De volta à elite do futebol argentino, Independiente vence clássico de Avellaneda contra o Racing
Foto: Divulgação/Independiente

Depois de uma longa temporada, a Argentina voltou a viver a emoção de um de seus maiores clássicos. Em Avellaneda, pela 5ª rodada do Torneo de Transición, Independiente e Racing voltaram a medir forças, no Libertadores de América, campo do Rojo. E foram os donos da casa, recém regressos à Primera División, que levaram a melhor, vencendo por 2 a 1, de virada. Diego Milito abriu o placar para La Academia, enquanto Penco e Mancuello viraram o jogo para os Diablos Rojos.

O jogo foi bastante equilibrado, nenhuma das equipes demonstrou grande superioridade ao longo dos 90 minutos, mas o Independiente foi muito mais eficiente, se aproveitando das grandes dificuldades que o Racing tem no jogo aéreo defensivo, defeito recorrente da equipe nas últimas temporadas. Ambos os gols surgiram em bolas alçadas à área da Academia, e outros dois gols poderiam ter sido marcados da mesma forma, não fossem intervenções brilhantes de Saja.

No histórico do clássico, o Independiente aumentou sua vantagem para 23 vitórias na era profissional. Em 182 jogos, o Rojo tem 71 vitórias (289 gols), enquanto La Academia tem apenas 48 (241 gols), com 63 empates.

Na tabela, o resultado deixa o Independiente com os mesmos 9 pontos do Racing, ocupando a 5ª e 6ª colocação, respectivamente, empatados em todos os critérios, à exceção, claro, do confronto direto. Na próxima rodada, o Independiente irá enfrentar o Banfield, fora de casa, às 20h30 do próximo sábado (6), enquanto o Racing receberá o Lanús, às 17h15 do domingo (7).

Milito marca, mas o Independiente vira em apagão defensivo do Racing

Os primeiros minutos do clássico 182 entre Independiente e Racing foram de muito estudo no Libertadores de América. A postura do time visitante era um pouco mais propositiva, buscando ocupar melhor os espaços no campo adversário, se aproveitando de uma melhor compactação tática e explorando muito os espaços às costas de Escudero, um lateral de origem, mas que escalado na ala-esquerda do 3-4-1-2 de Almirón parecia perdido. O lado direito de ataque claramente era a melhor alternativa da Academia, utilizando Gastón Díaz como válvula de escape, sempre muito eficiente.

O Rojo não conseguia manter a posse de bola, e sofria com a marcação adiantada do seu adversário. A postura um pouco mais resguardada do Rey de Copas cobraria seu preço aos 13 minutos de jogo. Depois de puxar completamente a marcação do Independiente para a esquerda, Gastón Díaz achou uma bela inversão para Centurión, que passou de viagem pela marcação e deu assistência perfeita para Il Principe Milito, que fuzilou Rodríguez para abrir o marcador. Os defensores até reclamaram impedimento, mas na sequência foram os jogadores do Racing que protestaram, quando o árbitro Rapallini deu cartão amarelo para o camisa 22 de La Academia, por exagerar na comemoração do gol.

Após o gol, o Racing ainda teve cerca de 5 minutos de controle de jogo, muito porque o Independiente sentiu a desvantagem no placar. Quando os donos da casa conseguiram botar a cabeça no lugar, passaram a trabalhar melhor as jogadas, contando com aparições de seu enganche Montenegro, centro técnico da equipe. No entanto, quem decidiu foi o meia-esquerda Mancuello, que em dois minutos, deu assistência para o empate e marcou o gol da virada do Rojo. Aos 24 minutos, uma cobrança de falta perfeita do lado direito encontrou a ponta do pé do centroavante Penco, que desviou de Saja para empatar o placar. Não deu nem para o Racing absorver o golpe: Gómez cruzou da direita, e Mancuello contou com uma saída de gol muito ruim de Saja para empurrar para as redes. Loucura no Libertadores de América.

Dali em diante, o Independiente foi quem recuou, esperando um nervoso Racing praticamente atrás da linha da bola. O jogo ficou truncado, com chegadas ríspidas de parte a parte, o que prejudicou totalmente fluência da partida. O Racing teve uma baixa importantíssima, com o autor do gol, Diego Milito, sentindo lesão muscular, e dando lugar a Gustavo Bou, ex-Gimnasia La Plata, enquanto o Independiente também precisou trocar por lesão, com a saída de Escudero, com passagem pelo futebol brasileiro, por Vidal. Nos minutos finais, Acevedo arriscou da entrada da área, e Bou não conseguiu aproveitar o rebote de Rodríguez. O 2 a 1 da etapa inicial premiava um Independiente mais eficiente.

Independiente administra bem a vantagem para garantir a vitória

O Racing voltou para a etapa complementar com uma postura mais agressiva, para buscar no mínimo o empate, enquanto o Independiente parecia mais organizado para explorar os contra-ataques. Antes dos 10 minutos, Almirón sacou Montenegro para a entrada de Pisano, jogador mais movediço, justamente para aproveitar os espaços que a defesa da Academia fatalmente daria. No primeiro lance, o ex-Chacarita Juniors arranjou uma falta na entrada da área que Mancuello, sempre ele, cobrou com maestria, acertando o poste de Saja. E então, a confiança tomou conta do Rojo, que ficou alguns minutos bem posicionado à frente, não deixando seu adversário se soltar.

Depois dos 15 minutos, o Racing finalmente partiu para cima, mas sem qualquer inspiração, não conseguia chegar na área do Independiente. Nem perto. O que o time de Cocca conseguia fazer era tentar alçar bolas na área roja, onde Rodríguez era soberano, e arriscar chutes de longe, invariavelmente executados de forma muito ruim. Um dos melhores do Independiente, Mancuello, foi outro que deixou o campo lesionado, para a entrada do jovem Figal, deixando os donos da casa relativamente deficitários na bola parada. Relativamente, pois em duas bolas paradas na sequência, Saja precisou fazer dois milagres, em cabeçadas dos zagueiros Tula e Cuesta.

Os visitantes foram ter uma chance clara somente aos 24 minutos, quando após falha da defesa do Independiente, Grimi cruzou da esquerda e Hauche, sozinho, na marca do pênalti, cabeceou mal, à esquerda do gol de Rodríguez. A partir daí, o Rojo abdicou do jogo, enquanto o Racing apenas tentava chegar no campo de ataque com muita ligação direta e nenhuma criatividade. As entradas de Acuña e Villar pouco ajudaram a equipe de Diego Cocca, que inverteu Centurión da esquerda para a direita, ajustou o sistema tático para espelhar com os donos da casa, também sem sucesso.

Na reta final do clássico, vendo que o Racing não conseguiria levar muito perigo, o Independiente tratou de tentar matar o jogo. Aos 41 minutos, Penco recebeu ótimo passe, invadiu a área, mas chutou longe do gol de Saja. Deu tempo de termos um princípio de confusão, mais alguns cruzamentos na área do Independiente, mas nada que estragasse a festa do Rojo no primeiro clássico após seu retorno à elite do futebol argentino. Paternidade roja um pouco mais ampliada.

Outros resultados na 5ª rodada do Torneo de Transición 2014

Gimnasia y Esgrima La Plata 2-0 Godoy Cruz
Defensa y Justicia 1-3 Rosario Central
Newell's Old Boys 1-0 Estudiantes
Belgrano 3-0 Atlético de Rafaela

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