Os pecados cometidos pelo Corinthians e o preço a se pagar
A pressão, expectativa e confiança eram altos. Mas o que se viu foi mais uma derrota alvinegra (Foto: Daniel Augusto Jr/ Agência Corinthians)

A poeira está diminuindo e o horizonte volta a aparecer para o Corinthians e seu torcedor. Mas, por melhor que passe e enfrente essa nova crise, é preciso retornar à escuridão dos erros passados para entender como se chegou à esse ponto, uma equipe que vinha atropelando os rivais e despontava como principal favorita aos torneios. Muitas são as desculpas, mas vários são os fatores que derrubaram um dos maiores favoritos para títulos na temporada.

Os erros capitais

- Sensação de gratidão

Tite voltou ao Timão e com ele retornou Sheik. No começo, colocou o atacante de titular e ele correspondeu, sendo fundamental, principalmente na fase inicial da Libertadores. Mas novamente Emerson se acomodou e o treinador parecia não ter coragem para mudar. Felipe, na zaga, foi outro que teve esse agradecimento do técnico convertido em titularidade. Mesmo falhando contra o Guarani, seguiu na equipe e parece não ter sua vaga incomodada pelo experiente Edu Dracena. No meio campo, Ralf, por mais fundamental que seja, trava o jogo da equipe, mas nem por isso Tite coloca Cristian ou Bruno Henrique, dando mais qualidade no time.

- Salários atrasados

Há quem diga que não influencia. Os próprios jogadores vem repetindo isso após os últimos vexames, mas fato é que incomoda e muito. São quase um ano de direitos de imagem atrasados - o salário em carteira está em dia, mas a maior parte vem dos direitos de imagem - para jogadores como Renato Augusto, Guerrero, Ralf, Fábio Santos e Danilo. A diretoria promete quitar as pendências brevemente. Isso diminui o poder de cobrança de torcida e diretoria, já que os atletas não recebem e podem até, se desligar da equipe através da justiça.

- Soberba e arrogância

O filme se repetiu. Assim como aconteceu na fatídica eliminação contra o Tolima, o desprezo pelo adversário, notadamente menor mas com a mesma gana, aconteceu por diretoria e jogadores. Vágner Love deu entrevistas confirmando que os atletas não acreditavam na qualidade do Guarani e o que se viu no jogo no Paraguai, foi um Corinthians lento, achando que ganharia a qualquer momento.
Mas o momento emblemático foi a declaração do diretor de futebol Sérgio Janikian, agradecendo à Deus por pegar o Guarani nas oitavas de final. Veja o vídeo abaixo.

- Jogadores abaixo da média e tática estudada

O início do ano foi um atropelo. No 4-1-4-1 com Ralf à frente da zaga e Jádson, Elias, Renato e Sheik chegando direto na ajuda à Guerrero, o alvinegro sobrou e passou por cima de todos, tendo até comparações da imprensa com times europeus.
Mesclando titulares e reservas no Paulistão, o Corinthians era um fenômeno e Tite aparecia em todos os programas de TVs. Só que as outras equipes também estavam trabalhando e a disparidade técnica foi diminuindo à medida que a temporada seguia. A Ponte Preta iniciou o processo e mostrou como parar o Timão. A partir dali, apenas o primeiro tempo contra o Palmeiras deu gosto de ver. Jogadores que vinham decidindo, como Elias, Renato e Sheik, foram caindo, e aliado à uma dengue de Guerrero, o time do Parque São Jorge decaiu e não houve demonstração de melhora.

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