Agência aeronáutica da Bolívia determina suspensão imediata de operações da LaMia

Empresa foi acusada de operar sem seguir protocolos de segurança; Celia Castedo Monasterio, funcionária da Asana, agência nacional de aviação boliviana, questionou plano de voo

Agência aeronáutica da Bolívia determina suspensão imediata de operações da LaMia
LaMia era divida entre operações na Bolívia e Venezuela (Foto: Getty Images)

A empresa aérea LaMia, envolvida no acidente com a delegação da Chapecoense, que resultou na morte de 71 pessoas, está suspensa de operar. A ordem é da Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC), agência aeronáutica boliviana, que acusa a empresa de operar sem seguir protocolos de segurança.

"A Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC) comunica que mediante Resolução Administrativa N°716 de data 29 de novembro de 2016, pedimos a suspensão de maneira imediata do Certificado de Explorador de Serviços Aéreos (AOC) N°DGAC-DSO-AOC-Operador Aéreo OPS-COA-119-01-002 e a Permissão de Operação dado à Empresa “Lamia Corporatión SRL”, no mérito às atribuições dispostas ao Decreto supremo 284778, Artigo 14, Número 5 e a Çei 2902, Artigo 123, Literal a) y h)", diz o comunicado.

A autonomia de voo do Avro RJ85 era de, aproximadamente, 3.000km, mesma distância da rota em que fazia na ocasião, entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, até Medellín, na Colômbia. Fato este que chamou a atenção de Celia Castedo Monasterio, funcionária da Asana, agência nacional de aviação boliviana. De acordo com o jornal “El Deber”, Castedo questionou a "conta exata" da autonomia com a rota e cobrou um plano alternativo. Segundo o piloto, a autonomia era suficiente.

"Não, senhora Celia, essa autonomia me passaram, é suficiente. Assim, não apresento mais nada. Vamos fazer em menos tempo, não se preocupe. É assim, fique tranquila, está bem", garantiu o piloto.

Em entrevista à revista Veja, diretor-geral da Lamia, Gustavo Vargas Gamboa, afirmou que a Chapecoense pagou 130 mil dólares pelos voos de Bolívia a Medellín e de Medellín à Bolívia. O dirigente ainda ressaltou que as operações da empresa se restringiam a voos charter, ou seja, apenas fretamentos, na maioria das vezes, para equipes de futebol.

Controladora de voo lamenta acidente e garante: "Fiz o humanamente possível"

Vários veículos de imprensa da Colômbia divulgaram, na tarde desta quinta-feira (1º), uma carta, cuja autora é Yaneth Molina. A colombiana era a controladora de voo daquela fatídica madrugada do dia 29 de novembro. A polêmica se deu quando Molina priorizou o pouso de outra aeronave, que também passava por situação de emergência.

Apesar dos esforços em salvar vidas do voo LMI2933, Yaneth revelou estar sendo ameaçada de morte e pediu apoio da população, garantindo que fez todo o possível para ajudar o piloto da LaMia. A controladora reiterou a dificuldade de sua profissião e pediu compreensão do público.

Confira, na íntegra, o comunicado escrito por Yaneth Molina:

"Apreciados companheiros,

É para mim reconfortante saber que mesmo neste meio tão difícil conto com o apoio de vocês. De todos os cantos do país, me enviaram mensagens de força e acompanhamento neste momento difícil de minha vida profissional. Não tenho mais o que agradecer a vocês de antemão e, com o coração, todo o seu apoio.

Nosso trabalho é tão especial que hoje me colocou nestas circunstâncias de tempo e lugar para enfrentar a crueldade da realidade que resultou deste incidente. 

Companheiros, por minha família e por este trabalho que valorizo e respeito, posso afirmar com absoluta certeza que de minha parte fiz o humanamente possível e o tecnicamente obrigatório para conservar a vida destes usuários de transporte aéreo. Lamentavelmente, meus esforços foram em vão pelas razões que todos vocês conhecem. Hoje a vida me colocou nesta posição pouco agradável de ter que enfrentar uma situação como a do dia 28, situação que, por nosso trabalho, estamos expostos todos os dias, todos os turnos, e desta vez coube a mim e reitero diante de vocês que me manifestaram apoio, que tudo que fiz na frequência foi para preservar a integridade dos ocupantes dessas aeronaves, principalmente e por que os ocupantes das outras aeronaves estavam sob minha responsabilidade.

Lamentavelmente, por causa de meus colegas jornalistas, consegui que pessoas ignorantes e alheias a este ofício, e sobretudo que ignorar os procedimentos, ameacem minha integridade física e minha tranquilidade pessoal, pois estou analisando soluções a respeito das quais espero discutir com os diretores da entidade.

Com todo meu respeito e companheirismo, de todo o coração,

Yaneth Molina"