Botafogo 2013: campeão carioca e a vaga para a Libertadores
(Arte: Marcello Neves/Vavelcom)

Atípico. Assim pode ser definido o ano de 2013 para o Botafogo de Futebol e Regatas. Depois de ter conquistado os dois turnos do Campeonato Carioca (Taça Guanabara e a Taça Rio), o Glorioso começou bem a campanha no Campeonato Brasileiro. No entanto, na reta final, por conta da queda de rendimento de alguns jogadores, quase ficou fora da tão sonhada vaga para a Libertadores. Nesta retrospectiva, a VAVEL Brasil comenta em detalhes o ano do Alvinegro.

Contratações pontuais

Mesmo tendo um elenco forte, a diretoria fez contratações precisas, tendo em vista reforçar mais o seu plantel. O lateral Júlio Cesar, ex-Fluminense e Grêmio, chegou para substituir Márcio Azevedo, assim como a chegada do zagueiro Bolívar, e também dos atacantes Rafael Marques e Elias, que vieram para surprir as vagas deixadas por Herreira e Loco Abreu.

Já com um padrão tático de jogo, o técnico Osvaldo de Oliveira não teve problemas para adaptar os novos comandados e assim, conseguiu fazer com que rapidamente tivessem o entrosamento. A principal peça, que no seu começo foi bastante questionada pela falta de gols, foi o atacante Rafael Marques, que aos poucos foi conquistando seu espaço e foi um dos destaques do Glorioso em 2013.

Dória e Bolívar: Segurança em dose dupla

Após ter dores de cabeça com Antônio Carlos e Fábio Ferreira, a torcida alvinegra no ano de 2013 não teve do que se queixar se tratando da sua dupla de zaga. O entrosamento entre o jovem zagueiro Dória, de 18 anos e do experiente Bolívar, de 32, aconteceu mais rapidamente do que todos esperavam.

O jovem zagueiro após uma péssima campanha com a Seleção sub-20, deu a volta por cima e de quebra conseguiu uma vaga na Seleção Brasileira principal. Já o xerife Bolívar, ex-Internacional, chegou ao clube sob desconfiança, mas logo em sua estreia fez gol e desde de então, a zaga botafoguense vem sendo a menos vazada.

A conquista do Estadual: O fim da desconfiança

A torcida do Botafogo, sempre muito desconfiada, não apostava muito no elenco para este Estadual. E realmente, nem a imprensa esportiva dava ao Glorioso o favoritismo para o título do Campeonato Carioca. Mas mesmo assim, o time se superou e fez uma campanha excelente, vencendo o Flamengo na final da Taça Guanabara e o Fluminense na final da Taça Rio.

Na Taça Guanabara, o Alvinegro estreou vencendo o Volta Redonda pelo placar de 3 a 0. Foi o início da regularidade que o Fogão teve durante boa parte de 2013. Ao todo, em oito partidas, foram quatro vitórias, três empates e apenas uma derrota, terminando o turno com 15 pontos, um atrás do líder Vasco.

Na Taça Rio, a campanha foi bem melhor. O time estreou no turno também como uma goleada, desta vez em cima do Quissamã e continuou tendo a regularidade. O Glorioso terminou o turno de forma invicta, sendo sete vitorias em sete jogos. Uma campanha de dar inveja aos rivais.

Campeonato Brasileiro: Os altos e baixos

O primeiro turno do Brasileirão para o Botafogo refletiu a boa campanha no Carioca. O Alvinegro estreou empatando com o Corinthians em 1 a 1 em São Paulo. Portanto, manteve a regularidade durante todo o turno. Em 19 partidas, foram apenas três derrotas e dez vitórias, sendo seis empates. Chegando a ser líder em boa parte do Campeonato Brasileiro.

No entanto, o Alvinegro teve uma queda brusca de rendimento no segundo turno, ficando até fora dos quatro primeiros colocados. Os principais motivos desse mau rendimento no returno foram: a venda de Vitinho e o mau rendimento de Seedorf. Além disso, teve as contusões do lateral Lucas e do volante Renato, peças fundamentais no esquema implantada pelo Oswaldo de Oliveira.

No returno, em 19 partidas, a equipe alvinegra conquistou sete vitórias, quatro empates e oito derrotas. Campanha totalmente inferior a do primeiro turno. Por conta disso, o Glorioso correu sérios riscos de ficar fora da Libertadores. A concretização da vaga viria na última rodada, quando o Botafogo venceu o Cricíuma. Mas como a Ponte Preta estava na final da Sul-Americana, caso o time paulista vencesse, tomaria a quarta vaga que pertencia aos cariocas. Por sorte, a Macaca não foi campeã e o Alvinegro conseguiu a vaga para disputar a Libertadores em 2014.

