#EntrevistaVAVEL: volante Otávio conta sobre trajetória no Athletico e sua nova fase no Bordeaux
Foto: Divulgação / Bordeaux 

Otávio Henrique Passos Santos, de 26 anos, nasceu em Maceió, no estado de Alagoas. O jogador passou pela base do CRB, mas foi formado pelo Athletico Paranaense. Com a camisa do Furacão, disputou 172 partidas e marcou três gols. Além disso, conquistou três títulos pelo clube paranaense.

Em 2017, há cerca de três anos, foi vendido ao Bordeaux, da França. O clube francês desembolsou R$27 milhões para adquirir o volante, que já disputou 113 partidas pela equipe.

VAVEL Brasil: Como você avalia a importância de ter jogado parte de sua base no CRB?

Otávio: O CRB foi um momento de muita importância para o início da minha trajetória no futebol porque antes do clube alagoano eu só jogava futsal ou fut7. Foi lá que eu comecei a dar os primeiros toques no futebol de campo, junto com o professor Guilherme. O CRB foi fundamental e me ajudou nesse momento de transição e me fez sentir que era isso que eu queria para minha vida. Sem dúvidas o clube foi muito importante, sem contar os amigos e as pessoas que fiz lá no início da minha trajetória como jogador de futebol.

Quando você chegou no Athletico, aos 14 anos, não tinha tanta afinidade com a marcação. O que você achou essencial para o desenvolvimento dessa habilidade, se tornando um volante?

Eu comecei no CRB como atacante e depois fui para o Athletico Paranaense como meia, com 14 anos de idade. Eu era um jogador que jogava só com a bola e corria pouco para marcar, mas lá no Sul é um futebol muito forte de marcação e intensidade física. Com isso, eu tive que me adaptar e aprender a jogar sem a bola também, sendo mais obediente taticamente. Os professores me ajudaram e começamos a fazer trabalhos para que eu pudesse evoluir minha marcação e foi quando eu comecei a pegar gosto de jogar de segundo volante. Eu passei a fazer a diferença na marcação, ter qualidade da saída de bola e passes. Em geral, isso só cresceu minhas habilidades dentro de campo e fez com que eu evoluísse cada vez mais e se destacar no clube.

Dentre os títulos que você conquistou na base, qual foi o mais especial?

Eu conquistei títulos importantes dentro das categorias de base, mas sem dúvidas o principal e que mais me marcou não foi um título. Quando a gente chegou na semifinal da Copa São Paulo de Futebol Júnior, sentimos como é realmente jogar profissionalmente, mesmo sendo um campeonato da base. Foi ali uma das competições que eu mais senti essa emoção do futebol e de estádio lotado. Apesar do resultado não ter vindo, foi uma das experiências mais fantásticas que eu vive dentro da base. No profissional, o tricampeonato Paranaense dentro da casa do Coxa, nosso maior rival, foi o mais especial.

 Em 172 partidas pelo profissional do Furacão, você balançou as redes três vezes. Qual foi o gol e o jogo mais marcante em sua opinião?

Foram 172 só pelo profissional do Athletico que ficam guardados na minha memória diversos momentos. Momentos bons, ruins e que me fizeram evoluir dentro da minha profissão. Eles me prepararam e me deram o suporte para que quando eu chegasse aqui na Europa eu tivesse preparado para suportar todas as cobranças e diversidades. Além disso, usufruir e sentir o prazer de jogar futebol, que é tão maravilhoso. No Furacão, eu que sempre fui um volante de marcação e qualidade de passe, todos os gols são emocionantes. O que eu tenho um carinho especial foi sem dúvidas o contra o Criciúma, na reinauguração da Arena e estreia do Walter, que teve o maior publico do estádio até então. Outra partida que eu posso falar também, foi contra a Universidad Católica, que a gente se classificou de virada, em uma partida com três resultados diferentes. Foram 172 partidas de muita história, carinho, dedicação, evolução, que ficará para sempre guardado dentro do meu coração.

No ano de 2017, como você se sentiu quando recebeu uma proposta do Bordeaux, um grande clube francês?

Foi uma alegria grande porque é um clube de uma grande história aqui na Europa. Eu sempre tive o sonho de jogar na Europa, e quando recebi a proposta do Bordeaux foi um momento de realização e de mais um degrau que estava subindo na minha carreira. Tenho o objetivo de marcar meu nome dentro da história de um clube europeu e conquistar títulos e coisas que todo atleta sonha.

Com mais de 100 partidas disputadas na Europa, como você diferencia o futebol francês do futebol brasileiro?

Sem dúvidas uma das grandes diferenças que a gente sente é a grande intensidade do futebol europeu, especialmente no Campeonato Francês. O futebol francês é de muita força, dinâmica e tática, que é uma das coisas que senti mais diferença com o futebol brasileiro. Fico muito feliz de estar cada vez mais adaptado e feliz dentro do clube. Tenho meus objetivos pessoais, mas também os coletivos que desejo conquistar dentro do clube.

Atualmente, com 26 anos de idade, qual são os seus próximos objetivos no Bordeaux? E em sua carreira no geral?

Sobre meus objetivos, eu venho cada ano que se passa, venho colocando metas. Eu ainda tenho a meta de conquistar títulos pelo Bordeaux e deixar cada vez mais meu nome na história do clube. Quero ser aquele jogador que passou e deixou seu legado no clube. Eu espero que eu possa conquistar outros objetivos e alcançar outros degraus da minha vida e estar evoluindo sempre. E se for o caso ser vendido para outro clube da Europa, mas sem dúvidas eu estou muito feliz no Bordeaux, com tudo que venho conquistando. Eu espero que esse ano seja de muitas conquistas, apesar das dificuldades enfrentadas por conta da pandemia, que nós possamos nos realizar em nosso cenário profissional, conquistar os frutos que estamos tentando. Com certeza, no final da temporada, glorificar a Deus por mais um ano de conquistas e evoluções tanto individuais quanto coletiva com o Bordeaux. Reforçando novamente, meu maior objetivo é deixar meu nome marcado dentro da história do clube.

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