Eu e a Chapecoense: uma relação antiga e além dos gramados
Carinho pela Chape foi nutrido com histórias longe do futebol e mantido com o crescimento do clube (Foto: Divulgação/Chapecoense)

Minha relação com o futebol sempre foi muito íntima e iniciou desde muito cedo. Cresci assistindo partidas por todo o mundo, conhecendo muitos times por ter aprendido a ler com apenas três anos de idade e, assim, sabendo as diversas capitais e associando às equipes. Foi por causa desse esporte fantástico, responsável por me formar como bom cidadão, que descobri fatos de uma época distante.

Com o conhecimento, procurei aprofundar mais nos clubes de pouco reconhecimento na mídia, uma vez que histórias maravilhosas saem justamente do submundo. Eram meados de 2006, com uma conexão à internet limitada e pouca interatividade, quando soube da existência da Chapecoense. Lá, estava o goleiro Nivaldo, que esteve na trajetória do Verdão da Série D à Copa Sul-Americana, competição tão almejada por qualquer um e conquistada após uma verdadeira tragédia.

O relacionamento para com o alviverde, que parecia ser simples, teve mais proximidade em 2013. Foi nesse ano que me fiquei mais perto e, com isso, conheci melhor a rotina vivida no oeste catarinense. Foram vários jogos, principalmente os da Série B, que me aprofundaram nas mais diversas histórias de um escrete pouco conhecido da maioria da população brasileira.

Foi durante a Segundona, em jogo contra o Sport, que conheci um dos falecidos na maior fatalidade desse 2016. Fernando Schardong, agora ex-narrador da Rádio Chapecó, esteve em Recife para a partida do dia 3 de agosto de 2013, sendo responsável por dar relatos à manutenção da Chape na liderança do torneio, ficando por mais três rodadas, com o G-4 sendo consolidado ao fim, além do acesso à elite.

Com a chegada na Série A, conheci torcedores do Verdão. Esses foram alguns dos que mais me ajudaram a vivenciar melhor o cotidiano dos jogadores, através inicialmente de Leandro Coradi. Leandro foi quem me fez ter o primeiro contato, pelo Twitter, com a cidade de Chapecó. Por ele, fui explorando os veículos de comunicação e pessoas da área, em especial uma que mudou minha vida.

Letícia Sechini. Ou apenas Lekka. Uma menina sorridente, animada e com muita disposição para ver os outros bem. Foi essa animação dela que me contagiou bastante, pois se mostrou forte em meio à situação, que chocou todo o mundo. Quantas madrugadas passamos acordados ajudando um ao outro e com a insônia atrapalhando, porém tendo as melhores situações juntos espiritualmente, apesar de afastados. É por isso que dedico esse texto a você, Lekka. Mesmo com tantas barreiras no caminho, conseguimos superá-las, dando novo sentido à vida, com a felicidade conjunta sendo o melhor trajeto para fugir de todo o mal. De coração.

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