Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1966
Arte: Hugo Alves/VAVEL Brasil

Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1966

Anfitriã, Inglaterra conquistou o único título mundial e tentará quebrar jejum na Rússia

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Gerson Barbosa / Rudielle Mendes

Conforme os dias vão passando, a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, se aproxima cada vez mais. E, com ela, a VAVEL vem preparando especiais importantes sobre diversas áreas relacionadas ao torneio, incluíndo a sua história. E, nela, há de se lembrar da Copa de 1966, realizada na Inglaterra, que coroou os ingleses com o seu único título mundial, ao bater a Alemanha Ocidental na final, em Wembley, por 4 a 2 no dia 30 de julho daquele ano. 

A participação Brasileira no torneio, porém, acabou terminando com uma eliminação precoce na fase de grupos, vindo de dois títulos consecutivos. Com Pelé dado como machucado depois da vitória contra a Bulgária, no primeiro jogo, e em um grupo difícil, a Seleção perdeu os dois próximos jogos, frente as fortes Hungria e Portugal. Encerrou a participação em terceiro no Grupo 3, com dois pontos. 

Problemas antes da bola rolar e times mais táticos: o início da Copa de 1966

Antes que o torneio pudesse começar, uma situação desagradável tomou lugar na Inglaterra. A taça Jules Rimet foi roubada da vitrine onde estava sendo exposta, no Center Hall de Westminster, em Londres. Embora a Football Association (federação de futebol na terra da rainha) tenha criado uma réplica como precaução, a taça foi encontrada por um dos cachorros farejadores da polícia, em uma caçada nacional. Ela estava enrolada em um jornal. 

Quando a bola começou a rolar dentro das quatro linhas, foi possível enxergar uma diferença para as Copas anteriores: as equipes marcavam menos gols, tendo um ar mais tático do que antes. Novas ideias táticas foram chegando no cenário do futebol mundial já na década de 1940, quando algumas variações foram vistas pela primeira vez. Já nos anos 1960, não foi diferente. A Inglaterra, por exemplo, se classificou no Grupo 1para o mata-mata fazendo apenas quatro gols, mas não sofrendo nenhuma. Também na Chave 1, o Uruguai passou de fase, eliminando México e França.

Passando pelos outros grupos, Alemanha Ocidental e Argentina avançaram de fase, ambos com cinco pontos cada na Chave 2. Para passar, eliminaram Espanha e Suíça. No Grupo 3, Hungria e Portugal foram ao mata-mata ao eliminarem Brasil e Bulgária. Alguns especialistas tratam as derrotas do Brasil como 'polêmicas', visto o grande número de faltas não marcados em jogadores importantes. 

Por fim, no Grupo 4, a União Soviética venceu todas as partidas, se classificando em primeiro e com todos os seis pontos possíveis, seguidos pela surpresa Coreia do Norte, que ficou à frente de Itália e Chile para chegar nas quartas de final. 

GRUPO 1:

Pos. Seleção Pts J V E D GM GS SG
1 Inglaterra 5 3 2 1 0 4 0 +4
2 Uruguai 4 3 1 2 0 2 1 +1
3 México 2 3 0 2 1 1 3 -2
4 França 1 3 0 1 2 2 5 -3

GRUPO 2: 

Pos. Seleção Pts J V E D GM GS SG
1 Alemanha Ocidental 5 3 2 1 0 7 1 +6
2 Argentina 5 3 2 1 0 4 1 +3
3 Espanha 2 3 1 0 2 4 5 -1
4 Suíça 0 3 0 0 3 1 9 -8

GRUPO 3:

Pos. Seleção Pts J V E D GM GS SG
1 Portugal 6 3 3 0 0 9 2 +7
2 Hungria 4 3 2 0 1 7 5 +2
3 Brasil 2 3 1 0 2 4 6 -2
4 Bulgária 0 3 0 0 3 1 8 -7

GRUPO 4: 

Pos. Seleção Pts J V E D GM GS SG
1 União Soviética 6 3 3 0 0 6 1 +5
2 Coreia do Norte 3 3 1 1 1 2 4 -2
3 Itália 2 3 1 0 2 2 2 0
4 Chile 1 3 0 1 2 2 5 -3

Fase final: ingleses faturaram título na casa

Com os donos da casa classificados e Brasil e Itália de fora, o caminho ficou menos complicado para a Inglaterra. Apesar disso, sofreu bastante para eliminar a Argentina por 1 a 0. Quem enfrentaria os ingleses na semifinal era a Seleção de Portugal, que por pouco não ficou de fora. O time de Eusébio saiu perdendo o jogo por 3 a 0 para a zebra Coreia do Norte. Mas o time liderado pelo Pantera Negra reagiu ainda no primeiro tempo e liquidou os asiáticos por 5 a 3.

Do outro lado da chave, a Alemanha não teve dificuldade para bater o bicampeão Uruguai por 4 a 0. Beckenbauer e Seeler deixaram suas marcas. Já a União Soviética confirmou o favoritismo da época e derrotou a Hungria por 2 a 1.

O Goodison Park foi casa a para uma semifinal recheada de tensão entre alemães e soviéticos. Haller e Beckenbauer fizeram 2 a 0 e seguraram o placar até o final. O time do leste europeu ainda diminuiu o marcador mas ficou no último passo antes da final. A Alemanha garantia vaga na final.