Planejamento para 2014: A saída de Oswaldo de Oliveira e a aposta em Eduardo Húngaro

Com a missão cumprida, o técnico Oswaldo de Oliveira encerrou o seu ciclo no Botafogo. Contratato em 2011, o treinador dirigiu o time em 133 jogos, sendo 64 vitórias, 38 empates e 31 derrotas. A diretoria queria renovar seu contrato para a disputa da Libertadores, mas o treinador já mostrava sinais de cansaço no clube e nunca foi unanimidade entre a torcida, que amenizou as críticas ao longo do ano.

Para cortar custos, a diretoria decidiu apostar no auxiliar de Oswaldo. Eduardo Húngaro chegou ao clube em setembro de 2009, para treinar a categoria mirim. Depois de passar também pelo infantil do Glorioso, foi convidado para assumir os juniores em dezembro de 2010. Ficou por lá até maio de 2012, quando foi puxado para ajudar Oswaldo nos profissionais. Sem qualquer experiência, o novo comandante não terá tarefa fácil. Lembrando que o Botafogo disputará em Janeiro, a Pré-Libertadores.

Para substituir uma possível ausência de Seedorf ano que vem, a diretoria alvinegra já acertou a contratação do meio campo Jorge Wagner que desde 2011, defendia o Kashiwa Reysol, do Japão. Depois de realizar os últimos exames médicos, o jogador assinou contrato de um ano com o Glorioso.

Melhor Jogo: Botafogo 3 x 0 Críciuma, 38ª rodada

Foi o jogo do ano, talvez da vida do Botafogo. Só a vitória interessava naquele momento, pois corria sérios riscos de ficar fora do G-4. Com gols de Seedorf, Elias e Lodeiro, o Fogão fez a sua parte e garantiu a vaga entre os quatro primeiros colocados, que era o seu principal foco em 2013.

Pior Jogo: Cruzeiro 3 x 0 Botafogo, 22ª rodada

Pela fase em que o Botafogo estava, este foi o pior jogo do Glorioso em 2013. O duelo entre o líder e o vice-lider da competição foi de emoção durante os 90 minutos. Além do Seedorf ter perdido o pênalti, o Cruzeiro, com gols de Nílton e Júlio Baptista (2x), atropelou o Botafogo e se distanciou ainda mais dos seus concorrentes na briga pelo título.

Os melhores de 2013

Jefferson: Experiente e goleiro de Seleção Brasileira, o goleiro sempre passou confiança tanto para a torcida quanto para os jogadores. Caracteriza-se pela experiência e pela simplicidade. Será peça fundamental em 2014.

Seedorf: O holandês com toda a sua capacidade técnica, deu uma cara nova ao meio campo do Botafogo. Com gols e assistências, ajudou o time a se classificar para a Libertadores.

Rafael Marques: Artilheiro do Botafogo em 2013, o atacante se consagrou após um começo muito ruim. Ganhou a confiança de Oswaldo de Oliveira e contribuiu muito para a boa fase alvinegra.

Os piores de 2013

André Bahia: Sem espaços com as boas fases de Dória e Bolívar, o zagueiro quando entrou não mostrava a segurança que a torcida alvinegra estava acostumada. Marcou um gol contra no empate em 1 a 1 contra o Goiás no Mané Garrincha.

Bruno Mendes: Destaque na reta final do Campeonato Brasileiro de 2012, o atacante não teve o mesmo desempenho em 2013. Perdeu espaços com as chegadas de Rafael Marques e Elias.

Renato: Era peça fundamental no Botafogo, mas perdeu espaços devido a contusão que teve na coxa. Sendo assim, teve poucas oportunidades para contribuir em 2013.

Análise final

O Botafogo teve um ano surpreendente em 2013, muito por causa do excelente trabalho de Oswaldo de Oliveira. Mesmo com a venda de Vitinho e Fellype Gabriel, conseguiu montar uma equipe competitiva. 2014 será o ano chave para o Glorioso, pois terá a chance de disputar uma Libertadores, após 18 anos de espera. Será de muito agrado caso o Seedorf venha a permanecer no clube, não só pela sua liderança dentro de campo, mas tambem pela experiência e tranquilidade que o Alvinegro irá precisar e muito para que 2014 seja mais um ano de glórias.

VAVEL Logo