Distinção entre reestruturação e reconstrução deve ser levada em conta pelo cruzeirense
Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Certamente, na última década, o Cruzeiro passou por situações nas quais precisou iniciar um processo de reconstrução no ano seguinte: assim foi de 2011 para 2012 e 2015 para 2016. O torcedor celeste, caracterizado por seu imediatismo e exigência, era ativo às críticas - críticas estas contundentes perante ao tamanho do clube. No entanto, hoje, a equipe passa por uma reconstrução, e o comportamento dos torcedores requer um diferente olhar.

Em tempos onde a Raposa pecava apenas por más administrações, erros de composição de elenco, entre outros problemas comuns em qualquer instituição, a indignação por parte da torcida fazia todo o sentido.

Comparativo entre os períodos de drama celeste

Na temporada de 2011, de certa forma, surpreendeu como em 2019, quando, no início da temporada, o clube adquiriu um status que permitiu a ilusão de seus torcedores. Em ambos os anos, a excelente campanha na fase de grupos da Libertadores tornou qualquer possibilidade de pensar em lutar por rebaixamento no Campeonato Brasileiro inviável.

Cruzeiro viveu o drama do rebaixamento até a última rodada do Brasileirão de 2011 (Foto:Vipcomm/Divulgação)
Cruzeiro viveu o drama do rebaixamento até a última rodada do Brasileirão de 2011 (Foto:Vipcomm/Divulgação)

Outra coincidência entre as duas temporadas é que, anteriormente, a equipe obteve um ano positivo: o Cruzeiro foi vice-campeão em 2010, quando muitos contestaram o erro de arbitragem como fator crucial para não levar o título; 2018, campeão da Copa do Brasil.

Nos anos de 2015 e 2016 se deu diante de um mesmo cenário de restruturação após boa aparição na temporada anterior, no qual o Cruzeiro veio do hexa do Brasileirão, conquistado em 2014. Porém, neste caso, o cenário foi menos assustador, já que a luta por rebaixamento não foi tão drástica.

Outra realidade para 2020 

Por mais que essas coincidências estejam presentes atualmente, o Cruzeiro não vive uma restruturação, mas uma reconstrução. Isto é, as críticas contundentes eram plausíveis naqueles períodos, quando erros administrativos eram cometidos. Hoje, as críticas são necessárias, mas carregadas de um maior entendimento do que o clube passa.

O Cruzeiro vive um momento atípico, longe de qualquer reestruturação, o buraco é mais embaixo. Antes fosse apenas dar uma nova estrutura ao clube. A realidade é de dar início.

É a partir dessa análise, onde o clube quebrou, limitou-se financeiramente, abaixou consideravelmente sua folha salarial, entre outros problemas que o torcedor está careca de saber, que seus fiéis necessitam enxergar a fase atual do clube de um diferente olhar, convictos que, diante do caos estabelecidos por quem já saiu, aqueles que assumiram necessitam de tempo para reerguer o Maior de Minas.

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