Corinthians 2015: o campeão dos campeões e a jornada do sexto título

Um dos maiores vencedores do país e dono da 2ª maior torcida, o Corinthians surge como um dos favoritos à conquista do Brasileiro-15. Com poucas mudanças em relação ao campeonato passado, o Timão trouxe de volta Tite para comandar um elenco experiente, vencedor, com forte banco de reservas e que terá o importante apoio das arquibancadas da moderna Arena Corinthians como um diferencial. O futebol mostrado até este momento também o credencia ao título, graças ao forte trabalho coletivo, tático e emocional. Soma-se com tudo isso a sua forte defesa, principal virtude mostrada pelo alvinegro nos últimos anos.

Pentacampeão, o alvinegro de Parque São Jorge terá um forte começo de campeonato. Enfrentando Cruzeiro, Palmeiras, Fluminense e Grêmio logo nas primeiras rodadas, o teste sobre sua verdadeira força dentro da competição será intensa. Se conseguir repetir o feito de 2011, onde teve incríveis 9 vitórias e 1 empate com o mesmo Tite, o Corinthians dispontará na frente pela sexta estrela. Paralelamente à isso, o Timão, provavelmente, estará no mata-mata da Libertadores, o que pode dividir o foco da equipe nesta arrancada inicial do torneio. A única certeza disso tudo é a presença maçante da fiel, presente em todo momento do clube.

Campanha no Brasileirão-14

Após a sequencia inédita de conquistas, Tite se foi para um ano de estudos pelo mundo. O encarregado da renovação corinthiana era um velho conhecido, Mano Menezes, treinador da retomada alvinegra, com sucesso recente, após ganhar a Série B-08, Paulista e Copa do Brasil-09, além de treinar Ronaldo.

Diferente do esperado, o gaúcho teve extremas dificuldades. Vários jogadores saíram, como Pato e Emerson. Outros vieram, mas sem a mesma expressão. O começo do Brasileiro foi de cautela e esperanças.

O time não conseguia ter padrão de jogo, oscilava demais dentro das partidas e isso irritava a torcida, que não demonstrava confiança. Ainda assim, o Corinthians voltou à terminar uma rodada na liderança após algum tempo. O discurso de pés no chão era claro. A equipe não tinha uma sequencia convicente.

O ano de Copa do Mundo trouxe o fim da parceria vitoriosa entre Corinthians e Pacaembu, sua "casa" por anos. Era hora de ter sua própria residência e a aguardada estréia da Arena Corinthians se desenhou perfeita. Domingo de sol, adversário que nem se quer tinha marcado um gol fora de casa e estádio lotado. A emoção foi enorme. Mas esse jogo foi a definição do Timão no torneio. Momentos de bom futebol alternando com nervosismo, bagunça e chatice. Resultado, o sol se foi, a chuva caiu forte e o torcedor corinthiano viu o Figueirense marcar e vencer o primeiro jogo oficial no palco de abertura da Copa.

Somente após o torneio mundial, o alvinegro venceu em casa. Triunfo contra o Inter e fim da seca. A partir daí, o que se viu em seus domínios foi uma pressão enorme, arena pulsante e vitórias construídas mais na imposição do medo, do que na técnica. Fora de casa, a incostância era mais clara. Quando todos achavam que o Corinthians engrenaria na competição, tropeçava fora para times evidentemente mais fracos.

Mesmo com todo esse sobe e desce, o Timão conseguia se manter no G-4. Vendo a chance de título remota, a vitória contra o Cruzeiro, em pleno Mineirão, reacendeu o fôlego e encaminhou o time na Libertadores. Restava definir com o Internacional quem pegaria a 3ª colocação e última vaga direta para fase de grupos. A goleada sofrida para o Fluminense no Maracanã faria da última rodada, uma dose inesperada de emoção.

No mesmo horário, alvinegros e colorados se enfrentavam com objetivos iguais, mas condições diferentes. Enquanto o Inter só dependia de si, o Timão precisava de um empate para fugir da pré-Libertadores e do famigerado Grupo da Morte. A vitória corinthiana aconteceu, contudo o time do Sul virou sua partida no último lance e empurrou o Corinthians para a 4ª colocação. A gangorra alvinegra e o trabalho de Mano Menezes foram concluídos. O objetivo secundário foi alcançado e o ano da abertura da arena de Itaquera, terminado.

Histórico do Timão nos Brasileiros de pontos corridos

Pertecente à última decisão, ainda quando se disputava em mata-mata, o Corinthians teve dificuldade para adaptar-se ao novo formato. Em 2004, Tite teve sua primeira passagem em Parque São Jorge para resgatar a equipe na zona de rebaixamento e ficar atrás da vaga por Libertadores por apenas 1 posição. A chegada da MSI, em 2005, trouxe milhões de reais suspeitos ao clube, craques e tirou Adenor do comando.

