#EquipesF1: a saga vitoriosa da Ferrari, mesmo com alguns jejuns
Vitória de Michael Schumacher (Foto: Reprodução/Scuderia Ferrari)

Nem sempre as trajetórias das equipes de Fórmula 1 estão frescas nas memórias do fã da principal categoria automobilística do planeta. Há 70 anos havia o primeiro campeonato mundial de F1, mas de lá para cá muita coisa mudou, entre elas as equipes, que hoje compõem o grid. Hoje, dez construtoras brigam pelo título, entretanto você conhece a histórias de todas elas?

Dessa forma, VAVEL Brasil relembra os principais momentos de Alfa Romeo, Alpha Tauri, Ferrari, Haas, McLaren, Mercedes, Racing Point, Red Bull Racing, Renault e Williams. Serão duas semanas de publicações, esta primeira terão as cinco primeiras citadas acima. Em seguida, as outras cinco da ordem alfabética. Sem mais delongas, vamos com uma multicampeã:

Ferrari

O vermelho vibrante da Ferrari tem sua história bastante ligado à Fórmula 1, desde o começo desta (em 1950). Uma história que já rendeu 16 títulos de construtores e 15 de pilotos, mas antes de chegarmos a esta história, vamos contar sua criação, a começar pelo seu fundador.

Enzo Ferrari (Foto: Domínio Público)
Enzo Ferrari (Foto: Domínio Público)

Enzo Ferrari nasceu no ano de 1898, em Modena, na Itália. Com pouca escolaridade, acabou indo trabalhar nas oficinas, como mecânico, até a primeira Guerra Mundial (1914-1918). Entretanto, sua paixão por carros, veio ao assistir a uma corrida de carros, em Bologna, vencida por Felice Nazzaro. Após o término da grande guerra e da pandemia de 1918, Enzo procurou emprego na indústria automobilística, porém, antes de trabalhar como piloto de testes da CMN (Construzioni Meccaniche Nazionali), ele ofereceu serviços à Fiat, no entanto foi recusado — desde os anos 60, a Ferrari pertence ao grupo Fiat.

Em 1920, Enzo ingressou no departamento de corrida da Alfa Romeo. Chegando a vencer a primeira corrida em 1923, em Ravenna, e tendo seu melhor desempenho, em 1924, quando venceu três corridas. No entanto, essa relação viria a ser mais forte, a partir de 1929, na criação da Scuderia Ferrari (SF). No começo, a Scuderia fazia parte da divisão de corridas da Alfa e mesmo após a aposentadoria de Enzo, em 1932, como piloto, isso não mudaria até 1937, quando foi suspensa. No entanto, no ano de 1939, a SF retornaria com o nome de Auto Avio Construzioni, de forma independente. 

Primeiros anos e começo da F1

Em 1947, a Auto Avio Construzioni muda o nome, retornando a se chamar Scuderia Ferrari. Com a criação da Fórmula 1, em 1950, a marca não ficaria de fora, tendo a sua primeira corrida, no GP de Mônaco, a segunda etapa do campeonato, e não faria feio ao obter o segundo lugar com o piloto Alberto Ascari

A primeira temporada não foi brilhante, com cinco corridas e nenhuma vitória, mas não passou em branco, ao conseguir pelo menos os seus três primeiros pódios — em 2020, a equipe possui a expressiva marca de 770 pódios. Em 1951, vieram a primeira vitória e primeira pole, com José Froilán González, em Silverstone, no GP Britânico

No ano de 1952, veio o primeiro título de piloto, com Alberto Ascari, ao vencer seis das oito corridas da temporada. Em 1953, Ascari conquistaria o bicampeonato, com cinco vitórias em nove corridas. 

Ascari conduzindo seu F500 na chuva, em 1953 (Foto: Domínio Público)
Alberto Ascari conduzindo seu F500 na chuva, em 1953 (Foto: Domínio Público)

Jejuns significantes

Após o término da temporada de 2019, a Ferrari completou 11 anos sem levantar algum título de equipe. Se for olhar para o título de pilotos, a seca é ainda maior, com 12 temporadas, após aquele título conquistado por Kimi Räikkönen, em 2007. Mas, por incrível que pareça, não é a pior seca da história da Scuderia. A mais longeva foi nos anos 80-90, quando passou de 1984 a 98 sem conquistar título de equipe e de 1980 à 1999 sem título de piloto. 

A época foi tão complicada, que a escuderia passou três temporadas sem saber o que é uma vitória. Fato vivido nos anos de 1991 a 1993. Dentro desta época veio a pior classificação geral, com um décimo lugar, em 1980. Tudo isso começou a mudar em 1999, quando o casamento Ferrari e Michael Schumacher se consolidou.