Já em Wembley, com publico de quase 95 mil pessoas, Inglaterra de Sir Bobby Charlton encarou Portugal de Eusébio, no que poderia ser o melhor duelo da Copa de 66. O lendário atleta do United marcou aos 30 do primeiro tempo e aos 35 da etapa final. Eusébio ainda marcou o seu porém Inglaterra e Alemanha fariam a final do Mundial. 

Novamente no maior palco do futebol inglês, foi a vez da final entre Inglaterra e, na época, Alemanha Ocidental. A bola rolou por apenas 12 minutos quando Haller calou Wembley e abriu o marcador para os alemães. Mas a comemoração durou pouco, já que Hurst, seis minutos depois, empatou a peleja. Peters virou e Weber fez 2 a 2, colocando a partida na prorrogação. Os ingleses reclamaram de um toque de mão do alemão. A polêmica estaria apenas no início.

Aos oito minutos do primeiro tempo, Hurst bateu para o gol e marcou o terceiro da partida. A bola bateu no travessão e caiu em cima da linha de gol, não ultrapassando a marca. Hurst marcou mais uma vez, matou com 4 a 2 próximo do apito final e fez a festa da torcida da casa. 

Seleção posando após título (Foto: PA Images/via Getty Images)
Seleção posando após título (Foto: PA Images/via Getty Images)

Estádios utilizados na Copa de 1966:

- Wembley Stadium (Londres, com capacidade para 98.600 pessoas)

- White City Stadium (Londres, com capacidade para 76.567 pessoas)

- Villa Park (Birmingham, com capacidade para 52.000 pessoas)

- Goodison Park (Liverpool, com capacidade para 50.151 pessoas)

- Old Trafford (Manchester, com capacidade para 58.000 pessoas)

- Hillsbourough (Sheffield, com capacidade para 42.730 pessoas)

- Roker Partk (Sunderland, com capacidade para 40.310 pessoas)

- Ayresome Park (Middlesbrough, com capacidade 40.000 pessoas)

*capacidades na época da realização do torneio

Artilheiro da Competição

Nascido em Moçambique em 1942, Eusébio da Silva Ferreira, conhecido como Eusébio, tinha 22 anos quando chegou à Copa na Inglaterra após também ter faturado o prêmio da bola de ouro em 1965. Em seis jogos, o pantera negra marcou nove gols, cinco deles na fase final da competição. Ainda nos grupos, o moçambiquenho radicalizado em Portugal marcou duas vezes, despachando o Brasil de volta para o continente americano.

Eusébio marcando um de seus quatro gols nas quartas contra a Coreia do Norte (Foto: Popperfoto/via Getty Images)
Eusébio marcando um de seus quatro gols nas quartas contra a Coreia do Norte (Foto: Popperfoto/via Getty Images)

Surpresa

A Coreia do Norte participou apenas de duas edições de Copa do Mundo. A primeira delas foi na Inglaterra. Era considerada a mais fraca antes da competição começar e, para espanto de muitos, fez campanha melhor que seleções que se esperavam mais dentro de campo. Na primeira fase, os norte coreanos caíram na chave da União Soviética, Itália (bicampeã) e Chile (última sede de Copa em 1962).

Apesar de estrear perdendo para a URSS por 3 a 0, os asiáticos se recuperaram, empatando com os chilenos por 2 a 1 e, na última rodada, despacharam a Itália de Mazzola por 1 a 0, avançando para a fase seguinte. 

E a Coreia do Norte esteve com um pé na semifinal da Copa do Mundo. Contra Portugal nas quartas, o time abriu 3 a 0 em 25 minutos de jogo. Mas a tarde de Eusébio, que viria a ser artilheiro da competição, foi anormal. O lendário atacante marcou quatro dos cinco gols da virada portuguesa. 

Decepção

Campeã na Suécia e no Chile. Com Pelé e Garrincha entre os selecionados, o favoritismo do Brasil seguiu alto como na edição anterior na América do Sul. No entanto, o que se viu nos gramados foi tudo de mais distante do que ocorrer durante os oito anos que antecederam a apresentação na Inglaterra. A Seleção Canarinha (ainda que naquela época não tivesse essa alcunha) disputou apenas três jogos .

Na estreia, no dia 12 de julho em Goodison Park, Pelé e Garrincha deram números ao placar contra a frágil Bulgária. Ainda assim, o futebol não foi tão convincente como em outras épocas. No segundo jogo, o choque. A seleção de Vicente Feola não foi páreo para a Hungria. Sem Pelé, o Brasil ficou a ver navios e foi derrotado por 3 a 1 para os húngaros. E para encerrar no dia 18, o Brasil viu um show de Eusébio e da Seleção de Portugal, que marcou duas vezes em mais um revés por 3 a 1. A volta para casa foi mais cedo do que se esperavam.

Elenco brasileiro na Copa da Inglaterra

01 GO Gylmar - FC Santos
02 ZA Djalma Santos - SE Palmeiras
03 LD Fidélis - AC Bangu
04 ZC Bellini - FC São Paulo
05 ZC Brito - CR Vasco da Gama
06 LE Altair - Fluminense
07 QZ Orlando - Santos
08 LE Paulo Henrique - Flamengo
09 LE Rildo - Botafogo
10 MA Pelé - Santos
11 ME Gérson - Botafogo
13 MV Denilson - Fluminense
14 MV Lima - Santos
15 MV Zito - Santos
16 PD Garrincha - Corinthians
17 PD Jairzinho - Botafogo
18 CA Alcindo - Grêmio
19 CA Silva - Flamengo
20 CA Tostão - Cruzeiro
21 PE Paraná - São Paulo
22 PE Edu - Santos
Técnico: Vicente Feola

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