Com jogadores renomados, como Roger, Carlos Alberto, Mascherano e uma dupla mortal com Nilmar e o genial Carlitos Tevez, o Timão superava a fraca defesa com ataque espetacular. O esquadrão alvinegro sagrou-se campeão naquele ano. Ano da revelação do esquema de compras de jogos, o que até hoje gera discussões acaloradas nas mesas de bar. Sem nada a ver com isso, o tetra veio e a festa foi geral por todo o Brasil.

Nos anos seguintes, o fim da parceria foi inevitável. As consequências eram todas do Timão e o amante do futebol viu o que parecia impossível. Em 2007 aconteceu o pior pesadelo corinthiano. Com uma péssima campanha, com jogadores horríveis, técnicos despreparados e uma dose de azar, o Corinthians era rebaixado à Série B, após 97 anos.

Andrés Sanchez então assumiu. Reformou um clube sem alma e com apostas e muitas dúvidas, trouxe nomes como Alessandro, Chicão, Elias e Douglas, o alvinegro passeou na segunda divisão de 2008 para retornar de onde nunca deveria ter saído.

Com um lema de 2009 fenomenal, o Corinthians deu uma cartada de mestre e teve Ronaldo, o fenômeno no elenco. Após ganhar a Copa do Brasil, Mano e seus comandados usaram o torneio nacional como treino de luxo para conquistar a América, justamente no ano de seu centenário. E o ano de comemorações ficou apenas no aniversário. Sem nenhuma conquista até o momento, apostou-se tudo no Brasileiro. A campanha era boa. A briga entre Fluminense, Cruzeiro e Corinthians foi até a última rodada. Um vacilo de Roberto Carlos, lateral famoso que veio como trunfo de marketing, tirou a vaga direta do time e empurrou para o famoso duelo contra o Tolima.

Ressurgindo novamente, o Corinthians superou a forte crise pós-Tolima para fazer uma campanha irretocável em 2011. Com início perfeito e um time muito maduro, o Timão travou uma briga linda contra o Vasco até o último duelo. Em uma rodada de clássicos, para evitar entregas e corpo mole, o Brasil parou para ver Corinthians x Palmeiras Flamengo x Vasco. Precisando apenas de um empate, a fiel viu o time jogar com o regulamento debaixo do braço e conquistar a quinta estrela.

O ano seguinte talvez tenha sido o mais vitorioso da história corinthiana. O inédito título da Libertadores fez do Brasileiro, um objeto secundário, já que no fim do ano iria ao Japão para disputar o Mundial. Uma campanha sem sustos e muito tranquila para montar a base do que seria o Bi do mundo.

O fim de mais uma era Tite se desenhou no Brasileiro-13. Um time relaxado, sem a mesma gana de anos passados era mostrada rodada após rodada. Com 17 empates, poucos jogos bons e derrotas vexatórias, a diretoria se viu obrigada a renovar. Mano era o escolhido, Tite saía e o Corinthians foi o 10º colocado, mostrando bem o que foi o time no torneio. Muito mediano e sonolento.

ANO COLOCAÇÃO PONTOS JOGOS VITÓRIAS EMPATES DERROTAS CLASSIFICAÇÃO
2014 69 38 19 12 7 Pré-Libertadores
2013 10º 50 38 11 17 10 Neutro
2012 57 38 15 12 11 Neutro
2011 71 38 21 8 9 Campeão
2010 68 38 19 11 8 Pré-Libertadores
2009 10º 52 38 14 10 14 Neutro
2008 85 38 25 10 3 Campeão da Série B
2007 17º 44 38 10 14 14 Rebaixado
2006 53 38 15 8 15 Sulamericana
2005 81 42 24 9 9 Campeão
2004 74 46 20 14 12 Sulamericana
2003 15º 59 46 15 12 19 Neutro

Destaques

Frios, decisivos e importantes dentro do time, Cássio, Jádson e Guerrero formam a base sólida do Corinthians para 2015. Seja fechando o gol e agindo como se nada tivesse acontecido ou brigando contra os zagueiros rivais, os três regem defesa, meio e ataque do Timão.

Cássio: o gigante de Itaquera

De desconhecido em sua chegada à postulante da camisa 1 da Seleção. Fundamental nas conquistas da Libertadores e Mundial, o gigante sempre terá seu espaço no coração do torcedor. Com ótima envergadura, reflexo e boa saída de bola, é hoje um dos principais goleiros do país.