O auge da escuderia vermelha

Em 1999, na quarta temporada de Michael Schumacher na equipe italiana, a Ferrari conseguiu dar um passo a mais, e após passar três anos batendo na trave com o vice-campeonato, a equipe quebraria o jejum de 15 temporadas sem título de construtores e daria um passe além, criando o melhor par da Fórmula 1, envolvendo piloto e equipe, que só seria quebrada em 2019, com Mercedes e Hamilton. 

De 2000 a 2004 foram 10 títulos (somando construtores e pilotos) para o casamento Ferrari e Schumacher. A escuderia conseguiu 57 vitórias (67%), 51 poles (60%), 42 melhores voltas (49%) e 117 pódios. Hegemonia é o nome disso!

Schumacher e Jean Todt, o então chefe de equipe (Foto: Reprodução / F1)
Schumacher e Jean Todt, o então chefe de equipe (Foto: Reprodução / F1)

Grandes pilotos

A Scuderia Ferrari é a ambição de quase todos os pilotos, portanto não é surpresa que nomes como Lewis Hamilton, tenha seu nome ventilado na equipe, nos corredores da imprensa italiana. Dos 109 pilotos que por lá correram e correm, 15 conquistaram ao menos um titulo. Vamos a lista dos pilotos e seus números, que mais correram na escuderia e os campeões que por lá passaram (em negrito, os campeões do mundo, mesmo que em outra equipe):

Michael Schumacher: 180 corridas, 72 vitórias, 58 poles, 53 melhores voltas, 116 pódios, cinco títulos.

Kimi Räikkönen: 151 corridas, dez vitórias, sete poles, 23 melhores voltas, 52 pódios, um título.

Felipe Massa: 139 corridas, 11 vitórias, 15 poles, 14 melhores voltas, 36 pódios, zero titulo. 

Rubens Barrichello: 102 corridas, nove vitórias, 11 poles, 15 melhores voltas, 55 pódios, zero titulo. 

Sebastian Vettel: 101 corridas, 14 vitórias, 12 poles, 14 melhores voltas, 54 pódios, zero título. 

Fernando Alonso: 96 corridas, 11 vitórias, quatro poles, oito melhores voltas, 44 pódios, zero título.

Niki Lauda: 57 corridas, 15 vitórias, 23 poles, 12 melhores voltas, 32 pódios, dois títulos.

Mike Hawthorn: 35 corridas, três vitórias, quatro poles, seis melhores voltas, 16 pódios, um título.

Nigel Mansell: 31 corridas, três vitórias, três poles, seis melhores voltas, 11 pódios, zero título;

Alain Prost: 30 corridas, cinco vitórias, zero pole, três melhores voltas, 14 pódios, zero título;

John Surtees: 30 corridas, quatro vitórias, quatro poles, seis melhores voltas, 13 pódios, um título;

Phil Hill: 30 corridas, três vitórias, seis poles, seis melhores voltas, 16 pódios, um título;

Jody Scheckter: 28 corridas, três vitórias, uma pole, zero melhor volta, seis pódios, um título;

Alberto Ascari: 27 corridas, 13 vitórias, 13 poles, 10 melhores voltas, 17 pódios, dois títulos;

Giuseppe Farina: 23 corridas, uma vitória, três poles, zero melhor volta, 13 pódios, zero título;

Mario Andretti: 12 corridas, uma vitória, uma pole, uma melhor volta, dois pódios, zero título;

Juan Manuel Fangio: sete corridas, três vitórias, seis poles, quatro melhores voltas, cinco pódios, um título.

Expectativas futuras

É muito difícil traçar o futuro de uma escuderia como a Ferrari, que apesar de tantos títulos, é um ambiente de muita pressão que leva a equipe a crises gigantescas. Sem títulos há mais de dez temporadas, e com a atual desconfigurada devido à pandemia, as expectativas não são boas. O favoritismo está ao lado da Mercedes, que vem conquistando todos os títulos desde 2014. E o pior: nos testes de fevereiro de 2020, a equipe chegou a andar atrás até da Racing Point

As fichas em cima de Sebastian Vettel não renderam nenhum título, assim como as fichas no Fernando Alonso. A equipe parte para uma reformulação e coloca suas esperanças em Charles Leclerc, que apesar de ser novo, sem título na carreira, foi formado dentro da Ferrari e já se mostrou bastante promissor, e com a mudança no regulamento em 2022 (adiada por conta do novo coronavírus), a crença por bons ventos é a esperança do cavalo empinado. 

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