Em programa de TV, Aldo Rebelo não explica os problemas do esporte nacional e vira motivo de piada
Por várias vezes, Aldo Rebelo causou risos dos jornalistas (Foto: Reprodução)

Na última segunda-feira, o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, para falar sobre as obras para as duas competições internacionais que serão sediadas no Brasil – Copa do Mundo de Futebol, em 2014 e Jogos Olimpícos do Rio de Janeiro, em 2016.

Em uma hora e meia de debate, o Ministro dos Esportes se mostrou confuso nas respostas sobres obras e o legado dessas competições, que já colocam o Brasil nos holofotes do mundo todo. Durante o debate, Aldo Rebelo falou algumas frases marcantes, algumas vezes arrancando risos dos jornalistas presentes no estúdio.

Logo no começo, o Ministro do Esporte, quando questionado sobre os benefícios das competições, disse que o Brasil não poderia perder a chance de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. E ainda afirmou: “A Copa do Mundo e as Olímpiadas vão gerar mais de 3,6 milhões de empregos, é mais que um Uruguai, de empregos”.

A respeito da Copa das Confederações - que acontece no meio deste ano - o Ministro se mostrou otimista em relação aos estádio que ainda não estão prontos, mas, que segundo ele, devem ser entregues ainda em abril. Já sobre o término das obras para a Copa do Mundo, no ano que vem, Aldo afirmou que os estádios que não participarem da Copa das Confederações, devem ser entregues até dezembro deste ano.

E a primeira das várias frases marcantes de Aldo Rebelo aconteceu quando o Ministro dos Esportes respondeu sobre o Brasil estar ou não preparado para receber os dois eventos. “Desde a vinda da família real portuguesa, o Brasil está acostumado a receber grandes eventos”, pontuou Rebelo, arrancando risos dos jornalistas.

Pouco tempo depois, o Ministro ainda afirmou que o problema dos aeroportos do país não são a sua capacidade de receber os passageiros e sim a logística de operação desses locais, e que o Brasil não precisa esperar a Copa do Mundo para resolver esse problema.

Quando questionado sobre os custos da Copa do Mundo – que a princípio custaria 23 bilhões, sendo 5 bilhões com estádio (esse valor já está em mais de 7 bilhões e existe a chance de chegar a 8 bilhões) – Aldo Rebelo disse que o dinheiro que está sendo repassado pelo Governo é através do BNDES, em forma de empréstimos e não uma “doação” para a obra.

Já quando foi questionado sobre a possível reforma do Maracanã no período "pós Copa do Mundo" e antes do Rio-2016, o Ministro “abusou” do conhecimento da história do futebol brasileiro e foi buscar na década de 40 o “ódio” ao estádio que segundo ele, continua perseguido até os dias de hoje.

Outra resposta que surpreendeu os jornalistas que estavam no estúdio foi a respeito da “nota” que ele daria ao país na preparação para a Copa do Mundo. “Nota 9” respondeu o Ministro, depois de apontar suas justificativas para a avaliação "pra lá" de positiva.

E tentando “enrolar” os jornalistas, por diversas vezes, Aldo Rebelo usou de argumentos totalmente fora do contexto para responder algumas perguntas mais polêmicas. Em um desses casos, o Ministro dos Esportes usou o pentacampeonato de futebol para falar da eficiência do país em construir e organizar a Copa do Mundo.  Em outra resposta, disse que Wembley era um “templo da cerveja em Londres”.

Futebol e Política

O ministro Aldo perdeu o “rumo” quando perguntado sobre o peso de sediar a Copa do Mundo, justamente em um ano de eleição para presidente do Brasil, e se a Presidente Dilma, havia conversado com ele a esse respeito. O ministro se irritou e respondeu com outra pergunta:  “Queria o que? Que mudássemos o ano da eleição?”.

Enquanto os problemas com as telecomunicações e a instalação do 4G já está tirando o sono das operadoras e dos responsáveis pela Copa das Confederações, o Ministro, preferiu criticar a internet dos Jogos de Londres e encerrou com uma resposta padrão: “O governo assegura que esse compromisso [4G funcionando na Copa das Confederações] será cumprido”.

Quando questionado sobre a mudança na lei – que durante a Copa do Mundo permite a venda de cerveja nos estádios – o Ministro não admitiu que leis foram “alteradas” por conta de interesses comerciais, já que um dos patrocinadores da Copa do Mundo é uma marca de cerveja, e para tentar “comparar” disse que isso não é quebrar a soberania nacional e que se fosse, os carros da Fórmula Indy – que possui uma prova nas ruas de São Paulo – também seriam, já que passam na Marginal a 300km/h sendo que o limite de velocidade é 60km/h, levando os jornalistas novamente ao riso.

E ainda inspirado, o Ministro comparou a Fifa com a ONU, e disse que a instituição máxima do futebol está “à frente”, pois já conseguiu resolver o problema entre a Palestina e Israel - que disputam as eliminatórias - enquanto a ONU ainda não o fez.

E a frase mais marcante do Ministro do Esporte foi a respeito das verbas para as duas competições. “Não tem nada no Brasil mais fiscalizado e controlado que o dinheiro público destinado para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas”, disse Aldo Rebelo.

Clima Quente

O clima só esquentou no estúdio da TV Cultura, quando um jornalista perguntou a respeito dos estádios em Cuiabá e Manaus - visivelmente irritado - Aldo Rebelo atacou os jornalistas: “é o típico olhar distante, preconceituoso...”, "do sudeste contra o norte/nordeste" completou outro jornalista já rindo do Ministro, que continuou argumentando sobre o motivo da escolha das sedes e citando os Bandeirantes que fundaram Cuiabá e Raposo Tavares que foi a pé até Manaus.

Ainda nessa discussão, o Ministrou afirmou: “Se você vivesse na época dos holandeses, você ia achar que nem devia expulsá-los do Nordeste”.  E para terminar, o Ministro acabou falando sobre o clube “de coração” de um dos membros da mesa: “Vocês que são tão viajados, internacionalizados, tem até quem torça para times argentinos aqui”, disse Rebelo, querendo atacar um dos jornalistas, que perguntou qual a relevância daquilo no debate.

Na sequência dessa confusão, Aldo Rebelo ouviu um dos jornalistas falando sobre a situação do estádio de Leiria-POR que pode ser implodido por não gerar lucros, apenas prejuízos, e afirmou que o Brasil se separou de Portugal ainda em 1822, causando muitas risadas dos jornalistas.

Engenhão

Sobre o Engenhão, Aldo Rebelo novamente se complicou, ao dizer que a construção do estádio não foi “perdida” – apesar de estar interditado 6 anos depois da inauguração - já que os clubes do Rio precisavam de um lugar para mandar os seus jogos durante a reforma do Maracanã.

Rio-2016

A respeito dos Jogos Olímpicos de 2016, o Ministro disse que apesar das obras não estarem “a todo vapor”, o governo está tranquilo no que diz respeito ao calendário e ao cronograma de execução – inclusive o autódromo de Deodoro [que ainda não saiu do papel].

E sobre a infraestrutura, o Ministro afirmou que a construção de quadras poliesportivas até 2016 serão apenas um dos legados do Rio/2016. 

Quem quiser conferir a entrevista completa: Aldo Rebelo no Roda Viva

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