Sport e Uruguai: Uma relação histórica e marcante
Será o segundo encontro entre pernambucanos e uruguaios na história (Foto: Divulgação/Sport)

Sport e Uruguai: Uma relação histórica e marcante

Há 97 anos, o clube rubro-negro e o país sul-americano davam início a uma trajetória de capítulos pioneiros. Veja quatro fatos que interligam platenses e pernambucanos desde 1918

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Mateus Schuler

Após 51 anos, está previsto o reencontro - positivo - que marcou a história e teve início há aproximadamente um século para o Sport. A relação entre o clube pernambucano e o Uruguai terá mais um capítulo para ser contado e registrado na noite desse sábado (24) no confronto com o Nacional, segundo maior e atual campeão nacional, com 33 títulos, atrás somente do rival Peñarol.

O encontro será válido pela Taça Ariano Suassuna, em homenagem ao escritor paraibano e torcedor-símbolo do time, falecido em 23 de julho de 2014. O confronto servirá de preparação para ambos durante a pré-temporada e será o segundo disputado entre pernambucanos e uruguaios. Em 1956, o Leão encarou o Rampla Juniors, sendo derrotado por 2 a 1.

Há 97 anos, os Mazzulo davam início à história

Todo o vínculo traçado começou em 1918, quando o Leão contratou o atacante Pedro Mazzulo, em conjunto com seu irmão, o zagueiro Antonio Mazzulo, porém ambos não vingaram da forma esperada. A estreia do centroavante, tratado como estrela à época, foi fracassada devido à goleada sofrida diante do América. O defensor, no entanto, estreou um mês e meio depois e contra o Náutico, na primeira partida disputada nos Aflitos, também sem vitória leonina. O fato, apesar do contexto negativo para a torcida, ficou marcado por ter sido um pioneirismo no estado.

Dez anos depois dos jogadores, os rubro-negros também foram precursores utilizando um platense no comando. Carlos Viola, o primeiro treinador, veio para ficar somente dentro das quatro linhas, mas acabou por acumular as duas funções. Ao contrário dos compatriotas, Viola obteve maior êxito e conquistou o campeonato estadual.

Chegada de Díez: revelação de Queixada e reconhecimento no cenário nacional

Se em 1928 Carlos Viola marcou seu nome por ser campeão do Campeonato Pernambucano, o conterrâneo Ricardo Díez foi mais além. Após saída conturbada do América-RJ, manteve a sua filosofia de forte trabalho físico na Ilha do Retiro, bem como de lançar jovens jogadores. Conforme esperado, revelou uma grande promessa, que atingiu projeção nacional em efeito imediato. Trata-se de Ademir Menezes, revelado ao profissional com 16 anos, no estadual de 1939. No ano seguinte, começou a ganhar espaço na equipe principal e chegou a disputar vários amistosos, mas ainda sem se firmar entre os eleven.

Com a chegada do novo comandante, obteve o ponto máximo na passagem pelo time da Praça da Bandeira. Com apenas 18 anos, assumiu a titularidade e confirmou o status de craque do scratch. No Pernambucano, conquistado de maneira invicta, foi o artilheiro da competição com 14 gols. No final do ano, porém, mostrou o motivo do destaque dado. Em excursão pelo Sul/Sudeste do país, em um período que o futebol nordestino possuía pouca projeção no cenário nacional, a equipe pernambucana teve uma atuação de gala, com ênfase ao jovem Ademir.

Foto: Reprodução/Carlos Celso Cordeiro

Dos 18 jogos disputados, uma incrível marca de 11 vitórias, dois empates e cinco derrotas. No ano seguinte, os dirigentes leoninos não puderam resistir à proposta do Vasco e liberaram seu ídolo, que só teve direito a duas partidas de despedida. Além de projetar talentos como Ademir e Djalma, Díez também era elogiado pela forma como melhorou o desempenho de alguns jogadores, mudando também o posicionamento. A campanha gloriosa, no entanto, não teve continuidade nas temporadas seguintes, uma vez que o treinador partiu com destino ao Internacional.

O plantel da viagem era formado por: Navamuel, Bibi, Ciscador, Walfredo, Magri, Salvador, Furlan, Mulatinho, Ademir, Manoelzinho, Pirombá, Djalma Bezerra, Clóvis, Zago e Pinhegas.

"Bigode que joga", considerado o melhor da história

Finalizando, a vez do uruguaio que marcou seu nome, mas baseado em eleição da torcida. Nascido em 1930, Raúl Bentancor é considerado também o maior jogador do Danubio, do seu país natal. Pela Seleção Uruguaia, foi pré-convocado para a Copa do Mundo de 1950 e jogou o Campeonato Sul-Americano - atual Copa América - de 1953, sendo contratado pelo Leão em 1959 através de Walter Morel, conterrâneo e que já defendia as cores rubro-negras, sendo um das principais peças no título do Pernambucano do ano anterior.

Em sua primeira temporada em terras pernambucanas, o meia-atacante brilhou na Taça Brasil, primeira competição nacional de clubes organizada pela CBD. A equipe comandada inicialmente por Dante Bianchi e depois por Capuano teve uma boa participação, terminando na 5ª colocação, após eliminação para o Bahia. Apenas em 1961, viria o primeiro título  - estadual - de Bentancor com a camisa leonina, conquistado sob o comando do técnico Palmeira. No mesmo ano, também esteve na pequena excursão ao Suriname, na qual o Sport impôs três vitórias em três jogos contra equipes locais.

O segundo título veio logo no ano seguinte, em 1962, outra vez com o mesmo técnico. Ainda em 62, o Sport participou de sua segunda Taça Brasil, e foi mais longe: chegou às semifinais, sendo desclassificado apenas pelo Santos de Pelé. Bentancor atuou decisivamente na campanha ao lado de Djalma Freitas e Alemão.

Foto: Reprodução/Carlos Celso Cordeiro

Como decorrência da boa campanha do Sport na Taça Brasil, surgiu o convite para participar do Torneio de Nova York de 63. Mais uma vez o clube da Praça da Bandeira partiria para o exterior. E lá estava Bentancor contribuindo com a boa campanha do Leão. Foram duas vitórias, dois empates e duas derrotas, contra times do México, Alemanha, Itália, França, Escócia e Inglaterra.

Delegação do Sport para o Torneio de Nova York de 1963.  Em pé:  José Ramos (massagista), Valter, Laxixa, Tomires, Fioti, Bentancor, Adelmo, Baixa, Palmeira (técnico), Nenzinho, Djalma Freitas e Adonias Moura (jornalista). Sentados: Alemão, Garrinchinha, Leduar, Alberto Galvão de Moura (dirigente), Antônio Palmeira (dirigente), Abílio, Dirceu, Juths e Fescina.

Após cinco temporadas, o "Bigode" se despedia da Ilha do Retiro e das chuteiras, iniciando sua carreira de treinador, aos 34 anos. Com a camisa rubro-negra, fez 90 gols, quatro hat-tricks e, além disso, em duas oportunidades marcou por quatro vezes em uma única partida: Sport 10 a 1 Santos de Manaus e Sport 6 a 2 Ferroviário, ambas em 1960.

Vídeo de convocação da torcida ao duelo

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