Guia VAVEL da Copa Libertadores: Peñarol
Time estará no grupo 8 da Libertadores (Arte: Walter Paneque/VAVELcom)

Presença quase constante na Copa Libertadores da América, o Peñarol entra em mais uma edição do torneio continental buscando manter a tradição de disputar títulos. Pentacampeões da América, os Carboneros contam com a força da sua torcida, a experiência de Tony Pacheco e os gols da promessa peruana Paolo Hurtado, além do peso da sua camisa, para, mais uma vez, surpreenderem os adversários e brigarem pelo título da competição.

Campeão uruguaio na temporada 2013/2014, o Peñarol garantiu a vaga para a Libertadores como o melhor colocado do Uruguai e foi sorteado como o cabeça de chave do Grupo 8, que também conta com Santos Laguna (MEX), Deportivo Anzoátegui (VEN) e Arsenal de Sarandí (ARG). Para a disputa do torneio continental, poucas mudanças no elenco campeão nacional foram feitas.

As duas principais foram a contratação do técnico Jorge Fossati, campeão uruguaio dirigindo o clube em 1996 e campeão da Copa Sul-Americana com a LDU (EQU), em 2009, e a chegada do atacante Paolo Hurtado. Promessa do futebol peruano, o Hurtado, de 23 anos, vem por empréstimo do Paços Ferreira, de Portugal, e deve ser a válvula de escape para o ataque decano.

Jorge Fossati, o comandante

Pentacampeão uruguaio pelo clube como jogador, Jorge Fossati está na galeria de ídolos eternos do Peñarol. Goleiro da equipe carbonera nos anos 70, Fossati sempre foi conhecido pela sua habilidade de ler o jogo dentro do gramado e dois anos após se aposentar, em 1992, decidiu começar a carreira de treinador.

Depois de treinar o River Plate de Montevidéu por quatro temporadas, Fossati teve sua primeira oportunidade em um grande clube em 1996, quando assumiu o comando do Peñarol. No único ano em que esteve na casamata dos carboneros, comandou a equipe ao título uruguaio daquela temporada. Após rodar por diversos clubes na América do Sul, Fossati ganhou destaque no ano de 2003, quando conduziu a LDU ao título do Campeonato Equatoriano e foi convocado para ser técnico da seleção do Uruguai.

Entretanto, a passagem no comando da seleção do seu país natal não obteve muito sucesso e Fossati acertou com o Al-Sadd, do Catar, em 2006. Campeão dos quatro títulos nacionais possíveis na temporada 2006/2007, o uruguaio teve chance na seleção do país e, novamente, não correspondeu, voltando para a LDU.

No clube equatoriano, Fossati voltou a conquistar mais títulos: a Recopa Sul-Americana e a Copa Sul-Americana em 2009. O uruguaio chamou a atenção do Internacional, que decidiu apostar em um técnico estrangeiro. Entretanto, um começo de maus resultados fez Fossati deixar o comando do clube gaúcho em abril de 2010, com apenas quatro meses de trabalho. Depois do fracasso no comando do Inter, Fossati voltou para o Al-Sadd.

Pelo clube catariano, conquistou a AFC Champions League, competição continental asiática, em 2011, e se transferiu para o Cerro Porteño, do Paraguai. Pelo clube paraguaio, conquistou o título nacional em 2012 e ainda teve uma passagem pelo Al Ain antes de voltar ao Peñarol.

Tony Pacheco, o ídolo da torcida

Antonio “Tony” Pacheco é um dos poucos privilegiados que pode dizer que está no hall dos maiores ídolos da gigante história do Peñarol. Quarto maior artilheiro da história do Campeonato Uruguaio, com 128 gols marcados, o meia-atacante dedicou 15 anos de sua carreira ao clube carbonero e conquistou nada menos que oito campeonatos uruguaios pela equipe. Na última conquista carbonera, na temporada 2012/2013, Tony anotou os três gols da vitória por 3 a 1 sobre o Defensor, na final do campeonato.

