O que esperar de Tite em seu primeiro Brasil x Argentina?

Com o bom desempenho em seu início de campanha como técnico da Seleção Brasileira e, apostando no bom retrospecto contra equipes argentinas, Tite tem tudo para conquistar um bom resultado, mas não deve esperar vida fácil nesta quinta-feira

O que esperar de Tite em seu primeiro Brasil x Argentina?
(Montagem: Hugo Alves/ VAVELBrasil)

Apesar deste ser seu primeiro Brasil x Argentina no comando da seleção, confrontos perante os hermanos não são uma novidade completa para Tite. Ao longo de sua carreira na direção de clubes brasileiros, o técnico colecionou um total de 12 partidas oficiais diante de adversários vindos do país vizinho. Ao todo, soma sete vitórias, quatro empates e uma derrota, com destaque para a conquista da Copa Libertadores de 2012 com o Corinthians, quando bateu o Boca Juniors na grande final.

Retrospecto: Tite x equipes argentinas

Sua história para com os adversários desta quinta-feira (10), começou em 2002, na passagem pelo Grêmio. Após levar a equipe gaúcha ao título da Copa do Brasil em 2001, Tite conquistou vaga para a Libertadores do ano seguinte. A classificação na quinta colocação geral na fase de grupos fez com que o tricolor encontrasse o River Plate, da Argentina, nas oitavas de final. Sem dificuldades, o Grêmio superou seus adversários com duas vitórias, mas não resistiu até o fim, caindo nas semis diante do Olimpia-PAR, campeão naquele ano.

Seis anos depois, em meados de 2008, Tite assumiu o comando do Internacional. Na Copa Sul-Americana daquele mesmo ano, encontrou oponentes argentinos em duas oportunidades: nas quartas de final o Boca Juniors, adversário que foi batido nas partidas de ida e volta da competição; e, na grande final, o Estudiantes de La Plata, a quem venceu na primeira partida, garantindo o título da competição continental com um empate por 1 a 1 no último jogo, com o gol salvador de Nilmar, nos últimos minutos da prorrogação.

Após a demissão do colorado em 2009 e uma curta passagem pelo Al-Wahda, Tite retornou ao Brasil para sua segunda passagem pelo Corinthians, que teve início no fim da temporada 2010. Sem muito sucesso na Libertadores do ano seguinte (quando foi eliminado ainda na fase preliminar pelo Tolima) e no Paulistão, o técnico gaucho fechou o ano em grande estilo ao conquistar o título do Campeonato Brasileiro, e automaticamente o acesso ao principal campeonato continental no ano seguinte.

Na Libertadores de 2012, o Boca Juniors, velho conhecido de Adenor e um dos causadores dos pesadelos corinthianos em edições anteriores da competição, foi a única equipe argentina a cruzar o caminho dos paulistas, e justamente na final. Com um empate em La Bombonera por 1 a 1 na primeira partida da final, o título inédito para clube e treinador veio após uma vitória por 2 a 0 no Pacaembu, no segundo jogo da final.

O grande resultado sobre a equipe de Buenos Aires porém, não se repetiu no ano seguinte. Diante do mesmo adversário, desta vez pelas oitavas de final da Libertadores, o Corinthians sucumbiu e, ao fim de uma temporada apagada em todas as competições, viu seu comandante dar adeus ao cargo sem uma proposta de renovação.

O fim do vínculo com a equipe paulista levou o treinador a optar por um ano sabático em 2014, dedicando-se a estudar mais sobre a própria profissão com alguns dos melhores técnicos do mundo. Em seu retorno aos gramados no ano seguinte, no próprio Corinthians, passou por seu mais recente confronto diante de equipes argentinas. O adversário desta vez foi o San Lorenzo, com quem empatou em uma partida e venceu a outra, fora de casa, ainda na fase de grupos. Mesmo com a classificação, o Timão não chegou muito longe: caiu novamente nas oitavas de final, desta vez para o Guarani-PAR.

O primeiro grande desafio no comando da seleção

É inegável a evolução que a Seleção Brasileira teve desde que Tite assumiu seu comando. Vinda de um aproveitamento muito abaixo do que se espera de uma equipe formada pelos melhores atletas do Brasil sob as ordens de Dunga, a equipe teve uma rápida resposta aos estímulos dados por meio do ex-técnico corinthiano.

Em quatro partidas desde a troca dos técnicos, foram quatro vitórias: sobre o Equador, no Quito, por 3 a 0; a Colômbia, em Manaus, por 2 a 1; a Bolívia, em Natal, por 5 a 0; e, a última, contra a Venezuela, em Mérida, por 2 a 0. O reencontro com as vitórias trouxe também fim a desconfiança que havia entre torcida e seleção, reavivando o espírito da seleção, o que reflete de forma muito positiva dentro de campo.

Contudo, o primeiro grande desafio de Adenor Bachi sob o comando da seleção canarinha ainda esta por vir. Com jogos considerados fáceis até o momento, uma vitória sobre a Argentina de Messi pode não só fortalecer a confiança no trabalho do treinador, mas também abrir vantagem na liderança das eliminatórias para a copa de 2018 em relação ao Uruguai (segundo colocado, com apenas um ponto de diferença) e afundar ainda mais os hermanos que, após a chegada de Bauza à seleção, na mesma época que Tite, foram da quinta para a sexta colocação, ficando de fora até mesmo da zona de repescagem.

Também sob o comando da Albiceleste em apenas quatro oportunidades, Edgardo Bauza não teve um aproveitamento tão bom quanto o de seu rival nesta quinta: venceu apenas a primeira partida, contra o Uruguai; e em seguida, emendou dois empates contra Venezuela e Peru, e uma derrota, contra o Paraguai. Há de se destacar no entanto que, nos três últimos jogos, o treinador não teve à sua disposição Lionel Messi, principal jogador da equipe, e que foi convocado para a partida contra o Brasil.

Em sua convocação, Tite manteve práticamente todos os jogadores de sua última lista, com exceção do meia Oscar (do Chelsea-ING) que foi cortado, e dos jogadores do Real Madrid, Marcelo e Casemiro, ambos lesionados. Os dois foram substituidos por Wendell (do Bayern Leverkusen) e Rodrigo Caio, respectivamente.

Com essa manutenção de quase todos os nomes, espera-se que a equipe leve grande perigo em seus ataques, já que tem como marca registrada a grande quantidade de chances de gol criadas, e também uma média de três gols por partida, confirmando-se como o melhor ataque nas eliminatórias. A Albiceleste porém, mesmo tendo um dos piores ataques até então, não esta acostumada a tomar muitos gols, tendo sofrido nove tentos até então, mesma quantidade que a Amarelinha.

A partida, válida pela 11ª rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, acontece no Estádio do Mineirão, nesta quinta-feira, às 21h45.