Série A 2014: Sport Club Internacional
D'alessandro comemora seu gol contra o Grêmio (Foto: Jeremias Wernek/UOL)

Tricampeão brasileiro, o único a vencer um campeonato sem perder uma partida. Esse é o Internacional que, após campanhas medianas, onde chegou a brigar por rebaixamento em 2013, montou uma equipe reformulada, onde apenas conservou três titulares do último Brasileirão e trouxe novamente o treinador multicampeão pelo clube, Abel Braga. Com reforços experientes e apostando na base, o novo comandante colorado acertou rapidamente a forma de jogar da equipe.

Entre os reforços, o clube priorizou o sistema defensivo. Dida, que estava no Grêmio, chegou para resolver o problema entre os arqueiros. Já o volante chileno Charles Aránguiz melhorou um bom setor da equipe - e até foi eleito o craque do Campeonato Gaúcho de 2014 -. No ataque, apesar da contratação de Wellington Paulista, Abel apostou na recuperação de Rafael Moura. E conseguiu. Apesar de criticado nos primeiros jogos da temporada, o jogador tornou-se a principal fonte de gols da equipe.

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Memória

Entre todos os campeões do Campeonato Brasileiro, apenas o Internacional pode se vangloriar de um feito: ser campeão invicto. Em 79, com uma equipe formada por Mauro Galvão, Figueroa, Falcão, Mário Sérgio e treinado por Ênio Andrade, o Colorado não perdeu para nenhum adversário e ganhou com sobras o título daquele ano.

Aquela equipe do Inter unia garra e habilidade, juventude e experiência. Em 23 partidas, foram 16 vitórias, 7 empates e nenhuma derrota. Falcão, Batista, Jair e Mário Sérgio lideravam a equipe. O esquadrão também contava com lideranças no sistema defensivo, como Valdomiro e Elías Figueroa, um dos maiores zagueiros da história do clube, além de contar com a revelação Mauro Galvão, que era apresentado para o futebol aos 17 anos.

Nas duas primeiras fases o Inter não encontrou dificuldades. No grupo das quartas-de-finais, o Inter reencontrou o Cruzeiro. Como era turno único, o Colorado precisou ir à Minas Gerais enfrentar a Raposa. E venceu. Valdomiro, Falcão e Zezinho Figueroa (contra) fizeram os tentos da equipe gaúcha, com Alexandre e Joaõzinho os gols mineiros. Ainda aconteceram vitórias sobre o Goiás, por 1 a 0, e sobre o Atlético Mineiro, por W.O.

Nas semifinais, um dos adversários mais difíceis. O Palmeiras, treinado por Telê Santana e liderado por Jorge Mendonça havia vencido o Flamengo por 4 a 1 e ganhado animo para o restante da competição. No entanto, isso não assustou o Inter. No primeiro jogo, no Estádio Morumbi, o Colorado venceu por 3 a 2, com dois gols de Falcão e um de Jair. Jorge Mendonça e Baroninho descontaram para o Alviverde. Na volta, no Beira-Rio, o Inter aproveitou da sua vantagem e empatou por 1 a 1.

O último obstáculo para o título era o Vasco, que tinha como principal craque o excelente atacante Roberto Dinamite, que estava em ótima fase. Assim como contra o Palmeiras, a primeira partida foi fora de casa. No Maracanã, o Inter venceu o Vasco por 2 a 0, com dois gols de Chico Spina, que era reserva. Na volta, em Porto Alegre, Jair, no primeiro tempo, e Falcão, na segunda etapa, decretaram o título do Inter. Nem mesmo o gol de Wilsinho ameaçou a conquista. Assim tornou-se o Inter o primeiro e único Campeão Brasileiro invicto.

Na última edição...

O Inter no Brasileirão de 2013 decepcionou seu torcedor. Antes da parada para a Copa das Confederações, o clube somou apenas uma vitória, três empates e uma derrota, em cinco jogos. Visto o fraco desempenho, o clube foi ao mercado enquanto o torneio de seleções era disputado. Chegaram ao clube Jorge Henrique, ex-Corinthians, e Ednei, vindo da Portuguesa. No entanto, os destaques Rodrigo Moledo e Fred disseram adeus ao clube, enfraquencendo o sistema defensivo.

As mudanças surtiram efeito no clube. Com quatro vitórias seguidas, o Inter assumiu a liderança do Brasileirão e empolgou seu torcedor. Além disto, repatriou Alex, ídolo do clube, e trouxe Ignacio Scocco, destaque da Libertadores. No entanto, a boa fase durou por pouco tempo. Contra o lanterna do campeonato, o Náutico, a equipe sofreu uma derrota de três a zero e começou a ser questionada.

