Aos 15 anos, Ademir Menezes concedia entrevista pelo time infantil do Sport

Conversa do até então jovem atacante com o Diário da Manhã foi resgatada pela página Futuro Sport

Aos 15 anos, Ademir Menezes concedia entrevista pelo time infantil do Sport
Foto: Arquivo público de Pernambuco

O ano era 1938O Campeonato da FPD (Federação Pernambucana de Desportos, atual FPF) do campeonato juvenil chegava à reta final e viria a ser decidido entre Sport e Santa Cruz. Nas vésperas da final, o então capitão Ademir Menezes - que futuramente seria um grande nome do futebol e na época havia 15 anos - concedeu uma entrevista ao Diário da Manhã, chamando a atenção pelo espírito de liderança ainda que a pouca idade pudesse interferir.

Esbanjando muita confiança, o atleta tratou de convocar os torcedores rubro-negros, garantindo uma postura aguerrida, com raça e luta até o fim, características que viriam ficar eternizadas como marcas do clube. "Diga, pelo Diário da Manhã, a pequenos e grandes rubro-negros, que vamos confiantes na vitória. Diga, mesmo, que cada jogador da nossa equipe está um jogador decidido do primeiro ao último minuto da partida", declarou Ademir.

O jogador, inclusive, manteve o discurso e fez uma citação à decisão de 1937, vencida pelo clube e em sua primeira temporada como leonino. "Se perdermos, diga que perderemos lutando sempre. O senhor não assistiu os jogos finais do campeonato de 1937? Onde se viu o Sport esmorecer?", completou.

As palavras não ficaram só na teoria e, sob seu comando, o Leão viria a derrotar o rival tricolor. Um ano depois, viria a ser promovido à equipe profissional ainda aos 16 anos, onde se sagrou um dos grandes ídolos e tendo inclusive uma estátua em sua homenagem próxima à entrada da Sede Social.

Profissional, foi campeão e artilheiro do Campeonato Pernambucano de 1941, tendo marcado 14 gols e brilhado principalmente no clássico contra o Náutico na goleada por 8 a 1, nos Aflitos, marcando três vezes na ocasião. Destacou-se também na primeira excursão da história pelo escrete pernambucano ao sul do país, com expressivos resultados (11 vitórias, dois empates e cinco derrotas) em uma época que o nordeste tinha baixo prestígio a nível nacional.

O Queixada chegou a se destacar também na Seleção Brasileira, com a conquista do Sul-Americano em 1949 (atual Copa América) e vice em 1950 na Copa do Mundo. Foi, inclusive, artilheiro do fatídico Mundial e balançou as redes em nove oportunidades. Encerrou a carreira em seu time de origem, em amistoso de despedida com o Bahia, vencido pelos leoninos por 2 a 0.