Em 1979, Paraguai faturou o seu primeiro título da Libertadores em final contra a Argentina
(Foto: Divulgação)

Nesta quarta-feira (13), chega enfim o dia de Nacional San Lorenzo decidirem o título da Copa Libertadores da América de 2014. Após um empate em 1 a 1 no jogo de ida, o vencedor da partida derradeira do torneio será o mais novo integrante do grupo dos campeões continentais.

Paraguai, se não pode se comparar as maiores potencias sul-americanas, tem uma história razoável na Libertadores. Toda ela, porém, centralizada em um time. Todos os três títulos e os quatro vices do País no certame foram conquistados pelo Olimpia.

Para a Argentina, por outro lado, sobram glórias e conquistas. Maior campeão, o país coleciona 22 títulos com sete equipes diferentes nas 55 edições do torneio. Dessas sete equipes, quatro mais o Newells Old Boys ganharam os nove vice-campeonatos dos hermanos na competição.

Apesar das histórias bastante diferentes, paraguaios e argentinos guardam alguns confrontos de relativo destaque. O maior deles foi em 1979, quando os dois países duelaram pela primeira vez em uma final de Libertadores.

Maior time do Paraguai volta a colocar o país na final da Libertadores

A Copa Libertadores da América de 1979 foi disputada, tal como nos anos anteriores, por 21 times. Cada um dos 10 países filiados à Conmebol cedeu os dois primeiros colocados de seus campeonatos nacionais para a competição e o Boca Juniors, por ser o então bicampeão, foi o 21º participante e que entraria direto na fase semifinal.

Na fase de grupos, as 20 equipes eram divididas em cinco grupo de quatro equipes onde só o primeiro colocado avançaria na competição. Mais: cada grupo seria formado por dois países, ou seja, pelos dois representantes de um país e por dois do outro.

Um ano depois de conquistar o 24º título nacional, o Olimpia chegou à Libertadores como o maior time do seu país. Não só por ter a maior torcida ou ser o maior campeão, mas também por ser o único paraguaio a ter disputado o título. Foi em 1960, logo na primeira edição, quando os alvinegros caíram para o Peñarol.

Os dois times paraguaios foram sorteados ao lado dos representantes bolivianos. Assim, o Grupo 2 foi formado por Olimpia, Sol de America, Bolívar e Jorge Willsterman. Como dito anteriormente, apenas o primeiro colocado avançaria para a semifinal.

A primeira rodada foi destinada aos jogos locais. Jogando em casa, o Olimpia venceu o Sol de America por 2 a 1, ao passo que o Bolívar goleou o Jorge Willsterman por 4 a 0. Na segunda rodada, os dois vencedores repetiram a dose batendo, respectivamente, Jorge Willsterman (0 a 2) e Sol de America (4 a 1).

Os dois confrontos entre Olimpia e Bolívar seriam, então, cruciais para a definição da vaga. Na sempre temida altitude de La Paz, os paraguaios foram derrotados pelo Bolívar por 2 a 1 e caíram para o segundo lugar.

O alviazul de La Paz provou que não estava na Libertadores a passeio. No primeiro jogo do returno, goleou o Jorge Willsterman por 6 a 0, mas, no entanto, perdeu a chance de praticamente se garantir na semifinal ao empatar em 2 a 2 com o Sol de America no Paraguai.

Enquanto isso, o Olimpia manteve-se vivo na competição ao vencer o conterrâneo paraguaio por 1 a 0 e o Jorge Willsterman por 4 a 2. Assim, os dois times chegaram à última rodada para fazer um confronto direto pela classificação, com o empate favorável ao Bolívar. Jogando em casa, em Assunção, os alvinegros não encontraram dificuldades, venceram por 3 a 0 e seguiram em frente.

Nas semifinais, dois grupos de três equipes definiriam os finalistas. No Grupo B, três times de três países diferentes brigariam pela única vaga na decisão: o campeão brasileiro, Guarani, o chileno Palestino e o paraguaio Olimpia.

