Modelo de jogo, posse e passe: Thiago Larghi dá nova cara ao Atlético-MG
Larghi tem apenas 37 anos (Foto: Bruno Cantini/Atlético. Arte: Isabelly Morais/VAVEL Brasil)

Modelo de jogo, posse e passe: Thiago Larghi dá nova cara ao Atlético-MG

Inspirado em Pep Guardiola, treinador busca implementar ideias de jogo modernas no Alvinegro mineiro

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Lara Pereira

Apesar do vice no Campeonato Mineiro, o Atlético-MG vive seu melhor momento na temporada. Após a saída conturbada de Oswaldo de Oliveira, o auxiliar-técnico Thiago Larghi assumiu a equipe alvinegra. O jovem treinador, de 37 anos, apostou em dar uma 'nova cara' ao Galo, que teve um início de temporada abaixo do esperado. 

No comando do Alvinegro há dois meses, Thiago Larghi tem dez vitórias, um empate e quatro derrotas. Com uma ideia de construção de jogo definida, o treinador busca impor maior organização defensiva e, no ataque, o Galo de Larghi privilegia o passe, assim criando mais oportunidades de gol. 

"É um pedido meu. Se a gente observar, tem tido sucesso. Temos chegado no terço ofensivo muitas vezes. De dez, a gente está chegando entre sete e oito, chegando construindo a jogada. Isso é difícil de fazer, é muito mais simples dar chutão. O que me foi pedido e confiado, com o grupo de jogadores que eu tenho na mão, eu acredito que a gente consegue sim fazer um jogo bom, propor o jogo e chegar aos resultados que a gente pretende", comentou em entrevista coletiva na Cidade do Galo.

Foto: Divulgação/Galo Estatísticas
Foto: Divulgação/Galo Estatísticas

A manutenção da posse de bola e a construção da jogada pelo chão são algumas das prioridades de Thiago Larghi. Contra o América-MG, o Alvinegro realizou 392 passes, com um aproveitamento de 89%. Já o número de cruzamentos diminuiu consideravelmente: foram apenas 14 durante toda a partida – a média do time nesse fundamento na temporada é de 22,61 por jogo. Dados extraídos do site galoestatistica.com.

No gráfico acima, é possível perceber esse aspecto. O número de cruzamentos da equipe diminui enquanto o desempenho do time melhora.  

Aprendiz de Guardiola: Larghi põe em prática ideias do técnico espanhol

Fotomontagem: Junior Ribeiro/VAVEL Brasil

"Pep utiliza seus extremos em posições muito altas, colados à linha lateral, quase fora do campo, aguardando. Esperando seu momento. Os extremos passam longos minutos sem participar do jogo de forma ativa. Caminham, dão um passe para dentro, dois para trás, fazem uma pequena ameaça e um pouco mais; [...] Esperar que o resto da equipe agite a cesta de cerejas, mova-a sem parar até que, de repente, o rival perca sua ordem e então, zás, chega o momento. [...] A bola chega e o extremo deve intervir sem hesitação, como o cirurgião que pega o bisturi e corta sem medo."

A passagem do livro 'Pep Guardiola: A Evolução', de Martí Perarnau, mostra um conceito utilizado pelo treinador espanhol no Bayern de Munique e que Thiago Larghi busca consolidar no Atlético: a virada de jogo. O fundamento que vem sendo adotado pelo comandante alvinegro visa tirar a bola de onde o sistema defensivo adversário acumulou muitos jogadores. A inversão de jogo é fundamental para variar os lados do campo utilizados para o ataque.

Desde o início de seus trabalhos à frente da equipe, os números de viradas de jogo vêm crescendo. Larghi tenta pôr em prática no Atlético um conceito estudado e praticado por Guardiola em suas equipes. No primeiro clássico da final do Campeonato Mineiro, o Galo realizou nove viradas de jogo corretas. No gráfico abaixo, é possível ver o crescimento da equipe nesse quesito. De acordo com o Galo Estatísticas, a média de viradas de jogo da equipe nessa temporada é de 3,67 por partida, sendo 84,4% desse fundamento efetuado de forma correta.

