Atribulada situação do Fluminense incomoda dentro e fora de campo
Foto: Lucas Merçon/Fluminense F.C

Os maus resultados desagradam a qualquer modalidade esportiva, independente da área, sem exclusividade para ninguém. Neste caso, em relação ao futebol brasileiro, especificamente falando de Fluminense, é algo que acontece há anos nas recentes diretorias. Entretanto, este problema assola também todos os clubes, mais uma vez, sem exclusividade, podendo ser comparado com qualquer outro time independente da situação financeira.

O atual técnico do Fluminense, Odair Hellmann, foi apresentado em 11 de dezembro de 2019, com aval da nova diretoria presidida por Mário Bittencourt, ainda sob desconfiança por parte da torcida que esperava algo similar ao estilo de jogo apresentado pelo ex-técnico Fernando Diniz.

Embora tenha sido substituído por Oswaldo de Oliveira, o mesmo sequer teve tempo de apresentar algo para o Tricolor, que logo saiu para dar vaga ao auxiliar técnico do clube, o ex-jogador Marcão, com a missão de salvar o time que estava, mais uma vez, na beirada da zona de rebaixamento.

O possível recomeço do Fluminense

Foto: Mailson Santana/Fluminense F.C
Foto: Mailson Santana/Fluminense F.C

A formação tática imposta por Marcão, foi semelhante ao estilo de jogo apresentado por Fernando Diniz, com algumas mudanças que foram o suficiente para reforçar a estrutura defensiva da equipe para poder conseguir pontuar e se manter na Série A.

Tendo feito isso, o ano de 2020 apareceu como o ano da ‘reformulação’, mais uma vez. E a constante repetição não tem dado certo, pois então foi apresentado o novo técnico, Odair Hellmann, com uma formação tática inversa ao que o torcedor ainda estava se acostumando.

Em 2019, a equipe tinha mais posse de bola, volume de jogo, superioridade numérica, mas além disso, faltava algo bastante importante: o gol. Em 2020, a equipe sofreu a ruptura e inverteu todos os atributos oferecidos no ano anterior, mas conseguiu achar o caminho da rede, até a paralisação do futebol devido à pandemia do novo coronavírus que deixou não só o futebol brasileiro, mas também ao redor mundo, refém nesta crise.

A retomada do futebol chegou, até antes do previsto, mas o Fluminense que apesar de ter sido eliminado na primeira fase da Sul-Americana, com o pé fora da Copa do Brasil, vencendo nos pênaltis o Flamengo na Taça Rio, mas sendo eliminado na final do Campeonato Carioca, permaneceu em março, especificamente na última partida antes da paralisação, na vitória contra o Vasco por 2 a 0, no Maracanã, sem torcida.

Foto: Lucas Merçon/Fluminense F.C
Foto: Lucas Merçon/Fluminense F.C

Dentro de campo é um deserto de ideias

No papel, o futebol proposto por Odair é de reativo, com o tripé de volantes jogando de forma compacta flutuando até o ataque para acionar os pontas e por fim, chegar ao centroavante para que ele fique na cara do gol. No entanto, quando o Fluminense entra em campo, tudo que foi planejado, acaba se tornando um deserto de ideias. A equipe é realmente compacta, mas não flutua e não consegue acionar os pontas, que na verdade nem são pontas.

Marcos Paulo é jovem, tem apenas 19 anos, mas não tem velocidade, a função que o privilegia é de referência na área, mas também pode ser improvisado no meio-campo, cortando pra dentro auxiliando os atacantes, pois tem no último passe uma de suas maiores qualidades. Nenê, de 39 anos, é meio-campista central, mas está sendo improvisado na ponta, que é o lugar que ele não apresenta o bom futebol, relembrando a função de D’Alessandro, quando Odair ainda era técnico do Internacional.

A defesa fica à mercê, e quando é provocada, entrega de bandeja o gol para o adversário. Talvez, o único que consegue se salvar no meio disso tudo, é o jovem centroavante, Evanílson. O camisa 99, além de artilheiro, é promissor, tem apenas 20 anos, e pode render muita coisa ainda no futebol brasileiro e quem sabe fora do país.

Foto: Lucas Merçon/Fluminense F.C
Foto: Lucas Merçon/Fluminense F.C

A formação tática não o privilegia, mas ele ainda se esforça por ter um dos atributos que é a velocidade. Entretanto, a função de um centroavante não é de ficar correndo atrás da bola, pois esse é o papel dos meio-campistas, que não existem na formação tática de Odair Hellmann. 

O caminho do Fluminense nesta temporada do Brasileirão é similar ao que foi apresentado desde o início de 2013, após o ano de 2012 quando foi tetracampeão brasileiro. Entre idas e vindas, a mudança não parece ter data de chegada no clube carioca, que sofre para encontrar um time e um técnico que o faça alçar voos maiores ao que estava acostumado. Com o futebol que está apresentando, Odair tem condições de fazer apenas uma campanha segura, mesmo que a permanência no cargo de técnico seja apenas questão de tempo.

A tão sonhada reformulação no Tricolor está tendo início fora de campo, arrumando aos poucos a casa que está cheia de dívidas. No entanto, enquanto não soluciona este grande problema, precisa de pelo menos ter o consentimento do que planejam para o futebol do time dentro de campo.

Com bons resultados, o clube consegue arrecadar valores a fim de pagar as contas e ao mesmo tempo montar um time competitivo para disputar todos os campeonatos, porém, enquanto não encontrar este caminho tudo continuará contradizendo com o tamanho do Fluminense.

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