Elas chegaram! F1 divulga propostas para a revolução da categoria em 2021
Foto: Reprodução/F1

Fórmula 1 segue na busca incessante por uma revolução já a partir da próxima temporada. FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Liberty Media, que é o grupo proprietário da categoria, e as equipes planejam a algum tempo projetos mecânicos e técnicos, regulamentos, entre diversas outras propostas para elevar o patamar da Fórmula 1.

Tudo tem como alicerce quatro pilares: tornar as corridas mais emocionantes e imprevisíveis; os carros mais velozes; o grid mais parelho e o campeonato mais viável financeiramente. Assim, esses três corpos importantes da categoria dão à luz algumas propostas para a tão sonhada revolução.

Austin foi o palco escolhido pelos dirigentes, onde acontece o GP dos EUA neste final de semana, para apresentar todas as propostas de mudanças negociadas e que foram enviadas ao Conselho Mundial da FIA, sendo aprovadas por unanimidade. Na sala de imprensa do Circuito das Américas, o chefe da F1 Chase Carey, o diretor-esportivo Ross Brawn, diretor-técnico Nikolas Tombazis e o presidente da entidade esportiva, Jean Todt, em vídeo, revelaram os detalhes do novo regulamento.

O carro

Um dos pontos da discussão, o carro da F1 sempre esteve sob holofote da mudança, pois os dirigentes almejam ver provas mais disputadas, independentemente dos circuitos — o que não acontece atualmente. Assim, engenheiros da FIA e também das equipes visam soluções aerodinâmicas e mecânicas para resolver esse "problema". Os carros terão um visual mais futurista e, ao mesmo tempo, com um certo saudosismo ao passado. Ao menos, é o que garante Chase Carey, chefão da categoria.

"A F1 é um esporte incrível de história maravilhosa, heróis e fãs no mundo todo. Respeitamos muito o DNA da F1, que conta com grande combinação de ótima competição esportiva, pilotos unicamente talentosos e corajosos, equipes dedicadas e tecnologia de ponta. A meta sempre foi melhorar a competição e a ação na pista e, ao mesmo tempo, tornar o esporte mais saudável e um negócio mais atraente para todos. A aprovação das regras pelo Conselho Mundial da FIA é um divisor de águas que vai nos ajudar a entregar mais batalhas de roda com roda para os fãs", explicou.

Foto: Reprodução/F1
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Um dos grandes incentivadores de todo o processo de negociação, Jean Todt comemorou a chance de ver o esporte rumando para um caminho novo.

"Após mais de dois anos de intensa pesquisa e desenvolvimento, de uma colaboração próxima com nossos parceiros da Fórmula 1 e com a ajuda de equipes e pilotos, projetistas de circuitos, a fornecedora única de pneus (Pirelli) e os acionistas da F1, a FIA está orgulhosa de publicar hoje uma série de regras que vão definir o futuro da F1 a partir de 2021. É uma mudança fundamental em como o pináculo do esporte será operado e, pela primeira vez na história, tocamos nos assuntos técnicos, esportivos e financeiros de uma vez só."

A competitividade

Outro ponto importantíssimo para a revolução é o fim da divisão A e B da F1, com Mercedes, Ferrari e RBR no primeiro pelotão e o restante das equipes na parte B. E a facilitação das ultrapassagens é um caminho para isso. A meta foi tornar a aerodinâmica algo menos complexo, com a capacidade de que o fluxo de ar através do carro seja mais padrão, limpo e que não interfira a aproximação do carro que venha logo atrás, o que elimina a turbulência de ar. Recursos usados atualmente pelos times, como os bargeboards — aletas laterais dos carros —, vão ser extintos, enquanto a nova F1 será beneficiada de uma nova versão efeito-solo.

Detalhe a se ressaltar em tudo isso: a F1 projeta novos carros com redução de tempo, entre 3 e 3s5 mais lentos que os atuais.

Já sobre os pneus, a Pirelli vai entregar à Fórmula 1 uma nova formatação, de perfil baixo e 18". Ao contrário do que havia sido proposto, os aquecedores de pneus ainda seguem permitidos na categoria.

Gastos financeiros

Nem tudo foram flores. A FIA e o Liberty Media também travaram discussões com as equipes a respeito dos limites de gastos. O intuito é que os times possam competir em igualdade mesmo tendo um orçamento menor. Para isso, alguns pontos foram acordados como peças padrão, proibição de sistemas de suspensão hidráulica, restrição de uso de certos materiais, radiadores padronizados e congelamento de parâmetros da caixa de câmbio, por exemplo.

Houve também um esforço para um controle mais efetivo dos custos que devem ser postos para limitar o tamanho das equipes, visando novamente impedir que as grandes escuderias superem os times pequenos apenas com recursos maiores.



