Os brasileiros que já treinaram a seleção da Costa Rica
Brasil e Costa Rica: uma combinação que já se repetiu diversas vezes no banco de reservas da seleção tricolor, e até mesmo nos gramados (Foto: Divulgação)

"No futebol, existem brasileiros em todos os cantos". Volta e meia se ouve esta frase. Se depender da Costa Rica, ela é mais do que verídica. Atualmente treinada pelo colombiano Jorge Luis Pinto, a Sele já foi comandada por nada mais e nada menos que sete brasileiros, alguns deles com dupla cidadania.

É comum associarmos o país e seu selecionado ao brasileiro naturalizado costarriquenho Alexandre Guimarães, que já defendeu e treinou a seleção da nação centro-americana, tendo, inclusive, enfrentado o Brasil na Copa do Mundo de 1990 - como jogador - e no Mundial de 2002 - como treinador -, mas ele não é o único da lista.

Em ordem cronológica, Guimarães foi o sexto brazuca a comandar a seleção tricolor. Grande parte dos treinadores os quais compõem tal grupo é desconhecida da maioria das pessoas.

Pedro Otto Bumbel

Pedro Otto Bumbel foi o primeiro brasileiro de nascimento a treinar a seleção da Costa Rica (Foto: Diario Sur)

Único falecido da lista, Pedro Otto Bumbel nasceu na cidade gaúcha de Taquara em 6 de julho de 1914 e morreu na capital Porto Alegre a 2 de agosto de 1998, aos 84 anos. Como jogador, era lateral e atuou no Floriano Peixoto (atual Novo Hamburgo), noFlamengo e no Corinthians.

Na área técnica, comandou Floriano Peixoto, Cruzeiro-RS e Grêmio, além de ter sido auxiliar técnico do Flamengo, mas sua carreira se resume basicamente à Península Ibérica, tendo em vista a grande quantidade de equipes portuguesas e espanholas que treinou. Conquistou três títulos: uma Taça de Portugal (1957-1958) e uma Liga Portuguesa (1958-1959) com o FC Porto e uma Copa do Rei (1964-1965) com o Atlético de Madrid. Obteve, também, a cidadania espanhola.

Na América Central, Otto comandou o Deportivo Saprissa nos anos de 1951 e 1952. Neste ano, foi chamado para treinar a seleção costarriquenha, na qual entrou como o substituto do costarriquenho Luís Cartín Paniagua e ficou até 1953.

Seu último clube foi o espanhol Racing Ferrol, em 1979. Também já treinou Racing Santander, Valencia, Mallorca, Elche, Sabadell, Sevilla, Acadêmica de Coimbra e Lusitano de Évora, sendo os dois últimos de Portugal e o restante da Espanha. Passou os últimos anos de sua vida trabalhando como colunista e comentarista esportivo.

Américo Brunner

Na foto estão Américo Brunner e a seleção de base de Trinidad e Tobago, à época treinada pelo brasileiro de descendência húngara; Brunner treinou a Costa Rica em 1968 (Foto: socawarriors.net)

São poucas as informações que se têm de Américo Brunner. O que se sabe é que o brasileiro também tinha descendência húngara e sua carreira de treinador se resumiu à América Central, notadamente às pequenas ilhas de Trinidad e Tobago, onde treinou clubes como o St. Benedict's e as seleções de base do país. Seus jogadores eram conhecidos como Brunner Boys.

Comandou a Costa Rica no ano de 1968, sendo o substituto do costarriquenho Rodolfo Ulloa Antillón.

No Brasil, o único clube treinado por Brunner do qual se tem notícia é o América de São José do Rio Preto, interior do Estado de São Paulo. O Mecão atualmente milita na Série A3 do Campeonato Paulista.

Odir Jacques

Odir Jacques se estabeleceu na América Central, onde foi jogador e atualmente é treinador (Foto: aldia.cr)

Nascido na cidade do Rio de Janeiro a 2 de abril de 1946, Odir Jacques foi jogador - atuava como meio-campista - e hoje é treinador. Iniciou sua carreira no Bangu em 1966. No ano seguinte, transferiu-se para a América Central, de onde nunca mais saiu. Jogou em El Salvador (FAS, Sonsonate, Alianza FC e Atlético Marte) e na Costa Rica (Deportivo Saprissa, Alajuelense, Herediano e Limonense).