Após empatar em 0 a 0 contra o Coritiba, o Inter completou uma estatística negativa: um mês sem vitórias no Brasileirão. O clube reencontrou a vitória diante do Corinthians, com gol de D'Alessandro. Logo depois, venceu a Ponte Preta e a esperança retornou, mesmo que por pouco tempo. Mais jogos se passaram e o Inter somou a quarta derrota seguida ao perder para o Vasco, o que causou a demissão de Dunga.

Mesmo com muitas especulações de quem seria o novo treinador do clube, a resposta estava em solo colorado. O treinador das categorias de base e ex-goleiro da equipe, Clemer, foi posto no cargo interino e logo depois efetivado, mesmo o time não agradando seus torcedores. Com o novo comandante, o Inter também somou a eliminação na Copa do Brasil, para o Atlético Paranaense.

Apesar de poucas chances de rebaixamento, o clube correu o risco. Para escapar da situação com calma, a direção colorada promoveu promoções para lotar o estádio e contar com o apoio de seu torcedor. Três empates, contra Coritiba, Corinthians e Ponte Preta livraram o clube de disputar a segunda divisão pela primeira vez na história.

O nome de 2013: Andrés D'Alessandro

D'Alessandro chegou ao Inter em 2008, após passar por clubes medianos na Europa e não chamar a atenção de grandes equipes do continente. Em pouco tempo no clube o argentino caiu na graça da torcida do clube, que começou a tratá-lo ídolo. Ao seu comando como capitão, D'Alessandro ainda conquistou uma Copa Libertadores da América, além de disputar o Mundial de Clubes e conquistar a Sul-Americana.

Nos anos seguintes, o argentino continou como principal jogador da equipe e ganhou cada vez mais a idolatria do torcedor colorado. Em 2013, D'Alessandro foi altamente essencial para o clube. Sem o jogador, o Inter não venceu nenhuma partida na temporada. Além disto, o craque foi eleito o melhor estrangeiro do campeonato e teve o recorde de assistências da equipe e se não fosse por sua contribuição ofensiva e também fora de campo, a luta contra o rebaixamento seria muito complicada para os colorados.

O início da temporada

O Inter de 2014 é muito diferente da equipe do ano passado. No time titular, apenas três jogadores foram mantidos. Com reforços em todas as posições, a diretoria também preocupou-se em reformular a comissão técnica. Para asumir o comando do clube, Giovanni Luigi chamou um velho conhecido da torcida colorada, o treinador Abel Braga, que venceu uma Libertadores e um Mundial com o time, em 2006.

Dentre os reforços chegados ao clube, o lateral-direito Gilberto e o volante chileno Charles Aránguiz são os destaques. Além disto, Abel Braga recuperou jogadores como o lateral-esquerdo Fabrício e o centroavante Rafael Moura, que foram criticados fortemente pela torcida colorada em 2013. O comandante colorado também tem méritos com os jovens. Cláudio Winck, que iniciou o Gauchão como titular, é forte peça de reposição para Gilberto.

A temporada do Inter começou com uma excelente série de vitórias no Gauchão, mesmo com time reserva. O sub-20 do Inter não decepcionou e venceu as cinco partidas seguidas, dando boa vantagem para os titulares trabalharem com tranquilidade. Quando a equipe principal de Abel foi ao campo, demorou a agragar o treinador, mas encontrou o ritmo.

Nas primeiras partidas ainda haviam algumas falhas defensivas, que foram corrigidas com o tempo. O ataque sofria alguma dúvida e Wellington Paulista e Rafael Moura, ainda criticado, revezavam na titularidade. Melhor para o He-Man, que entrou em boa fase e começou a fazer bons jogos e marcar gols, deixando de lado as críticas recebidas desde 2012.

Na Copa do Brasil o desempenho bom continuou. Sem pressão, a equipe eliminou facilmente o Remo em apenas um jogo, após goleada. Enquanto isso, no Campeonato Gaúcho, as boas atuações tornaram-se ainda melhor e a equipe conseguiu empatar o Gre-Nal na Arena, quando o Grêmio era melhor tecnicamente.

O Inter chegou na final do Gauchão sem dificuldades. A final seria contra o maior rival, o Grêmio. No primeiro jogo na Arena, o Inter saiu perdendo, mas com dois gols de Rafael Moura, conseguiu levar vantagem para o jogo de volta, que seria em Caxias, após o Beira-Rio não ser liberado. No segundo confronto, uma goleada: a equipe orquestrada por D'Alessandro goleou o Grêmio por 4 a 1 e não deixou o adversário jogar, conquistando o tetracampeonato da competição.