Uma das novidades mais acentuada é a do teto orçamentário por temporada — o que gerou bastante polêmica. Cada equipe poderá gastar o máximo de cerca de US$ 175 milhões (mais ou menos R$ 700 milhões). A ideia é promover a qualidade do uso do dinheiro, e não por quantidade dele. Tudo para tornar o esporte em mais justo e menos desigual. Atualmente, a F1 tem sido disputada apenas por três equipes compartilhando as chances de vitória e as restantes vibrando com a disputa de ser "a melhor do resto". Brawn reforçou a ideia da revolução nesse ponto e garantiu fiscalização severa por parte da FIA.

"O crucial no aspecto financeiro é que se trata de um regulamento da FIA. Há punições em caso de quebra de regras. Antes, havia um acordo de cavalheiros entre as equipes, que não era tão de cavalheiros assim. Se você quebrar as regras, você perde o campeonato."

Carey explicou um pouco mais também.

"As novas regras surgem após um detalhado processo de dois anos examinando problemas técnicos, esportivos e financeiros com o objetivo de desenvolver um pacote de regras. Fizemos mudanças diversas durante o processo conforme recebíamos informações das equipes e outros acionistas e acreditamos firmemente que atingimos as metas definidas. Estas regras são um importante e grande passo adiante, ainda que o processo ainda esteja em curso e que nós continuemos trabalhando para melhorar as regras e dar novos passos para permitir que nosso esporte cresça até o potencial máximo."

"O regulamento nunca vai agradar a todos, porque são muitas visões diferentes. Todavia, todos nós concordamos naquilo que é importante para o futuro da F1. Nós acreditamos que alcançamos aquilo que queríamos alcançar, incluindo o teto orçamentário", acrescentou Carey.

O chefão da F1 também também comentou sobre a oportunidade de tornar o esporte mais sustentável, tema que vem causando uma certa polêmica ultimamente no mundo da velocidade.

"Uma das iniciativas mais importantes será, conforme seguimos para o futuro, tratar do impacto ambiental de nosso esporte. Já temos o motor mais eficiente do mundo e, nas próximas semanas, lançaremos os planos para reduzir - tendo a eliminação completa como objetivo final o impacto ambiental de nosso esporte e negócio. Sempre estivemos à frente da indústria automotiva e acreditamos que podemos ter papel de liderança neste assunto de importância crítica."

Todt foi outro que falou sobre a sustentabilidade na Fórmula 1.

"Um elemento crucial para a FIA, pensando no futuro, são as considerações ambientais: a F1 já conta com os motores mais eficientes do mundo, mas vamos continuar a trabalhar em novas tecnologias e combustíveis que aumentem ainda mais esse limite. O que a FIA publica hoje é a melhor moldura que poderíamos ter para beneficiar competidores e acionistas, ao passo que garantimos um futuro animador para nosso esporte."

Lá vem recordes

Diretor-esportivo da F1, Ross Brawn, e Nikolas Tombazis, representante e consultor-técnico da FIA, foram os responsáveis por explanar os aspectos dos carros na nova era do esporte.

"Mudamos as bases da Fórmula 1. Aproximamos as equipes e tornamos o esporte mais sustentável. Quando falamos em aproximar, falamos em carros que podem correr uns contra os outros. Os atuais são terríveis nesse aspecto", destacou Brawn.

"Tentamos simplificar o formato dos carros e diminuir a sensibilidade de algumas áreas para facilitar que um siga o outro. Não temos mais bargeboards. Algumas peças serão restringidas [padronizadas]. Sentimos que, se não fizéssemos isso, as equipes poderiam superar o nosso objetivo", explicou Tombazis, que ainda disse que "os carros podem parecer diferentes uns dos outros, e vão parecer. As asas, as entradas de ar... Mas padronizamos algumas áreas para garantir o efeito das mudanças".

Foto: Reprodução/F1
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Tombazis reforçou que o peso dos novos carros subirão de 743kg para 768kg. As suspensões ficarão mais simples. E os custos do desenvolvimento das caixas de câmbio serão supervisionados.

Sobre a segurança, os carros prometem ser mais evoluídos também. Um dos objetivos é otimizar a absorção de energia nos impactos, consequência do bico mais longo.

Leve mudança no formato do fim de semana

O formato do fim de semana, na questão de atividades de pista, continua como atualmente. No entanto, a nova F1 vai compreender um dia a menos de trabalho no autódromo: as entrevistas coletivas com os pilotos, que hoje são realizadas às quintas-feiras, serão passadas para sexta-feira, entre os treinos livres. A ideia é reduzir um dia de trabalho para possibilitar a ampliação do calendário para um máximo de 25 GPs por ano.

Chase Carey também falou sobre a possibilidade de a F1 aumentar o calendário, mencionou a chance de realizar uma segunda prova nos EUA — o que vai acontecer com a entrada do GP de Miami, caso seja aprovada —, e também valorizar corridas tradicionais, como Silverstone, Monza e México, que tiveram seus respectivos contratos recentemente renovados.

E o que alguns esperavam não foi dito: a volta da F1 ao Rio de Janeiro.

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