As estatísticas apontam que Odir era um exímio goleador, tendo marcado um total de 126 gols quando atuou no futebol salvadorenho. Também foi o artilheiro do Saprissa na temporada de 1972, com 18 tentos. Foi com o mesmo Saprissa que o brasileiro conquistou seis edições consecutivas da primeira divisão nacional, de 1972 a 1977.

Em sua carreira de treinador, comandou os clubes costarriquenhos Alajuelense, Herediano, Deportivo Saprissa e Cartaginés, além dos salvadorenhos FAS e Alianza FC. Conquistou quatro edições da primeira divisão local com o Herediano (1978, 1981, 1985 e 2012) e uma com a Alajuelense (1983). Atualmente, treina o Municipal Peréz Zeledón, integrante da elite do futebol da Costa Rica.

Odir Jacques, que acabou se naturalizando costarriquenho, treinou os Ticos no ano de 1985, quando chegou para o lugar deixado pelo espanhol Antonio Moyano Reina.

Valdeir "Badú" Vieira

Valdeir "Badú" Vieira assumiu o comando da Costa Rica cercado de expectativas, mas não conseguiu levar os tricolores à Copa do Mundo de 1998 (Foto: Reprodução/Arquivo nacion)

Valdeir Vieira nasceu na cidade de Marília, interior de São Paulo, no dia 11 de julho de 1944. Jogou futsal e futebol de campo - nos gramados defendeu Dracena-SP, Aimoré-RS, Central Español (Uruguai), Hibernians FC (Malta) e Croissant Club Sigois (Argélia). Ganhou o apelido de "Badú" quando ainda jogava nas quadras e tanto nelas quanto nos campos atuava no setor defensivo.

Valdeir "Badú" tem bastante rodagem como treinador. Iniciou sua carreira na área técnica em 1987, no Caracas, da Venezuela, onde conquistou a copa nacional. Treinou apenas dois clubes brasileiros: o Blumenau e o Brusque, ambos de Santa Catarina, nos anos 90. Pelo Brusque, conquistou o até então inédito título do Campeonato Catarinense em 1992. Ainda nesta década, estabeleceu-se na Costa Rica.

De 1994 a 1996, comandou a Alajuelense, por quem conquistou a primeira divisão e a Copa Interclubes da UNCAF em 1996. Tal prestígio lhe rendeu um lugar no comando técnico da seleção costarriquenha ainda àquele ano, no lugar de Juan Blanco. Treinou a Sele até 1997, depois de não ter conseguido classificar os tricolores ao Mundial da França de 1998. Valdeir também comandou outras duas seleções: a do Irã, em 1997, e a de Omã, em 1998 e 1999.

Voltou à Costa Rica em 2000, após breve passagem pelo marroquino Raja Casablanca, para treinar o Deportivo Saprissa, no qual ficou até 2001. Depois disto, fez carreira no futebol árabe, tendo conquistado a Premier League do Kuwait de 2002 e a Copa dos Clubes do Golfo de 2003 pelo Al-Arabi. Atualmente, está no Kyoto Sanga, da segunda divisão japonesa.

Gílson Nunes

Gílson Nunes foi o técnico da Costa Rica no ano 2000 (Foto: Reprodução/melhordoparana.blogspot.com)

Natural do Rio de Janeiro (12/06/1946), Gílson Nunes era lateral e jogou apenas por clubes da sua cidade natal: Bonsucesso, Fluminense, Vasco da Gama e América, no qual se aposentou em 1978. No ano seguinte, foi chamado para ser assistente técnico do Vasco e não recusou o convite. Ficou no clube cruzmaltino até 1981, quando se transferiu para o Al-Wasl, dos Emirados Árabes Unidos.

