Corinthians 2015: Tite, a genialidade de um técnico a nivel de Seleção Brasileira
Foto: Hugo Alves/ Editoria de arte/ VAVEL Brasil

O Corinthians é o campeão brasileiro de 2015. Com uma campanha irretocável, inquestionável e até surpreendente, o alvinegro levou a sexta taça de sua história de 105 anos.

Novamente com o comando de Tite, o Timão renasceu após alguns anos sem conquistas e inaugurou a sua Arena com conquistas. Mas tudo isso foi graças à um nome. Adenor Leonardo Bacchi, o Tite. Sim, ele se tornou o maior treinador da história do Corintihans, mas o ano foi difícil e ele trabalhou muito para mostrar sua nova face e levar sua equipe ao topo.

Só que para falar do presente, vamos voltar para o fim de 2013. Após ser campeão de tudo e ter uma das maiores sequências da história do futebol brasileiro, Tite não teve seu contrato renovado e preferiu passar 2014 no famoso "ano sabático", com estudos, estágios e novos pensamentos.

Na Europa, o treinador visitou grandes equipes, como Atlético e Real Madrid. Conversas com Carlo Ancelotti e Diego Simeone, partidas decisivas e estudos pessoais sobre Pep Guardiola, foram os pontos de ancoragem para Tite no Velho Mundo. Por aqui, semanas de conversas com Carlos Bianchi, no Boca Jrs. e estilos diferentes de jogos sul-americanos.

Tudo isso foi posto à prova quando ele decidiu retomar a rotina de clubes. Decepcionado por não receber o convite da CBF para comandar a Seleção pós-Copa, se viu como promessa eleitoral em Internacional e Corinthians. Mas ele renegou um salário muito maior do Colorado para treinar o alvinegro paulista. Parece que o casamento foi novamente feliz.

Novas táticas e forma de trabalho

Tite sempre foi conhecido por sua força em construir boas defesas. Em todas as suas equipes, a parte defensiva foi destaque e ficou o questionamento de como seria esse "novo Tite".

Adepto do 4-5-1 na passagem vitoriosa pelo Timão, o comandante variava para o 4-3-3 quando tinha a bola e buscava muito a infiltração. Sem a posse, o time se retrancava e saía muito rápido em contra-ataque. Contando com Paulinho e seu desejado camisa 9 (Guerrero), fez muito sucesso até ter sua tática estudada e batida.

Após seus estudos, o treinador fez do alvinegro 4-1-4-1 com uma forma compacta, linha de defesa e centroavantes próximos e muitas triangulações e infiltrações. Com apoio de laterais e chegadas de meias por todo o momento, a equipe de Tite varia jogadas e mantém um tão sonhado padrão, dentro e fora de casa.

Fim do "Empatite"

Apelidado de forma pejorativa pela enormidade de empates (em 2013, o Corinthians teve 19 empates, um turno inteiro), Tite se via incomodado e a forma com que o Timão jogava tirava a Fiel do sério.

Muitas vezes, o alvinegro deixava escapar vitórias por preferencias defensivas. Quando o time abria o placar, recuava demais e era castigado com o empate. Esse ano, algumas vezes, tivemos o lampejo deste passado, como nos jogos contra Coritiba e São Paulo, ambos fora de casa. Mas o novo Tite acertou e melhorou o trabalho ofensivo. Com maior vontade de decidir e repetir padrão, o time foi outro após algumas críticas e o Timão passou a atropelar tanto dentro quanto fora de casa.

Hoje, a equipe não é só a melhor defesa, mas também, o melhor ataque e melhor saldo de gols. Tite mostrou o lado ofensivo e, para sorte da Fiel, isso deu muito certo neste ano.

Confiança e domínio do vestiário

Comandar um dos maiores times do mundo e com a repercussão que tem, como o Corinthians, precisa de muito jogo de cintura. Tite continua dominando como poucos, o vestiário e o grupo de atletas do alvinegro. O poder de trato com os atletas é enorme.

E dentro desse elenco vitorioso, Tite tem sua contribuição plena com dois de seus maiores jogadores. Com Jádson e Renato Augusto, foi sua conversa que manteve ambos no elenco.

