Quinze anos da  final de Champions League de 1999: Manchester United e Bayern de Munique, em Barcelona

Nesta segunda-feira (26), se completam quinze anos da final da Uefa Champions League de 1999, protagonizada por Manchester United e Bayern de Munique, vencida de maneira incrícel pelos Diabos Vermelhos por 2 a 1; com gols de de Sheringham e Soljskear, nos acréscimos do segundo tempo.

O Bayern dominou, administrou, ditou o ritmo, esmagou o United. Faltando apenas três minutos, bastava o time alemão dar alguns chutões, tocar a bola na defesa e pronto, mais um título Europeu. Mas não, o time inglês conseguiu fazer o que não fez nos outros 90 minutos. Marcou dois gols e levantou sua segunda “Orelhuda”.

Campanha das equipes na Champions daquele ano

O Manchester precisou dos playoffs para ir à fase de grupos daquele ano. O candidato a azarão era o LKS Lódz da Polônia. Acabou 2 a 0 no agregado para o time de Old trafford. O sorteio um encontro de três grandes clubes. O grupo D tinha Barcelona, Manchester United, Bayern Munchen e Brondby da Dinamarca.

O time alemão não teve um bom começo, perdeu para o modesto Brondby, empatou com o United em 2 a 2 e só veio vencer na terceira rodada, batendo os catalães. Muito pressionado o Bayern fez um bom segundo turno, vencendo novamente o Barcelona, empatando mais uma vez com os Red Devils, desta vez em Old Trafford. No último jogo, venceram os dinamarqueses. Classificaram como primeiro do grupo.

A equipe de Alex Ferguson empatou muito, foram quatro empates em seis jogos, sendo dois empates contra o Barcelona e mais dois contra o Bayern. O que fez diferença foi as duas vitórias sobre o time dinamarquês, garantindo os ingleses como um dos melhores segundos colocados, passando assim para a fase final.

Nas quartas de final, os Bávaros passaram fácil pelo Kaiserslautern. 2 a 0 no Olympiastadion e 4 a 0 na partida de volta. Effenberg foi o destaque do confronto. O Manchester enfrentou a Internazionale, Yorke marcou duas vezes e garantiu o triunfo. Na Itália o time segurou o 1 a 1 e avançou. Nas semifinais os jogos foram mais complicados. O Dynamo Kyiv deu trabalho ao time de Munique, 3 a 3 na ida com um gol no último minuto de Jancker. Na volta, Basler garantiu o Bayern na final. Os Red Devils contaram com a ajuda de Giggs para empatar no último minuto contra a Juventus, 1 a 1. No Delle Alpi, a dupla Yorke e Cole comandou a virada de 3 a 2.

26 de maio de 1999

O herói da grande final (Foto: BenRadford/Getty Images)

As ruas de Barcelona estavam tomadas de vermelho, muitos torcedores de ambas as equipes viajaram para ver a grande decisão. O palco foi o Camp Nou, o Barcelona completava 100 anos e a UEFA escolheu o seu estádio para a decisão.

Os dois times tinham problemas parecidos, desfalques importantes. Do lado vermelho de Manchester, Scholes e Keane não jogaram, os dois estavam suspensos. Já o Bayern vinha sem Lizarazu e o brasileiro Élber que estavam lesionados. Sem falar dos dois excelentes goleiros, Kahn e Schmeichel.

Gol de falta no inicio da partida, Bayern domina

Aos 5 minutos, Johnsen fez falta em Jancker. Na cobrança Basler mandou no canto esquerdo de Schmeichel que não pode fazer nada. O que era euforia por parte da torcida do United, que cantava e pulava, virou angustia. Apenas observavam seu time perdido em campo. Foram muitas mudanças e improvisações. Beckham jogou de volante ao lado de Butt, Giggs jogou na direita, uma raridade, o mediano Blomqvist estava na esquerda.

Cole e York não recebiam bolas no ataque, o trio defensivo formado por Kuffour, Linke e Matthaus estava jogando muito bem, seguros e não erravam. Além de que o Bayern era muito bom na jogada em velocidade, tinham uma excelente transição da defesa para o ataque.

Pressão do Bayern e os três minutos mais importantes da história dos Manchester United

Todos esperavam um Manchester agressivo, alguma mudança no intervalo. Porém foi o Bayern que voltou melhor. Effenberg e Jancker jogavam muito, ditavam o ritmo do jogo, chutavam de fora da área com perigo. Scholl, que havia entrado a pouco tempo, mandou de cobertura, a redonda tocou na trave e voltou nas mãos do goleiro. Alex Ferguson colocou o time para atacar, tirou Blomqvist e botou Sheringham. Já no fim, Solskjaer entrou na vaga de Andy Cole. Basler cobrou escanteio, a defesa não afastou, Scholl cabeceou para cima e Jancker deu de bicicleta no travessão. Esse lance aconteceu aos 39 do segundo tempo e poderia ter matado o jogo.

O quarto arbitro levantou a placar: 3 minutos de acréscimo. A torcida do Bayern já esboçava um sorriso, os Red Devils estavam apreensivos, já esperando pelo pior. Aos 45 minutos, Irwin foi ao fundo e cruzou, a defesa cortou para escanteio. Beckham correu e se posicionou. Nesse momento se viu uma das cenas mais lembradas do futebol: Kahn e Schmeichel na mesma área aos 45 minutos do segundo tempo. O camisa 7 cobrou para a área, o goleiro do United disputou no alto, a defesa afastou para a entrada da área, onde Giggs chutou todo errado e por um acaso, a bola encontrou Sheringham livre para empurrar para as redes. Ferguson parecia não acreditar, não sabia para onde correr.

Pouco depois, outro escanteio. A torcida se empolgou. Beckham cobrou, a bola desviou e sobrou para Solskjaer colocar o pé na história do clube. 2 a 1. Aconteceu um terremoto em Barcelona. Houve de tudo, torcedor chorando, gritando, sinalizador, Schmeichel dando cambalhotas e os jogadores do Bayern deitados no chão desolados enquanto o arbitro Pierluigi Collina pedia para que os mesmos se levantassem para recomeçar a partida. Após isso, passaram-se alguns segundos e o italiano apitou o fim do jogo.

O que foi 1999 para as equipes?

O Bayern Munchen venceu a Bundesliga, no fim a vantagem foi de 15 pontos para o Leverkusen. Além desse título venceu Taça da Liga Alemã. Os Bávaros viam na Champions daquele ano a chance de encerrar um jejum de 23 anos. Segundo Lothar Matthäus aquele foi o pior momento em toda a sua carreira.

O Manchester United ganhou a tríplice coroa. Venceu a Premier League com um ponto de vantagem para o segundo colocado Arsenal. O artilheiro da competição foi Dwight York, com 18 gols. O título da FA Cup também foi sofrido, na semifinal venceu o Arsenal na prorrogação do jogo desempate com um belo gol de Giggs. Na final bateu o Newcastle. Depois do título da Champions, a equipe venceu o Intercontinental contra o Palmeiras. Alex Ferguson ganhou o título de “Sir”.

Vídeos sobre a partida:

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