Nos EAU, conquistou a primeira divisão com o mesmo Al-Wasl em 1982. Um ano depois, assumiu o comando da Seleção Olímpica. Em 1985, conquistou o Mundial Sub-20 com a Canarinho. Àquela época, o Brasil derrotou a Espanha na decisão, em Moscou, capital da Rússia, com o gol do título saindo na prorrogação. Em 1989, tornou-se assistente técnico da seleção principal.

Posteriormente, treinou clubes como Fluminense, Náutico, Bahia, São José-SP e Sport. Em 1995, comandou a seleção do Marrocos. Ainda nos anos 90, foi treinador de Goiás, Juventude e Botafogo, tendo conquistado o Torneio Rio-São Paulo de 1998 pela Estrela Solitária.

Em 2000, Gílson chegou ao comando de mais um selecionado nacional: a Costa Rica, assumindo a vaga deixada pelo costarriquenho Marvin Rodríguez. Treinou a Sele pelo período de um ano.

Em 2002, passou pelo Atlético Paranaense, atual campeão brasileiro à época, no qual chegou com o status de substituto do técnico Geninho. Todavia, ficou somente duas semanas no comando do Furacão, somando apenas um ponto em sua breve passagem.

Seu último clube foi o Al-Ryadh, da Arábia Saudita. Nos dias de hoje, está sem time.

Alexandre Guimarães

Alexandre Guimarães disputou três Copas do Mundo pela Costa Rica: uma como jogador e duas como treinador (Foto: Yuri Cortez/AFP/Getty Images)

Alagoano de Maceió, onde nasceu em 7 de novembro de 1959, Alexandre Guimarães é o "brasileiro mais costarriquenho que existe", assim pode-se dizer. Mudou-se do Brasil para o país da América Central continental com apenas 11 anos de idade, juntamente com a sua família - seu pai foi trabalhar na Costa Rica.

Sua carreira de jogador de futebol foi inteiramente construída em sua nova casa. Foi revelado pelo Durpanel San Blas e passou por Municipal Puntarenas, Deportivo Saprissa e Turrialba, tendo encerrado sua caminhada como futebolista neste último em 1992. No Saprissa, conquistou três campeonatos da primeira divisão, em 1982, 1988 e 1989. "Guima", como ficou conhecido, é um dos maiores ídolos da história do Monstruo Morado, por quem jogou de 1982 a 1991.

Alexandre Guimarães obteve a cidadania costarriquenha, bem como a naturalização, em 1985. Consequentemente, também conquistou o direito de defender a seleção do país. Ajudou os Ticos a se classificarem à Copa do Mundo da Itália de 1990, tornando-se o segundo brasileiro de nascimento a defender outro país num Mundial - o primeiro foiAnfilóquio Guarisi, pela Itália, no longínquo ano de 1934. Quis o destino que a Costa Rica caísse no mesmo grupo do Brasil. Com isto, Guima fez história em dose dupla: tornou-se, também, o primeiro brasileiro de nascimento a enfrentar a Seleção Canarinho numa Copa do Mundo.

A Sele ficou no Grupo C. Além do Brasil, tinha a Escócia e a Suécia como adversárias. Foi derrotada pelos brasileiros por um honroso 1 a 0, mas venceu as seleções europeias - 1 a 0 sobre a Escócia e 2 a 1 ante a Suécia - e ficou na vice-liderança da chave, acabando por garantir a vaga no mata-mata. Nas oitavas-de-final, sucumbiu diante daTchecoslováquia. Mesmo com a acachapante derrota por 4 a 1, os costarriquenhos saíram satisfeitos por terem feito a melhor campanha do país em Copas do Mundo - isto em sua primeira participação -, fato até hoje não superado.

Como técnico, Alexandre Guimarães iniciou seus trabalhos nas Américas Central e do Norte. Em 2000, assumiu a seleção da Costa Rica, sendo o substituto de Gílson Nunes. Levou o país ao Mundial de 2002, o segundo com a presença dos tricolores, no Japão e na Coreia do Sul. Acabou reencontrando o Brasil em seu caminho. Coincidentemente, também no Grupo C. Nova vitória da Amarelinha, desta vez por 5 a 2. Guima também reencontrou Bora Milutinović, que fora seu técnico na Copa de 1990. O sérvio, àquela altura, treinava a seleção da China. Na chave, a Costa Rica fez quatro pontos e foi eliminada do Mundial precocemente por ter saldo de gols pior que a Turquia (-1 a 2).

