O dia em que o Futebol ficou no segundo plano em Paris

Stade de France. Estádio construído na década de 90, na capital francesa Paris. Lugar que ainda causa pesadelos nos brasileiros e, ao mesmo tempo, é considerado sagrado por muito dos locais, afinal foi lá que Les Bleus levantaram seu primeiro e único título mundial ao vencerem a Seleção Brasileira na decisão da Copa do Mundo de 1998 por três a zero. Acostumado a ser palco de verdadeiras batalhas e espetáculos futebolísticos, na noite desta sexta-feira 13 de novembro de 2015, porém, o estádio serviu para um fim totalmente inusitado na história.

A seleção local enfrentava a campeã mundial - Alemanha - em uma partida amistosa, válida como preparação para a Eurocopa do próximo ano. Com exceção da habitual rivalidade - em certos momentos até agressiva - entre as duas torcidas, o ambiente parecia favorável para o desenvolvimento do bom e pacífico esporte com milhões de apaixonados: o Futebol.

Nos dias que antecederam a realização da partida, rumores de um atentado terrorista eram espalhados pela cidade. Entretanto, sem a devida atenção dada pelos governantes. Logo na manhã que antecedeu o jogo, os jogadores alemães tiveram de deixar o hotel, onde haviam passado a noite, por conta de uma ligação anônima feita à direção do Hotel Molitor às 9 horas e 50 minutos da manhã. A boa alma que havia ligado os alertou sobre um plano de atentado terrorista no local onde os alemães descansavam.

A delegação da Alemanha foi evacuada às pressas e rapidamente a polícia local foi chamada. Depois de cerca de duas horas, com direito à interdição do hotel e cães farejadores em busca de explosivos em potencial, a seleção alemã foi autorizada a retornar. Felizmente, o incidente não tomou maiores proporções e não teve nenhuma vítima.



No entanto, o dia estava longe de acabar. À noite, o amistoso entre alemães e franceses teve início. 16 minutos após o apito inicial, ouviu-se - e sentiu-se - uma forte explosão tanto do lado de fora, quanto de dentro do estádio. Ao sentir a ameaça, o presidente da França, François Hollande, que estava prestigiando a partida, retirou-se do lugar. O representante francês era considerado um dos alvos primários da sequência de atentados que ainda sacudiria a noite e tiraria o sono dos parisienses.

Contagiados pelo calor do momento, a massa de 80 mil torcedores que assistia ao jogo não percebeu - ou não deu atenção - ao barulho da primeira explosão. Passados menos de dois minutos, quando o veterano lateral Patrice Evra conduzia a bola no lado esquerdo do campo, ouviu-se outra explosão. Após realizar o passe, o jogador francês chegou a olhar para as arquibancadas a fim de procurar pela origem do som. Porém, não passou disso. A partida seguiu normalmente sem nenhuma interrupção até o apito final.



A França havia batido os campeões mundiais - e mais do que isso, se vingado da derrota nas quartas de final da Copa do Mundo do ano passado. Mas, a felicidade não se estendeu noite adentro como era plano de muitos lá presentes. Cenas lamentáveis nas quais o terror e, principalmente, o medo da morte predominava, aguardavam os torcedores fora do estádio.

Parte destes arriscaram a vida na tentativa de retornar aos seus lares no cenário de guerra que dominava as ruas de Paris. Já os que decidiram voltar ao Stade de France foram recebidos de braços abertos pela organização, que reabriu os portões para que se pudesse esperar até a poeira baixar. Agora, no gramado do estádio, era outra sensação que se espalhava: a angústia.

Horas após o término da partida, ouvia-se La Marseillaise nos metrôs de Paris cantadas pelos franceses. A felicidade, ao contrário do comum, não era de mais uma vitória da seleção nacional dentro das quatro linhas. Era da sensação de ter sobrevivido e poder usufruir da vida que por sorte ainda possuiam.

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