Arte: Charley Moreira/VAVEL Brasil
Arte: Charley Moreira/VAVEL Brasil

Sistema defensivo sob comando de Larghi

Defesa alvinegra melhorou sob o comando de Thiago Larghi (Foto: Divulgação/Atlético)
Defesa alvinegra melhorou sob o comando de Thiago Larghi (Foto: Bruno Cantini/Atlético)

Sob o comando do treinador, o sistema defensivo alvinegro evoluiu bastante. Em 15 jogos, o Atlético não teve sua defesa vazada em nove ocasiões, sendo nove gols sofridos até a final do Mineiro 2018. 

Em comparação com os últimos treinadores, o sistema defensivo comandado por Thiago Larghi traz números promissores. O Galo de Oswaldo de Oliveira concedeu gols em 60% das partidas (12 gols em 20 jogos) durante toda sua passagem pelo clube.

Já o Alvinegro de Roger Machado, que teve a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores, também sofria com problemas defensivos. Em 43 partidas, foram 29 sofrendo gols (67% dos jogos). Por último, o time comandado por Rogério Micale foi vazado em oito ocasiões na sua curta passagem de 13 partidas, o que equivale a 61,5%.

“A cara do Thiago é uma base defensiva, pois acredito ser essencial ter uma defesa sólida. Tentaremos trabalhar com os zagueiros bem postados, mas também ter a posse de bola e o controle do jogo, para conseguir ter transição rápida ofensiva. Enfim, acredito nesse equilíbrio, atacar e defender com a máxima eficiência”, disse o treinador em entrevista coletiva na Cidade do Galo.

"Hoje não tem essa que atacante vai ficar esperando a bola chegar [...] tem que voltar atrás da linha da bola para ajudar na marcação" - Erik

O crescimento da defesa também passa pelo ataque. Os jogadores ofensivos também têm importância na evolução do sistema defensivo, já que o primeiro combate no adversário após a perda da posse é feito pelos atletas de frente. 

"O trabalho ofensivo é muito importante, porque você tem que atacar e sem a bola tem que procurar defender. O futebol está muito competitivo. Hoje não tem essa que atacante vai ficar esperando a bola chegar, você tem que buscar o jogo, tem que voltar atrás da linha da bola para ajudar na marcação", ressaltou Erik. 

Potencialização de 'velhos' jogadores

Foto: Bruno Cantini/Atlético Fotomontagem: Lara Pereira/VAVEL Brasil
Foto: Bruno Cantini/Atlético. Fotomontagem: Lara Pereira/VAVEL Brasil

Além de ter uma ideia de jogo pré-definida, Thiago Larghi também apostou na recuperação e potencialização de atletas. O volante Adilson e o meio-campista Cazares exemplificam bem essa situação. 

O camisa 10 do Galo parece ter encontrado um de seus melhores momentos com a camisa alvinegra. Apesar de ter iniciado a temporada no banco, Cazares virou peça chave para o Atlético de Larghi. O jogador é fundamental na construção de jogadas do Alvinegro, contribuindo com o segundo passe para finalização de jogada (o passe anterior ao da assistência): são 18 em 11 partidas (dados retirados do Footstats até o confronto contra o América-MG). O equatoriano tem o melhor índice em comparação a todos os Estaduais pelo país. 

Os bons números de Cazares não param por aí. O camisa 10 ainda soma três gols e três assistências na temporada 2018 e é responsável pela manutenção da posse de bola, como um controlador do momento ofensivo, tendo uma média de 57,49 passes certos por jogo, sendo o líder do time nesse quesito. A recuperação do jogador potencializa todo o ataque do Alvinegro. 

Assim como Cazares, o volante Adilson também se tornou peça chave no Galo de Larghi. O jogador, que era cotado para deixar a equipe ainda no inicio de temporada, se tornou responsável por 2,36 desarmes por jogo e trouxe solidez ao meio-campo alvinegro. Depois de Cazares, o volante tem o melhor aproveitamento nos passes certos do time: 56,29 passes certos em 90 minutos.

O Galo comandado por Thiago Larghi ainda precisa evoluir, mas ao longo desse curto período do treinador à frente da equipe alvinegra é perceptível a melhora e o crescimento de seus jogadores. Os resultados não se constroem sem ideias de jogo e nesse quesito, Larghi tem um amplo repertório a ser mostrado e trabalhado.

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