Em 2005, assumiu novamente a Sele e levou o país a mais uma Copa do Mundo. Em 2006, caiu no Grupo A com a anfitriã Alemanha, o Equador e a Polônia. Ficou em último lugar, não tendo conquistado um ponto sequer.

Depois da má campanha naquela Copa, Alexandre assumiu a seleção do Panamá, onde ficou até 2008. A partir daí, fez carreira no futebol árabe: passou pelo Al-Wasl, por quem conquistou a Copa dos Clubes do Golfo de 2010, e pelo Al-Dhafra. Em 2011, chegou ao Deportivo Saprissa, clube o qual tinha treinado antes da sua primeira passagem pela seleção costarriquenha. Um ano depois, foi para o Tianjin Teda. Ficou no clube chinês até o final de 2013.

Em 2014, a Costa Rica disputará sua primeira Copa do Mundo sem "Guima", seja no elenco ou na área técnica.

René Simões

René Simões comandou a Costa Rica em 2009 (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)

O último integrante da lista é René Simões, um dos nomes mais conhecidos do futebol brasileiro. Veio ao mundo em 17 de dezembro de 1952, no Rio de Janeiro. Conhecido pelo seu exímio trabalho com as categorias de base, René também já treinou as seleções de Jamaica, Trinidad e Tobago, Honduras e Costa Rica, além da Seleção Brasileira Feminina e do time sub-23 do Irã.

Comandou a Jamaica de 1994 a 2000, tendo levado o selecionado à Copa do Mundo de 1998, até hoje a única com a participação dos jamaicanos. Neste mesmo ano, conquistou a Copa do Caribe com os Reggae Boys. Voltou em 2008, mas não conseguiu classificar os centro-americanos para um Mundial novamente. Passou os anos de 2001 e 2002 no comando técnico de Trinidad e Tobago; em 2003, no de Honduras. Em 2006, treinou a seleção sub-23 do Irã, por quem conquistou a medalha de bronze nos Jogos Asiáticos.

Não é exagero dizer que Simões revolucionou o futebol feminino no Brasil. Seu lado motivador - chegou a contratar palestrantes e psicólogas para trabalharem com as jogadoras - ajudou as meninas a conquistarem a medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas em 2004, quando foram derrotadas pela poderosa seleção dos Estados Unidos na prorrogação por 2 a 1. As norte-americanas já haviam vencido as brasileiras na fase de grupos (2 a 0). Os jogos restantes foram marcados por vitórias convincentes e memoráveis: 1 a 0 sobre a Austrália, 7 a 0 na anfitriã Grécia, 5 a 0 ante o México e 1 a 0 contra a Suécia. Sua época à frente da Seleção Feminina o ajudou a lançar o livro "O Dia em que as mulheres viraram a cabeça dos homens".

Em 2009, chegou à Costa Rica com o objetivo de levar os Ticos ao Mundial da África do Sul de 2010 - àquela altura, substituiu o costarriquenho Rodrigo Kenton. Entretanto, não obteve sucesso. Após a eliminação para o Uruguai na Repescagem Intercontinental (2 a 1 no placar agregado), entregou o cargo.

No âmbito dos clubes, René Simões também é um treinador bastante rodado. Já treinou equipes do Qatar - conquistou a Liga do Qatar de 1990 com o Al-Rayyan -, dos Emirados Árabes Unidos, de Portugal e do Brasil. Em terras tupiniquins, passou por clubes como Bahia, Vitória, Santa Cruz, Vila Nova, Coritiba, Fluminense, Portuguesa e Ceará. Seu último time foi o Atlético Goianiense.

Também já foi preparador físico do Serrano-RJ, superintendente de futebol doFlamengo e diretor-técnico das categorias de base do São Paulo. No Vasco, foi preparador físico e diretor executivo.

DB

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