Decepcionado após eliminação, Gernot Rohr se diz orgulhoso pela Nigéria: "Deram o melhor"

Nigerianos estiveram muito perto de repetir a melhor campanha na história das Copas, quando chegaram às oitavas em 1994, mas perderam para Argentina já na reta final da partida

Dor e decepção. Não há palavras que definam de uma maneira mais verdadeira o sentimento dos nigerianos após a eliminação na Copa do Mundo. A derrota para a Argentina por 2 a 1 custou a vaga nas oitavas de final da competição, fato que seria histórico, já que apenas uma vez a Seleção da Nigéria conseguiu tal feito.

Em entrevista coletiva após o jogo em São Petersburgo, o treinador Gernot Rohr mostrou-se desapontado com o resultado, mas falou também sobre a personalidade que a jovem equipe deve adquirir após o dolorido revés. 

"Foi uma grande decepção, porque o meu time deu o seu melhor. Fez um grande segundo tempo, perdendo alguns minutos para estar classificado. Estou muito orgulhoso, jogaram muito bem. Falta experiência, temos um grupo jovem. Esse tipo de jogo é para construir o caráter do time. Em quatro anos estarão bem fortes ", afirmou. 

Rohr enalteceu o craque argentino Lionel Messi, autor do primeiro gol dos hermanos e criador da maioria das jogadas de perigo do time. 

"A resposta é simples: Lionel Messi. Quando ele está na direita, partindo para dentro, é importante ter um grande defensor, destro. No jogo contra a Islândia tínhamos um jogador mais ofensivo, Ebowe, que ainda precisa prender. Colocamos o Idowu porque é melhor marcador e ele foi bem contra o Messi. Vi o Messi fazer um gol, mas ele fez isso com o pé direito. Quando se enfrenta um grande jogador, é bom ter defensores. O que fizemos no segundo tempo foi bom, com Bryan Idowu, que pode jogar tanto na direita quanto na esquerda", frisou. 

O treinador comentou sobre o lance polêmico - pênalti em sua opinião - onde Marcos Rojo cabeceou a bola no próprio braço. O juiz da partida consultou o VAR e considerou lance normal. Além disso, fez questão de lamentar as chances desperdiçadas pela equipe africana quando a partida estava empatada em 1 a 1. 

"Houve um pênalti de novo. Acredito que foi mão no segundo lance. Não vi o vídeo. Mas é difícil decidir, para o árbitro, fazer uma boa interpretação do vídeo. Não é fácil. Poderíamos ter feito um gol de falta, foi por pouco centímetros, que definem uma vitória ou derrota. Nosso time teve dois pênaltis marcados contra. Hoje foi um para nós. Mas não foi o suficiente, infelizmente", lamentou.

Por fim, Rohr admitiu a superioridade dos sul-americanos, que pressionaram por grande parte do segundo tempo e foram coroados com o gol da classificação aos 40 minutos. 

"No fim, a Argentina estava pressionando. Contra jogadores assim, de grande qualidade, que jogam nos maiores clubes do mundo, isso é nível da Liga dos Campeões. Não estamos prontos para isso agora. Temos um time jovem, com alguns jogadores experientes. Foi também um pouco de sorte e nós não tivemos isso hoje", completou. 

Quem também deu entrevista coletiva foi o experiente camisa 10 nigeriano, John Obi Mikel. Se o técnico apenas comentou sobre o lance polêmico em que foi pedida a penalidade máxima, o jogador lembrou o pênalti marcado para o Irã na partida contra Portugal para justificar a revolta com a decisão do árbitro. 

"Não entendo como aquilo não foi pênalti. Para mim foi claro o lance. Se olhar o jogo de ontem, contra Portugal, foi bem parecido. Esse foi bem pior. Pegou na mão dele em cheio, mão aberta. Talvez o árbitro, por ter dado o primeiro pênalti, não quis dar o segundo. Mas pênalti é pênalti. Vimos de novo no vestiário, vimos claramente que foi pênalti. Ele tinha que ter dado, viu no VAR. Perguntei por que não deu pênalti? Ele assumiu que bateu, mas não soube explicar. Não tem muito o que dizer", contou.

Obi Mikel, que atuou por 10 anos no Chelsea e disputou três Copas pelo seu país (2010, 2014 e 2018), elogiou os jogadores da nova geração da Nigéria e lamentou estar vivendo os últimos momentos pela seleção.  

"Esse tem sido um dos melhores momentos da Nigéria, desde que cheguei. Principalmente em viagens, tudo tem dado certo. Bons voos, o que não acontecia antes. Temos segurança. Essa gestão tem ótima nisso. Estrutura, pagamentos, premiação. Acho que nos próximos quatro anos esse time vai estar realmente pronto para a Copa do Mundo. Se nos classificamos, podemos fazer grandes coisas. É uma pena que não podemos mais continuar essa extraordinária jornada. Mas temos que continuar seguindo em frente", destacou.