Martín Silva brilhou nos pênaltis e salvou Vasco em última partida na altitude
(Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)

O Vasco da Gama enfrenta a Liga Desportiva Universitária (LDU), de Quito, nesta quarta-feira (25), às 19h30, válido pelo jogo de ida da Copa Sul-americana. É o primeiro confronto entre as equipes na história e será marcada por uma dificuldade já conhecida pelos cruz-maltinos.

Dentre tantas dificuldades da partida, seja pela importância ou pelo inédito confronto, o Vasco terá que lutar contra mais um adversário, além dos atletas do time equatoriano. A altitude. São mais de 2.800 metros acima do nível do mar, onde o estádio Rodrigo Paz Delgado, local da partida, se localiza. Porém, o time de Jorginho já "leva na bagagem" uma experiência recente com relação a jogar em um clima com maior dificuldade para respirar.

Foi na partida contra o Jorge Wilstermann no dia 21 de Fevereiro de 2018, no estádio Olímpico Pátria, em que o torcedor vascaíno testou o coração pra valer. Depois de golear o time da Bolívia por quatro a zero, o Vasco poderia perder por até três gols de diferença, que levaria a classificação com tranquilidade.

Mas o que se viu foi um jogo que teve emoção até o fim, com uma quase eliminação da equipe do então treinador na época, Zé Ricardo. Além da pressão dos jogadores e da torcida, o gigante da colina se viu em uma enrascada, por jogar a 2.810 metros acima do nível do mar. O grande feito, seria não tomar gol nos minutos iniciais. Coisa que não aconteceu.

Com seis minutos de jogo, o primeiro golpe veio à tona e Edward Zenteno abriu o placar para os bolivianos. 1 a 0. Logo depois, um minuto para ser mais exato, Ricardo Pedriel ampliou para o Jorge Wilstermann, diminuindo a vantagem do expresso da vitória. 2 a 0. O time se descontrolou e começou a recuar mais do que o normal, tentando entender o que se passava na partida, por conta dos "gols relâmpagos" tomados no início do jogo. E não deu nem tempo de tentar "arrumar a casa".

Aos 17 minutos de jogo, foi a vez de Cristian Chávez colocar a bola nas redes vascaínas e aumentar a tensão do time que estava apático em campo, tentando consertar os erros táticos do time. 3 a 0. Naquele momento, Zé Ricardo e os jogadores só queriam o fim da etapa parcial para tentar se reorganizar pois tinham perdido totalmente a identidade do mesmo Vasco que goleou o Jorge Wilstermann, em São Januário. O fim do primeiro tempo veio mas ainda tinha os últimos 45 minutos com a esperança da volta do Almirante na Copa Libertadores. Na etapa final, o gigante da colina até suportou a pressão mas não segurou os bolivianos.

E com 26 minutos de jogo, Edward Zenteno fez o seu segundo gol e igualou o valor agregado, levando a partida para a disputa de pênaltis. 4 a 0. O bombardeio boliviano era insano e os jogadores cruzmaltinos se fecharam por completo, esperando um contra-ataque para tentar fazer lendário "gol da classificação", que não veio. Muito pelo contrário, o drama ia só aumentar. Aos 39 minutos do segundo tempo, Thiago Galhardo, de cabeça quente, chutou a bola no seu compatriota Serginho, na frente do juiz. O meia foi expulso de campo, deixando o Vasco com um a menos, nos minutos finais.

Para se ter uma noção da pressão sofrida pelos bolivianos, o Jorge Wilstermann chutou 21 vezes à gol, contra apenas sete do gigante da colina, o triplo de finalizações. Porém, apenas seis foram na direção do gol de Martín Silva, contra apenas um na direção do gol dos bolivianos. Com o empate no placar agregado, a partida seria decidida na disputa de pênaltis. E nessa hora, como geralmente dizem, é a consagração para os goleiros. Sorte do Vasco que tinha nada mais, nada menos do que um ídolo iluminado embaixo do travessão.

O uruguaio salvador

Começando pelo time visitante, o Vasco abriu o placar nas cobranças de pênaltis com Andrés Rios. Com o gol de início, a pressão passou para o lado dos donos da casa, que sentiram a pressão. Lucas Gaúcho foi para a cobrança e Martín fez bela defesa, defendendo seu primeiro pênalti na partida. Em seguida, Yago Pikachu ampliou a vantagem, batendo de forma segura. O meio-campo Melgar fez seu trabalho e diminuiu a vantagem. 2 a 1. O drama vascaíno poderia ter começado a partir dali. Desábato perdeu a cobrança, chutando a bola na trave, desesperando mais ainda os torcedores do expresso da vitória. Porém, o arqueiro uruguaio, mesmo sofrendo quatro gols no tempo normal, escreveu mais um verso dessa história heróica. O lateral Meleán bateu e o capitão vascaíno defendeu mais uma para os visitantes.

No lado vascaíno, foi a vez de Wellington cobrar e marcar o gol dar um passo importante para a classificação. Entretanto, foi o lateral Jorge Ortiz manteve o sonho boliviano e diminuiu ainda mais a vantagem do gigante da colina. 3 a 2. Nos pés de Rildo, poderia sair a tão sonhada classificação vascaína mas o jogador perdeu a cobrança, deixando um outro brasileiro, o zagueiro Alex Silva, com a responsabilidade de prorrogar a decisão para as cobranças alternadas ou decretar a eliminação do Jorge Wilstermann e, consequentemente, a classificação do Vasco. E assim foi feito. O atleta bateu mal e Martín Silva assegurou sua terceira defesa nas cobranças na marca da cal e colocou o Vasco na fase de grupos da Libertadores, deixando o coração dos vascaínos mais calmos e tranquilos, com um jogo inesquecível.

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