Meia-atacante e que, muitas vezes, faz a função de segundo atacante, Tony Pacheco é conhecido pelo seu faro de gol e liderança dentro das quatro linhas e deve ser fator fundamental caso o Peñarol queria surpreender a todos e brigar pelo título da competição. Finalista da Libertadores em 2011, derrotado pelo Santos de Neymar, Pacheco, no alto dos seus 36 anos, pode ter a última oportunidade de encerrar sua carreira com um título continental com a camisa carbonera.

Como o Peñarol joga

Ao melhor estilo Jorge Fossati, o Peñarol atua na maioria das suas partidas no esquema 3-5-2. A equipe-base dos Carboneros é: Juan Castillo, Damián Macaluso, Carlos Valdez e Darío Rodríguez; Baltasar Silva, Sebastián Piriz, Luis Aguiar, Antonio Pacheco e Pablo Lima; Marcelo Zalayeta e Jonathan Rodríguez (Paolo Hurtado);

Pentacampeão, Peñarol é o uruguaio mais vitorioso da Libertadores

Em termos de tradição, o Peñarol é perito na Libertadores. Cinco vezes campeão, o clube carbonero é o uruguaio que mais vezes levantou a taça continental e foi, inclusive, o primeiro da história. Na primeira edição da Copa Libertadores, em 1960, o Peñarol de Alberto Spencer não deu chances aos adversários e conquistou a competição de maneira invicta e com Spencer anotando impressionantes sete gols em oito partidas.

No ano seguinte, La Cabeza Mágica e seus companheiros não perdoaram os adversários e conquistaram a Libertadores pela segunda vez. Dessa vez, entretanto, com uma derrota por 2 a 0 para o Universitário (PER) no meio do caminho. Os artilheiros da equipe foram Spencer, Juan Joya e Francisco Sasía, cada um com três gols marcados em seis partidas.

O Peñarol voltaria a conquistar a Libertadores nos anos 60. Em 1966, já com uma competição maior e mais organizada, os carboneros passaram por um grupo com o rival Nacional, o Emelec e o 9 de Octubre, ambos do Equador, e o Jorge Wilstermann e o Deportivo Municipal, ambos da Bolívia, para se classificar para o triangular semifinal.

Nas semifinais, o Peñarol passou por Nacional e Universidad Católica (CHI) para enfrentar o River Plate (ARG). Depois de três partidas emocionantes, a equipe de Spencer e Pedro Rocha se sagrou campeã na prorrogação do jogo-desempate. Pedro Rocha, inclusive, foi o artilheiro da competição, marcando dez gols em 17 aparições.

Depois de anos na seca, o Peñarol voltaria a conquistar a América em 1982. Após se classificar em um grupo que contava com Defensor Sporting (URU), Grêmio e São Paulo, a equipe carbonera enfrentou o Flamengo, então campeão continental, e o River Plate no triangular semifinal. Com quatro vitórias em quatro jogos, os carboneros conquistaram o direito de disputar a grande decisão, contra o Cobreloa (CHI).

Depois de um empate em 0 a 0 na ida, um gol de Morena aos 44 do segundo tempo da partida de volta, em pleno Estádio Nacional, em Santiago, capital chilena, garantiu a quarta conquista decana. A quinta e última conquista veio em 1987. Após passar por um grupo que contava com Progeso (URU), Alianza Lima e San Agustín, ambos do Peru, o Peñarol passou por River Plate e Independiente no triangular semifinal e disputou a decisão contra o América de Cali (COL).

Depois de serem derrotados pelos colombianos fora de casa, os carboneros venceram no Estádio Centenário, em Montevidéu, e forçaram a terceira partida, disputada no Estádio Nacional, em Santiago. Com gol de Aguirre aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, o Peñarol venceu por 1 a 0 e garantiu o pentacampeonato da Libertadores. Além das cinco conquistas, os carboneros também acumulam cinco vices da competição continental.

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