A quatro passos: volante Gil completaria 100 jogos com a camisa da Chapecoense

Com 96 partidas, jogador ia entrar para a terceira temporada atuando pelo Verdão do Oeste

A quatro passos: volante Gil completaria 100 jogos com a camisa da Chapecoense
Fotomontagem: Hugo Alves/Editoria de Artes da VAVEL Brasil

Todo jogador, quando passa a integrar algum clube, espera alcançar boas marcas com a nova camisa. Uma das vítimas do trágico acidente que causou a morte de 19 atletas da Chapecoense na última terça-feira (29), o volante José Gildeixon de Paiva, conhecido por Gil, estava a quatro jogos de realizar sua partida de número 100 pelo time alviverde. Nesse cenário, nem todas as marcas são daquelas que podem ser atingidas; existem ainda as que são (dolorasamente) deixadas. 

Gil, de 29 anos, chegou ao clube catarinense em janeiro do ano passado, depois de sair do Coritiba. Nessa sua primeira temporada pela Chape, fez 41 jogos e marcou três gols, dois deles no estadual e outro no Campeonato Brasileiro. Pelo torneio nacional, deixou seu nome na vitória do Verdão do Oeste sobre a Ponte Preta, por 3 a 1. Depois de emplacar uma titularidade na reta final da temporada, Gil começou 2016 em alta pelos lados de Chapecó, conquistando o Campeonato Catarinense.

Neste ano, participou de 27 jogos da equipe no Brasileirão, tendo ficado fora de 10 duelos, alguns deles por uma lesão sofrida na coxa ainda no início do campeonato. Gil paticipou de todos os jogos da Chapeconse na  Copa Sul-Americana, com exceção de um, em que ficou no banco de reservas, e marcou um gol contra o Junior Barranquilla, pelas quartas de final. Sua última partida pela Chape foi no domingo (27), diante do Palmeiras. Ao todo, entrou em campo em 55 oportunidades pelo time catarinense em 2016 e fez dois gols.

O volante começou na URT em 2004, time do interior de Minas Gerais, e depois foi para o Santa Cruz. Com a mudança para o Mogi Mirim, disputou e venceu o Campeonato Paulista Sub-20, permanecendo no clube até 2008. Depois disso, teve passagem pelo Guaratinguetá, pelo Vitória, Santo AndréPonte Preta. Seu primeiro grande trabalho, ou pelo menos o de maior consistência, veio em 2011, quando foi para o Coritiba.

No primeiro ano de Coxa, o atleta fez poucos jogos pelo clube, participando do triplo de partidas no ano seguinte. Tendo se firmado mais, chegou ao vice-campeonato da Copa do Brasil de 2012 e fez uma temporada semelhante em 2013, levando em consideração o número de partidas disputadas. Com 107 jogos pelo Coritiba, o clube paranaense foi o time no qual Gil mais atuou - ao todo, quatro temporadas. Terminado o ano de 2014, o volante saiu dos planos do Coxa, mas logo entrou nos da Chapecoense, e foi anunciado pelos catarinenses no início de janeiro de 2015. 

Gil foi registrado na cidade de Santo Antônio, no Rio Grande do Norte, mas nasceu em Nova Cruz. Em respeito ao atleta e à sua família, a prefeitura da cidade natal do volante decretou luto oficial por três dias. 

Em comunicado, prefeitura da cidade onde Gil nasceu decretou luto no município (Foto: Divulgação)

Clubes por onde Gil passou prestam solidariedade 

Coritiba

"Neste dia de tragédia para todos que amam o futebol, prestamos homenagem para Dener, Gil e Sergio Manoel, que honraram a camisa do Coxa".

Foto: Reprodução/Twitter

 

Ponte Preta

"Dentro de uma tragédia de grandes proporções, como a que vitimou mais de 70 pessoas entre integrantes da Chapecoense, jornalistas e equipe de bordo do avião que transportava  a equipe até Medellin na noite de ontem (28), é difícil individualizar dores ou lamentar mais um único ponto de uma tristeza tão avassaladora. A Associação Atlética Ponte Preta, contudo, além de se solidarizar com a Chapecoense e as famílias de todas as vítimas, não pode deixar de prestar homenagens aos volantes Josimar e Gil, e ao ex-meia Mário Sérgio [jornalista da Fox Sports], trio que vestiu e honrou o Manto Alvinegro.

[...] O volante Gil, que estava com 29 anos, também defendeu a Macaca em 2011, por 19 jogos. Apontado por muitos como uma pessoa mais tímida e introvertida, Gil – que se ruborizava quando alguém brincava com seu nome de batismo, José Gildeixon -  também era conhecido por sua raça em campo e cobrava forte quando a equipe perdia. Na eliminação da Copa do Brasil na qual a Macaca perdeu para o Goiás, por exemplo, disparou: “O torcedor está certo em vaiar o time. Não jogamos bem, e fomos derrotado deste jeito. Mas agora, temos que esquecer e já focar o Paulista, pois temos um jogo de seis pontos no final de semana. Temos que voltar a vencer".

[...] Neste dia triste, em que nossos corações e orações estão com a Chapecoense, a cidade de Chapecó , os profissionais e as famílias, nossa lembrança especial a este trio de guerreiros que defendeu a camisa pontepretana. Josimar, Gil, Mário Sérgio: sempre lembraremos #ForçaChape".

Ponte Preta homenageia ex-jogadores que foram vítimas do acidente (Foto: Reprodução/Twitter)
Ponte Preta homenageou três ex-jogadores que morreram no acidente (Foto: Reprodução/Twitter)

 

Mogi Mirim

"A diretoria e todos os colaboradores do Mogi Mirim Esporte Clube se solidarizam com a dor dos familiares, amigos e dos que conviveram com jogadores e dirigentes da Associação Chapecoense de Futebol, além dos profissionais de imprensa, nas esferas profissional e pessoal, rendendo homenagens aos trabalhos por eles realizados. Neste momento, nos unimos em oração às famílias e amigos para que as perdas possam ser compreendidas com a esperança do conforto de Deus. A diretoria do Mogi Mirim Esporte Clube e torcedores do Sapão da Mogiana lamentam em especial as perdas do lateral-direito Matheus Caramelo e do volante Gil que tiveram passagens vitoriosas pelo clube mogimiriano".


Vitória

"#Eternos #ForçaChape"

Foto: Reprodução/Twitter


Santo André

"O Esporte Clube Santo André expressa sinceras condolências a Associação Chapecoense de Futebol, nosso clube coirmão e às famílias que sofreram perdas tão duras e repentinas.

Entre as vítimas, estavam o atleta José Gildeixon Clemente de Paiva (Gil) e o roupeiro Anderson Donizeti Lucas (Cocada). O jogador teve passagem no Santo André em 2010, e o roupeiro em 2013.

O futebol brasileiro e mundial está de luto".