A repercussão conturbada entre dirigentes e jogadores do Internacional
Cartolas colorados, da esquerda para direita: Luiz Henrique Nuñez de Oliveira (2º vice-presidente), Vitorio Piffero, Fernando Carvalho, Celso Roth (demitido), Ibsen Pinheiro, Pedro Affatato (1º vice-presidente) e Newton Drummond. Fonte:Internacional/Divul

A saga do Inter contra a zona de rebaixamento acabou ganhando novos capítulos nesta última semana, principalmente depois do desastre aéreo que matou 71 pessoas na Colômbia, dentre elas, jogadores, comissão técnica e dirigentes da Chapecoense, como também jornalistas que viajavam juntos para cobrir a final da Copa Sul-Americana. Com isso, a CBF acabou transferindo a última rodada do Brasileirão, que seria no dia 04, para o dia 11. Nesse tempo de comoção e solidariedade com a Chapecoense, o Internacional acabou atraindo as atenções com seus dirigentes e jogadores dando algumas entrevistas polêmicas, o que, de certa forma, arranhou a imagem do colorado.

Se não bastasse as declarações conturbadas devido ao momento em que o país vivia, muitas afirmações e entrevistas envolvendo a cúpula colorada era contraditória, faltou harmonia e convicção do que o Inter realmente estava querendo demonstrar, e dia após dia viesse que havia problema de foco entre direção, jogadores e comissão técnica.

A história toda começa na quarta-feira com a entrevista de Fernando Carvalho, nela o vice diretor de futebol do Inter falou que o Internacional vivia o seu momento de tragédia e que o cancelamento da rodada foi prejudicial ao clube. Minutos após a divulgação da entrevista nos meios de comunicações houve uma enxurrada de críticas ao dirigente, por compara o momento do Internacional com a Chapecoense. Confira o trecho da entrevista de Carvalho.

"Além do sentimento, além da consternação que nossos jogadores estão tomados, que a maioria deles se relacionava com os atletas. Hoje (terça) deu para ver na reunião que nós fizemos para dispensar do treinamento. Retomaremos amanhã (quarta). Temos nossa tragédia particular, que é fugir do rebaixamento. Estamos nos agarrando nas ultimas folhas da árvore. Vamos lá ainda. Não vamos desistir até o final. Esse adiamento de rodadas certamente vai ser prejudicial, nem estou falando nisso, porque como a consternação é geral, como a solidariedade é unânime de todo mundo, não é hora de reclamar. Mas o adiamento vai trazer embaraços que mais adiante vamos ter que comentar."

Após a entrevista ser muito criticada, Carvalho gravou um vídeo pedindo desculpas e falando que a intenção não era comparar os momentos de Internacional com a Chapecoense.

Jogadores apresentam suas versões

Um dia após Carvalho lamentar o cancelamento da rodada, houve uma reviravolta no Beira-Rio, o grupo de jogadores, do qual Alex foi o porta voz, deu uma entrevista na sala de conferência do Beira Rio, nela o meia falou do sentimento do grupo colorado sobre o momento e sobre como se sentiam a respeito da tragédia da Chapecoense, o meia teve um discurso totalmente contrário ao diretor de futebol, afirmando que o grupo não tinha condições de jogar na última rodada do brasileiro por questões emocionais;

"O fato é muito maior do que qualquer situação. Em solidariedade a todos da Chapecoense, aos familiares das vítimas e dos sobreviventes, que se envolvem com a Chapecoense, a cidade de Chapecó. Não se comparam as situações e o momento mais do que excepcional de tristeza. O campeonato fica nessa dúvida. Não tem tabela, não tem nada. Gostaríamos de deixar bem claro, por uma questão de respeito e emocional, que não teríamos condições de jogar a última partida. Como somos profissionais, respeitamos hierarquias, leis e regras. Se houver, vamos cumprir. O nosso sentimento com a situação toda, pelo que sentimos, é de não ter rodada."

Presidente Vitorio Piffero
(Foto: Alexandre Lops / Internacional)

Junto com Alex, estava o presidente do Internacional, Vitório Piffero, que também falou e deixou pairar sobre o ar uma possível segunda intenção na ideia de não existir a última rodada do Campeonato Brasileiro.

"O Inter apoia a manifestação dos jogadores. Estamos abalados por essa catástrofe. Podia ser com qualquer um. Estamos permanentemente nesses trechos (de viagem). Isso aumenta nossa dor. Temos muitos amigos, nos solidarizamos. (Chapecó) É uma região de colonização gaúcha. Temos um sentimento que não pode mais ter futebol em 2016. A perda é muito grande, mas ficamos sujeitos às ordens da entidade. Como fazer, o que fazer, eu não sei. Não estou abrindo mão (da Série A), só colocando um sentimento. O campeonato estaria incompleto."

Enquanto jogadores e presidente falavam sobre o "apoio" da ideia de não sair a última rodada do Campeonato, no dia seguinte mais polêmica entrou na pauta colorada, quando a imprensa e torcida já repudiavam a intenção que Piffero deixou a entender, além até do próprio presidente do STJD ameaçar o Inter de punição caso a ideia fosse levada adiante. Diante dos fatos, foi a vez do diretor de futebol, Ibsen Pinheiro, entrar nas entrelinhas da novela que se transformou o caso, nele o diretor de futebol descartou qualquer possibilidade do Internacional não entrar em campo na última rodada e afirmou que a direção do Inter não sabia da intenção dos jogadores quando entraram na coletiva de imprensa, porém esta declaração que além de já ser controversa é estranha pelo fato do próprio presidente do Inter estar junto na hora da entrevista;

"Não posso imaginar que alguém identifique o Internacional pedindo uma manobra para fugir a resultados de campo. Isso não é compatível nem com a grandeza nem com a história do Internacional e também não é compatível com os fatos que ocorreram. Primeiro, não foi o Internacional, foram os atletas do Internacional, que por mais relevantes que sejam, não falam pelo clube, falam por si. E, segundo, não foi pedido de cancelamento, porque o cancelamento produz efeitos que ninguém pode imaginar quais sejam. O que os atletas disseram é que não se sentem em condições de entrar em campo.

No mesmo dia, Alex voltou aos microfones para também descartar qualquer intenção colorada de se livrar do rebaixamento boicotando o campeonato: "Se for o caso de acabar o campeonato e a gente for rebaixado, vamos aceitar porque fizemos por merecer."

Depois de tantas polêmicas e entrevistas controversas a diretoria do Internacional resolveu não falar mais em público sobre o caso, apenas emitiu uma nota oficial ressaltando o comprometimento em terminar o campeonato. No mesmo momento que acontecia as polêmicas, o Internacional entrou com pedido de reabertura do caso Victor Ramos, na esperança de encontrar algum indicio que possa livrar o clube do primeiro rebaixamento em sua história. Dentro das 4 linhas o Internacional entra em campo no domingo ás 17h contra o Fluminense no Rio de Janeiro, precisando de vitória e de uma combinação de resultados para não ser rebaixado.

VAVEL Logo