O Olimpia abriu boa vantagem no primeiro turno. Somou quatro pontos ao vencer o Bugre por 2 a 1 e o Palestino por 2 a 0, abrindo três de vantagem para os concorrentes, que ficaram no zero a zero no Chile. Assim sendo, a vitória sobre a equipe chilena no Paraguai por 3 a 0 garantiu a classificação do Rey de Copas para a final com uma rodada de antecedência. Pela segunda vez, o Paraguai - e o Olimpia - estavam na final da Libertadores.

Boca caminha para o tricampeonato

Naturalmente o maior favorito ao título, o então bicampeão Boca Juniors entrou direto na semifinal da Libertadores. E não deu muita sorte, pois caiu no grupo mais difícil, ao lado do também argentino Independiente e do uruguaio Peñarol, então maior campeão do torneio.

Depois do empate entre os carboneros e os alvirrubros no Centenario, em Montevidéu, o Boca Juniors estreou com uma vitória magra sobre o Peñarol por 1 a 0 na Bombonera e tomou a ponta do Grupo A.

A liderança, porém, logo foi perdida quando, em Avenalleda, os xeneizes foram derrotados pelo Independiente também por 1 a 0. Ao final do primeiro turno, o Independiente somava três pontos, o Boca dois e o Peñarol, um.

O Independiente deu outro passo enorme para a final ao bater novamente os aurinegros do Peñarol, agora em casa. Bastava um empate em La Bombonera para garantir a classificação. O Boca, porém, anotou 2 a 0 e passou a depender só de si para se classificar.

Era vencer o já eliminado Peñarol e partir para mais uma decisão. No entanto, o zero a zero provocu um jogo desempate entre os dois times argentinos, que terminaram com cinco pontos cada um. Por ter melhor saldo de gols, o Boca pode jogar na Bombonera e, com uma vitória simples por 1 a 0, seguiu em frente rumo ao tricampeonato.

Olimpia faz valer o mando de campo, segura a pressão da Bombonera e é campeão da América

O Boca Juniors carregava o favoritismo na final. Não só por ser o atual bicampeão, mas também pelo grande time que tinha. Vencedor da Copa Intercontinental de 1977 - e detentor do título de 78 por falta de concorrentes -, o time argentino tinha um escrete de respeito.

No gol, estava o excêntrico Hugo Gatti, exímio pegador de pênaltis e um dos maiores da história do futebol argentino em sua posição. Na lateral-direita, o valente Vicente Pernía que conquistou a torcida com sua raça e força de vontade em campo.

Os zagueiros Bordon e davam segurança tendo na experiência e na calma seus pontos positivos. Fechando a zaga, o lateral-esquerdo Tarantini conferia velocidade ao time com rápidas ligações ao campo de ataque.

O time ainda contava com xodós da torcida como os meio-campistas Mouzo e Suñé, além do craque Benítez, o grande nome do bicampeonato de 1977 e 1978. Zanbria e Veglio eram os responsáveis pelas tabelas que culminavam em boas oportunidades para a implácavel dupla de ataque formado Mastrangelo e Felman, posteriormente substituído por Perotti.

O Olimpia também tinha os seus bons valores. No gol, Ever Almeida se consagrou como um dos melhores goleiros paraguaios de todos os tempos. Solalinde, Paredes e Sosa eram praticamente insuperáveis na zaga.

No meio-campo, era Luis Torres quem segurava as pontas com seu talento impressionante na marcação. Assim, Michelagnoli, Kiese, Isalase, Tavallera, Aquino e Villalba tinham liberdade para, de acordo com suas características, brilharem e balançarem as redes dos adversários.

No primeiro jogo, o Olimpia fez do Defensores Del Chaco um aliado para assustar o poderoso Boca Juniors. Em 27 minutos, o placar de 2 a 0 deu aos paraguaios a segurança necessária para administrar o resultado e, no jogo de volta, segurar o zero a zero em plena Bombonera para, enfim, dar ao Paraguai um título de campeão da Libertadores.

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