Rodrigo Fabri: um brasileiro à deriva em Madrid
(Montagem: Walter Paneque / VAVEL Brasil, sobre fotos de divulgação)

Meio-campista habilidoso, inteligente, que conquistou títulos com a sua seleção nacional e foi disputado a tapa entre gigantes da Europa. Além disso, teve passagem pelo Real Madrid. Não, não estamos falando de Kaká e muito menos de Zidane. Estamos falando de Rodrigo Fabri. Você, provavelmente, ou balançou a cabeça negativamente ou está se perguntando: “Rodrigo quem?”.

Destaque da Portuguesa vice-campeã brasileira em 1996, Rodrigo Fabri é o único jogador brasileiro a ter atuado por Real Madrid e Atlético de Madrid, os finalistas da Uefa Champions League da atual temporada. Suas duas passagens pela capital espanhola, no entanto, foram frustrantes: nunca chegou a fazer uma partida oficial pelos merengues em seis anos de contrato e fez apenas 19 partidas pelos colchoneros.

Rodrigo Fabri surgiu para o mundo do futebol na Portuguesa, na campanha espetacular da equipe que culminou no vice-campeonato brasileiro em 1996. Vestindo a camisa 10, Rodrigo foi o principal jogador e comandante daquela equipe que só foi derrotada pelo Grêmio, já na final. Depois do Campeonato Brasileiro brilhante, Fabri virou alvo dos principais clubes brasileiros e foi convocado para defender a Seleção Brasileira na disputa da Copa das Confederações de 1997, em que foi campeão.

Em 1997, a Portuguesa parou nas semifinais do Brasileirão, mas Rodrigo Fabri demonstrou o mesmo futebol do ano anterior e despertou interesse dos maiores clubes da Europa. O Deportivo La Coruña, então uma potência do futebol espanhol, e a Lazio, da Itália foram os principais interessados no atleta. Porém, o destino do jogador foi surpreendente: Fabri acabou acertando com ninguém menos que o poderoso Real Madrid.

Apesar de chegar a Madrid com status de estrela (!), Rodrigo sequer desembarcou em na capital espanhola. Antes mesmo de estrear, o meia-atacante foi emprestado para o Flamengo, para disputar a primeira metade da temporada de 1998. Jogando ao lado de Romário no comando de ataque, Fabri não conseguiu repetir as atuações dos tempos de Portuguesa e o Rubro-Negro não teve sucesso nem no Campeonato Carioca e nem no Torneio Rio-São Paulo.

No segundo semestre de 1998, Fabri retornou à Madrid e pensou que teria as primeiras oportunidades de vestir a camisa do Real. Entretanto, ficou seis meses no ostracismo na Espanha e só voltou a atuar em 1999, quando foi emprestado para o Santos. Na Vila Belmiro, o atleta voltou a decepcionar e sua passagem também só durou até o segundo semestre de 1999, quando ele teve de voltar ao Velho Continente.

Fora dos planos do Real para a temporada 1999/00, Fabri foi emprestado ao Real Valladolid, aonde conseguiu apresentar o futebol que o consagrou em 1996 e 1997 e foi eleito a revelação do Campeonato Espanhol daquela temporada. Porém, não foi o suficiente para convencer o Real Madrid a aproveitá-lo. Ao ser emprestado para o Sporting, de Portugal, Rodrigo Fabri começou a virar uma espécie de folclore futebolístico.

Depois de chegar ao Real Madrid, Fabri passou a ser uma mera moeda de troca dos merengues, que o emprestaram para diversos clubes até o término do seu contrato, em 2003. Foram seis anos e nenhuma chance no Santiago Bernabéu, apenas decepções, exceto pelas suas passagens por Real Valladolid e Grêmio, em 2001.

Mas se engana quem pensa que Rodrigo Fabri parou de entrar para a história quando deixou o Real Madrid. Mesmo desprestigiado, o meio-campista assinou com o maior rival do Real, o Atlético de Madrid, ainda em 2003. Com a mudança de rival, Fabri se transformou em um dos poucos jogadores da história do futebol mundial a vestir a camisa dos dois rivais, ao lado de nomes como ninguém menos que Luis Aragonés. Sim, Rodrigo Fabri tem algo em comum com o maior ídolo da história do Atlético de Madrid e um dos maiores técnicos da história do futebol.

(Foto: Divulgação/Atlético de Madrid)

Na aventura no Atlético, Fabri manteve a regularidade dos anos anteriores e não chegou a durar um ano com a camisa colchonera. Em uma temporada, foram 19 partidas e dois gols marcados pelos colchoneros. Os dois únicos tentos foram anotados na vitória por 3 a 2 contra o Conquense, pela Copa del Rey.

Pela 14ª rodada da La Liga 2003/04, chegou a atuar contra o rival Real Madrid, no Santiago Bernabéu. A partida terminou em 2 a 0 para os merengues, com gols de Ronaldo e Raúl González, e o então camisa 23 do Atlético entrou em campo aos 60 minutos. As atuações não foram o suficiente para convencer o Atlético a mantê-lo no elenco.

Em 2004, o meia-atacante estava de volta ao Brasil, aonde passou por Atlético Mineiro, São Paulo, Paulista e Figueirense antes de encerrar a carreira no Santo André, clube da sua cidade natal, em 2009, após não conseguir evitar o rebaixamento do clube para a segunda divisão do Brasileirão.

Único brasileiro a vestir as camisas de Real e Atlético de Madrid, Rodrigo viverá um dilema neste sábado (24), quando as duas equipes se enfrentarão na final da Uefa Champions League. Não é possível prever se Rodrigo Fabri vai torcer para o time que o ignorou por seis anos ou pelo time que foi mais carinhoso ao manda-lo embora logo no primeiro ano. A única certeza é que nenhuma das torcidas madrilenhas tem saudades do folclórico meio-campista brasileiro.

Fabri em ação pelo Atlético, contra o Valladolid: meia não deixou saudades em Madrid (Foto: Javier Soriano / Getty Images
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