árbitro, que não viu a mão do jogador peruano no lance do gol. A culpa é daqueles que não conseguem manter a grandeza da Seleção Brasileira. Se o torcedor não confia mais no time, os verdadeiros culpados são os mesmos.

O Brasil não deveria jogar por um empate com o Peru, não poderia nem cogitar algo diferente de uma vitória tranquila. Uma goleada por 7 a 1 na fraca seleção haitiana não é parâmetro para melhoras, isso não deveria nem ser discutido. Levamos o único gol do Haiti na competição inteira, o mesmo Haiti que terminou com menos onze gols de saldo.

Dunga escolheu não ousar na Copa América em dois dos três jogos que disputou. Ele preferiu o simples, seguro e limitado ao diferente e fez a Seleção ser eliminada por isso. Contra o Equador, por um apito o Brasil não saiu derrotado. No 7 a 1 contra o Haiti, nem a goleada o fez pensar fora da caixa.

No único momento que resolveu ousar, foi tarde demais. O tempo de treinamento era curto e para mudanças também. Dunga reagiu tarde demais a coisas que muitos já haviam reparado. As vaias ao nome do treinador quando citado na escalação dizem muita coisa.

Por fim, não vamos aprender nada com mais uma eliminação. Se após o vexame na Copa do Mundo de 2014, torneio que completou dois anos justamente no dia da partida contra o Peru, tudo continuou igual, o que a queda em um torneio como Copa América significará? É assustador pensar assim.

Sentada na fria arquibancada do Gillette Stadium, notei que apenas eu permaneci sentada em uma espécie de luto particular por ainda me importar com o que a Seleção conquista ou não. Os outros caminhavam para suas casas e já pensavam em qualquer outra coisa, como se nada tivesse acontecido. Foi então que percebi que muitos não ligam mais.

A geração atual não conseguiu e, se continuar desta forma, não conseguirá conquistar nada além da gigantesca indiferença de seu um dia apaixonado torcedor.