Jadson, de renegado a maestro do Corinthians

A famosa e polêmica troca por Pato fez o mundo da bola questionar quem se sairia melhor ao final das contas. Pois hoje, um ano depois, o torcedor corinthiano não tem o que reclamar. Se ele perdeu a regularidade com Mano no decorrer do último Brasileirão, este ano nas mãos de Tite, Jádson está sendo decisivo e ativo. Em seu reencontro contra o São Paulo, guardou o seu e ajudou o time a bater o rival, em Itaquera

Guerrero: o 'Ronaldo' Peruano da Fiel

Maior artilheiro estrangeiro da história e autor dos dois gols no Mundial-12. Isso já faria qualquer jogador entrar na galeria de ídolos de um time. Mas no Corinthians precisa demonstrar mais. E o peruano mostra. Garra, vontade, raça, aliada à uma grande técnica, o camisa 9 do Timão é uma das estrelas do campeonato.

Características da equipe

Tite voltou e com ele, muito daquele Corinthians versão 2012.A principal diferença está na gana por gols. O "empatite" parece ter sumido, dando cara a versão goleadora do Timão. Já tendo trabalhado com boa parte dos jogadores, seu trabalho ficou facilitado ao ter peças em melhor fase, como Guerrero, voltas importantes, como Emerson Sheik e vindas pontuais, como Edu Dracena para a zaga, Cristian para o meio e Vágner Love no ataque.

Mexendo pouco nas peças mas colocando um esquema novo, Tite fez o Timão muito forte na defesa e com muita dinâmica ofensiva. No 4-1-4-1, o time continua muito sólido atrás, rápido na transição e tendo muita movimentação no ataque. O quarteto de criação geralmente não guardam posição. As saídas do centro avante, tirando os zagueiros rivais para a infiltração dos meias, é um dos pontos fortes do time.

Com boa base ofensiva também na bola parada, o Corinthians é um perigo constante. Se o jogo estiver difícil para o ataque, Elias pode surpreender todo mundo e aparecer como elemento surpresa por dentro.

Defensivamente, Ralf continua sendo o apoio para a dupla de zaga. Fágner na direita tem mais liberdade para o apoio, enquanto Fábio Santos dá sustentação pela esquerda. Caso o jogo esteja mais difícil, duas linhas de 4 são formadas desde a intermediária, com ajuda de todos, sem exceção. Uma parede quase impenetrável aos rivais.

Planejamento 2015

Com as maiores arrecadações de todo o tipo de setor possível, o Corinthians agora pode contar com sua nova arena por um torneio completo. Um diferencial em relação aos rivais. A casa corinthiana detém números aos mandantes que impõe respeito.

O elenco experiente e maduro faz do Timão um dos principais favoritos ao título. Além de tudo isso, o futebol demonstrado também traz a esperança que esse ano o Corinthians pode levar a taça para Itaquera.

A busca pelo bi da América pode trazer algumas dificuldades, já que a comissão técnica pode dar preferência ao torneio internacional. Contudo, o ótimo elenco que tem pode carregar o alvinegro à ótimas posições do torneio. A expectativa de título passa pelo o que vai acontecer na Libertadores. Mas ainda assim, a força de grupo e os ótimos valores individuais fazem do Corinthians um dos maiores favoritos.

Outro fator importante será as renovações de contrato de alguns dos jogadores. Guerrero, Sheik e Danilo são algumas das principais estrelas que a diretoria terá a missão de definir o futuro. Sabendo passar por uma fase financeira não muito boa, o alvinegro terá de se desdobrar para manter seus atletas.

Estádio

Sonho tão desejado pela Fiel, a Arena Corinthians saiu do papel no ano passado. Situada em Itaquera, zona leste paulistana, é até hoje motivo de muita discussão pelo seu custo e construção. Tendo razão ou não, o fato é que depois de 104 anos, o Timão teve um lar para chamar de seu. As piadas acabaram de vez. O orgulho foi maior ainda quando o mundo viu a casa alvinegra receber nada menos do que a abertura da Copa. Lá também, Messi e cia. deram shows e levaram a Argentina até a final.

Com capacidade para 48.234 torcedores, a diretoria promete aumentar sua capacidade para um pouco mais de 53 mil expectadores. Em fase final de término, o hospício, como é conhecida entre a Fiel, é luxuosa, bonita, diferente e imponente.

Inaugurada contra o Figueirense, no ano passado, só teve apenas uma derrota. Justamente na estréia, contra o time de Santa Catarina. A partir daí, o que se viu foi um amplo domínio sobre os rivais. Inclusive os arquirrivais paulistas já sentiram o peso de cair na arena em Itaquera.

Recentemente, a Arena Corinthians também foi confirmada como sede paulista dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016. Ao que tudo indica, receberá a final feminina do futebol.

FICHA TÉCNICA

Nome: Sport Club Corinthians Paulista

Fundação: 1º de setembro de 1910

Mascote: Mosqueteiro

Campanha no Brasileirão 2014: 4º lugar. 69p/ 38j- 19v/ 12e/ 7d

Títulos: 5 ( 1990, 1998, 1999, 2005, 2011 )

Expectativa para o Brasileirão 2015: Candidato ao título.

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