Com o camisa 10, a saída de Lodeiro e uma proposta do Flamengo ainda no começo do ano balançaram o jogador. Mas Tite chamou o jogador de canto, disse que contava com ele na equipe titular e prometeu uma sequência. Ela foi dada e Jádson respondeu muito bem, chamando atenção do futebol chinês, enviando uma proposta milionária ao jogador. Novamente, Tite foi fundamental, ao conversar e orientar o jogador. O resultado está nos números, como o camisa 10 sendo um dos principais jogadores do Brasil.

Com Renato Augusto, um papo franco foi decisivo. Ao ver vários jogadores saírem, o camisa 8 se viu na incerteza do seu futuro e o alvinegro passava por uma situação financeira horrível. Neste momento, Tite deu sua palavra de que diretoria e comissão técnica acertariam tudo e foi isso que aconteceu. Hoje, o time respira melhor na parte econômica e Renato é o condutor do time campeão.

Trabalho, trabalho e mais trabalho

Muitos fizeram a pergunta aos campeões. Qual o segredo do Corinthians hexacampeão? Todos são unânimes em dizer que Tite é o segredo. Sem dar sombra para a sorte, o comandante é adepto do trabalho para aperfeiçoar e é isso que ele fez.

Sem reclamar das perdas de grandes jogadores, como Guerrero e Sheik, sem chorar querendo contratações e sem brigar pela falta de dinheiro, ele mudou a equipe, trabalhou com aquilo que tinha no elenco, aguentou a pressão das eliminações e acerto o time.

A conquista alvinegra e a sobra para os rivais foi tão enorme que aumentou a indignação de Tite não comandar a Seleção. É enorme a vantagem tática, técnica e humana do treinador corinthiano para Dunga, atual treinador do Brasil.

Um time sem estrelas e campeão

Nunca foi do fetio do Corinthians ter um elenco recheado de estrelas e aliar isso à conquistas. Assim como em seu título em 2011, o alvinegro foi concebido mais com operários do que com galáticos. E a receita novamente deu certo.

Poucos ousariam dizer que a melhor defesa do Brasil teria Felipe nela. O medo que Edílson causava na Fiel, era tão grande quanto a ausência de Fágner. Sem Fábio Santos e com Uendel machucado, o menino Guilherme Arana a defesa se ajeitou e seguiu o alto padrão.

No meio, teve peito de sacar Ralf, um dos ídolos do elenco, para aumentar a qualidade de saída de bola com Bruno Henrique. As eliminações no Paulista e na Libertadores mostraram uma fragilidade na transição entre defesa e meio campo. Com Bruno, isso melhorou muito e o camisa 5 ficou no banco sem reclamar e recuperou a vaga na bola, após contusão do novo volante. Mas Ralf voltou muito bem e teve uma reta final impressionante. Já na linha de quatro meias, Jádson, Elias, Renato e Malcom eram constantes. Trocas de posição, tabelas, triangulações, chegadas no ataque... o meio se encaixou de forma incrível.

Mas o maior feito de Tite foi no ataque. Sem Guerrero, Tite precisou se virar por muito tempo com um fora de forma Vágner Love. Mal tecnicamente e fisicamente, o camisa 99 nem se quer dominava uma bola direito. A Fiel entrava em desespero e muitos duvidavam de um título com Love no ataque. De repente, Luciano despontou e brilhou, tendo uma sequência fenomenal e deixando a Fiel esperançosa novamente. Só que o jovem teve um grave problema no joelho esquerdo e Vágner surgiu novamente. Mas bancado e com a confiança de Tite, Love cresceu e foi importante na reta final, com gols, passes, marcação e muita entrega, para mostrar seu valor e ter seu nome mais uma vez ajudado pelas mãos de Tite.

É inegável que Tite seja hoje o maior e melhor treinador do país. E além disso, Adenor não esconde de ninguém o desejo de treinar o Brasil. E se esse convite vier, a diretoria alvinegra não deverá fazer esforços para impedir a ida de seu comandante. A Fiel torce muito para que Dunga tenha o mais longo sucesso na camisa verde e amarela. Esse brilho na Seleção significa mais "Titebilidade" no Corinthians.

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