Quem comanda: Abel Braga

Abel Braga é um velho conhecido da torcida colorada. Em muitas passagens, o treinador acumulou diversos títulos com o Inter. A melhor estadia de Abel no Beira-Rio foi a última, quando venceu a Libertadores e o Mundial Interclubes, contra o Barcelona. Dois títulos que o clube nunca havia conquistado, e assim escreveu seu nome na história do clube. Em dezembro de 2013, a diretoria colorada confirmou a sétima passagem de "Abelão" pelo clube seria em 2014.

O novo comandante colorado não teve dificuldades para montar o elenco. Com alguns reforços e recuperando jogadores, rapidamente o treinador acertou seu estilo de jogo no esqumea 4-2-3-1, com um volante que sai bastante para o jogo, o chileno Charles Aránguiz. No ataque, com pouco dinheiro para ousar, Abel apostou na contratação de Wellington Paulista e, principalmente, na recuperação de Rafael Moura. E conseguiu o sucesso em ambas.

O melhor desempenho de Abel em sua volta foi nos dois clássicos Gre-Nal que decidiram o Gauchão. O treinador conseguiu dominar completamente a equipe gremista e vencer as duas partidas sem muitas dificuldades.

Abel foi apresentado no Inter em janeiro de 2014 (Foto: Mauro Vieira / Agência RBS)

Quem promete: Rafael Moura

Rafael Moura, conhecido como He-Man pela torcida, chegou ao Inter em 2012 como esperança de gols para a futura saída de Leandro Damião. Todavia, o centrovante ficou longe de corresponder. Nos primeiros jogos, entrava do banco e pouco acertava. Após marcar alguns gols ganhou chance como titular, mas voltou a não corresponder e a frequentar o branco de reservas.

Com Dunga, em 2013, a má fase piorou. O jogador raramente jogava e chegou a ficar muitos jogos sem marcar, quando entrava. Em um episódio, o centroavante mostrou aos jornalistas seus dados de estatísticas pelo Inter, onde mostrava que pelo minutos que ele havia disputado, o seu desempenho estava razoável.

2014 chegou e a pressão para Rafael Moura sair foi muito grande, mas Abel Braga apostou em sua recuperação. Nas primeiras partidas, o jogador continuou sem ritmo, mas com o tempo caiu na graça do torcedor. No primeiro Gre-Nal da final do Gauchão, após marcar dois gols e dar a vitória ao Inter, Rafael provou que é a grande promessa do Inter para o Brasileirão.

Rafael Moura recuperou o bom futebol em 2014 (Foto: Guilherme Testa / FotoArena)

Quem decide: Andrés D'Alessandro

Há 6 anos no Inter, D'Alessandro assumiu o protagonismo solitário nos últimos três. Peça fundamental do meio-campo, D'Alessandro é fundamental dentro e fora das quatro linhas. O craque argentino é polêmico e gosta de provocar o rival sempre que pode, além de confrontar a imprensa quando a fase é ruim.

No ano passado, Andrés sofreu com lesões e o Inter sofreu da chamda "D'Aledependência", onde não conseguiu vencer nenhum jogo sem a presença do argentino. No entanto, em 2014, o argentino está ainda melhor e fazendo história no clube. Na reinaguração do Beira-Rio, diante do Peñarol do Uruguai, o jogador fez os dois gols da partida, onde se emocionou e chorou ao marcar o primeiro tento.

D'Alessandro chorou ao marcar o primeiro gol na partida contra o Peñarol (Foto: Bruno Alencastro / Agência RBS)

O desafio

O grande problema do Inter na temporada é o elenco curto e com poucas peças de reposição em algumas posições. Com a disputa de duas competições, Copa do Brasil e Brasileirão, será difícil conciliar as duas disputas e o clube deve precisar focar em apenas uma.

Também é preciso que o clube se atente ao desempenho no primeiro semestre, onde jogou bem e apresentou bom futebol. O desafio de Abel Braga é manter o time desta maneira e, consequentemente, conseguir uma campanha melhor que a temporada passada.

Avaliação VAVEL

Como sempre, o Inter faz parte dos grupos de favoritos ao título. Apesar da péssima campanha na qual culminou o 15º lugar em 2013, o clube se recuperou bem da má fase e mostrou uma boa equipe. A equipe de Abel Braga deve ficar entre a briga pelo título e a disputa por Libertadores, e o primeiro turno da competição é o que definirá isso.

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