Recordar é viver: relembre grandes conquistas do Cruzeiro para cima do Atlético em finais do Mineiro
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Neste domingo (1º), Atlético e Cruzeiro vão colocar a bola para rolar em mais uma decisão de Campeonato Mineiro. A primeira partida será às 16h, no Independência. O jogo decisivo acontece no próximo domingo (8), no mesmo horário, porém no Mineirão. O time celeste tem a vantagem e pode ser campeão com dois empates ou vitória e derrota pelo mesmo saldo de gols nos dois duelos.

Neste ano, Atlético e Cruzeiro vão fazer a 21ª decisão do Campeonato Mineiro entre eles. Embora a competição tenha ultrapassado a barreira centenária, o torneio teve diversas formas de disputa e gerou poucos embates decisivos entre as duas equipes na final. Os celestes levam vantagem: conquistaram 12 títulos, enquanto o Galo sete. Em 1956, ambos decidiram o Estadual e acabaram dividindo o caneco.

Acompanhe aqui, na VAVEL Brasil, duas finais inesquecíveis entre Cruzeiro e Atlético pela principal competição de Minas Gerais, com resultado positivo para a Raposa.

Cruzeiro x Atlético - Campeonato Mineiro de 1977

Após um período vitorioso, o Cruzeiro passou por um desmanche do esquadrão campeão da Libertadores de 1976, e alguns poucos atletas, aliados a outros nomes contratados, formavam a equipe celeste. Por sua vez, o Atlético, com uma média de idade no elenco de 22 anos, tinha em sua base jogadores formados no próprio clube - uma geração que iria perdurar por quase uma década.

Em 1977, o Cruzeiro buscava retomar a hegemonia do estado, enquanto o Galo buscava o bicampeonato, fato que não acontecia desde 1963. No primeiro jogo, o alvinegro venceu por 1 a 0, no dia 25 de setembro de 1977, com gol de Danival. Após este jogo, o volante Toninho Cerezo declarou que, enquanto ele e Reinaldo estivessem jogando, o Cruzeiro não ganharia nenhum clássico.

Sentindo a necessidade do mudança, o presidente do Cruzeiro na época, Felício Brant, chamou o então treinador do time juvenil, Procópio Cardozo, para auxiliar Yustrich na montagem da equipe para as duas partidas seguintes. O ex-zagueiro montou o esquema tático, fez mudanças na postura em campo e o resultado foi imediato.

Na segunda partida, que aconteceu em 2 de outubro de 1977, o atacante uruguaio Revétria, de passagem tímida pelo clube, marcou três gols e ajudou os celestes a vencerem por 3 a 2. Os gols do Galo foram de Marinho e Reinaldo.

Na última e decisiva partida, no dia 9 de outubro de 1977, mais de 120 mil pessoas viram um grande jogo. No primeiro tempo, Reinaldo abriu o placar para o Atlético. Na etapa final, Revétria empatou, e a partida foi para a prorrogação. Lívio e Joãozinho fizeram os gols do título do Cruzeiro: 3 a 1 para a Raposa.

Após o jogo, Procópio retornou para o time juvenil, sendo utilizado pelo Cruzeiro em outras oportunidades. Pelo lado do Atlético, o goleiro Ortiz foi acusado de ter entregue o jogo e receber dinheiro por isso. Pressionado, o camisa 1 deixou Belo Horizonte e só foi encontrado dias depois, em sua casa, na capital uruguaia Montevidéu. O jogador nunca mais retornou ao clube alvinegro e o fato jamais foi esclarecido.

Cruzeiro x Atlético - Campeonato Mineiro de 1987

O Campeonato Mineiro de 1987 foi uma conquista muito comemorada pelos torcedores celestes. Seria apenas o segundo estadual do clube na década que foi amplamente dominada pelo rival Atlético. Além disso, o time daquele ano era uma base do ano anterior, que levou o Cruzeiro às quartas de final do Campeonato Brasileiro daquele ano e que futuramente renderia inúmeros títulos para a Raposa.

O Cruzeiro foi vice-campeão do primeiro turno, perdendo para o Atlético, e precisava vencer o segundo turno para ter chances de chegar à decisão. Aproveitando a péssima campanha do Galo, a Raposa ganhou o returno e foi para a final contra o time alvinegro.

No primeiro jogo, empate em 0 a 0. Na finalíssima, em 2 de agosto de 1987, teve de tudo. A etapa inicial terminou sem gols e no segundo tempo o Cruzeiro não deu chances ao adversário. Logo no minuto inicial, Careca, então com 18 anos, fez um golaço e abriu o placar.

No decorrer da partida, quatro jogadores foram expulsos, dois de cada lado. Com as paralisações, o jogo foi além dos 90 minutos. Aos 51, Robson, aproveitando falha da defesa atleticana, deu números finais ao jogo e consagrou os cruzeirenses como campeões mineiros.

Um fato curioso ocorreu com o Cruzeiro naquele campeonato: o time teve seis treinadores. Começou com Carlos Alberto Silva, que só comandou o time na estreia, pois foi chamado para ser técnico da Seleção Brasileira. O ex-goleiro Raul Plassmann, então diretor de futebol, treinou o time em oito partidas até a contratação de João Avelino, que durou apenas oito jogos.

O preparador físico Toninho de Jesus comandou o time interinamente até a chegada de Paulinho de Almeida, demitido após cinco partidas. Por fim, Rui Guimarães, técnico do time júnior, levou o elenco até o fim da competição e ganhou o título.

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