Alerta vermelho: Barcelona precisa passar por transformações necessárias
Foto: Divulgação/UEFA

Catástrofe resume tudo o que aconteceu com o Barcelona após sofrer goleada histórica por 8 a 2 diante do Bayern de Munique, em jogo único válido pelas quartas de final da UEFA Champions League 2019-20. Se não fosse por Alaba, que anotou o primeiro gol contra e que favoreceu os espanhóis, o placar ficaria em 8 a 1.

Revolta define o sentimento dos torcedores catalães após tamanho vexame, pois não aguentam mais tanta mediocridade que o time representa nos últimos anos. Nas redes sociais, virou rotina pedir a saída de Josep Maria Bartomeu da presidência, por ser o maior culpado pelos últimos fracassos colhidos.

Sendo assim, é lamentável um clube da grandeza do Barcelona passar por toda essa situação complicada. O clube já atravessou outros momentos difíceis, mas o que aconteceu na noite da última sexta-feira (14), foi o pior momento em 120 anos de história.

Na temporada 2019-20, os catalães caíram nas quartas de final da Copa do Rei, em fevereiro, após derrota por 1 a 0 para o atual finalista da competição, o Athletic Bilbao, e na LaLiga ficaram com o vice-campeonato, cinco pontos atrás do campeão Real Madrid. Por fim, na Champions League, foram eliminados nas quartas de final ao sofrer goleada histórica por 8 a 2 para o Bayern de Munique.

Essa temporada, aliás, foi a pior do Barça em muitos anos, pois se despediu sem conquistar títulos. Em campo, foram muitos jogos com futebol pouco convincente e era notória a dependência em Ter Stegen na defesa e do craque Lionel Messi no ataque. Não existe coletivo, mas sim talentos individuais no grupo.

Afinal, quais são os problemas do Barcelona?

Gestão

O ex-presidente Sandro Rosell comandou o Barcelona por quatro anos, de 2010 a 2014, e a relação com Pep Guardiola não era das melhores. Um dos motivos da saída do treinador espanhol do clube foi a falta de liderança em outros âmbitos e Pep precisou assumir outros papéis além de técnico. Houve momentos em que ele atuou como porta-voz da instituição, porque tinha que defendê-la de Mourinho, das acusações de doping ou perante a UEFA.

No “Caso Neymar”, Rosell e Bartomeu foram acusados de fraude e corrupção, entretanto a denúncia foi arquivada pela Audiência Provincial de Barcelona. Na ocasião, para trazer o jogador brasileiro à Espanha, os blaugranas anunciaram a vinda por € 59,1 milhões, mas o verdadeiro valor ficou muito acima do anunciado: € 86,2 milhões. O objetivo da ação era evitar recolhimento de impostos da contratação.

Com o escândalo envolvendo a contratação de Neymar, Rosell renunciou o cargo. Josep Maria Bartomeu, que era vice-presidente, assumiu o comando e desde o dia 23 de janeiro de 2014 ocupa a presidência do time.

A conquista do quinto título da Champions League na temporada 2014-15, ao derrotar a Juventus por 3 a 1 na final, cobriu por um período os problemas internos do clube, além de cair no esquecimento os últimos escândalos.

Com o passar das temporadas, o Barcelona foi se enfraquecendo. O futebol, que antes encantava os torcedores, deu lugar ao resultadismo e pragmatismo. O planejamento a longo prazo deu espaço para o curto prazo. O plantel, que antes tinha ótimas opções no banco de reservas, não tem mais. A devida reformulação do elenco não foi feita e hoje se tem poucas opções. Deixou de existir o jogo coletivo, e o individualismo, até onde deu, resolveu a maioria dos jogos.

O mandatário prometeu tomar medidas drásticas após a goleada histórica, sendo que é o maior culpado e a torcida quer sua renúncia. As eleições para eleger o novo presidente será somente no ano que vem.

Treinadores

A passagem do treinador Ernesto Valverde no time catalão durou dois anos e seis meses, mas não deixou saudades. Apesar de faturar a Copa do Rei em 2017-18, Supercopa da Espanha em 2018-19 e LaLiga em 2017-18 e 2018-19, o Barcelona passou vexame na Champions League em duas oportunidades com ele no comando.

Na temporada 2017-18, os catalães enfrentaram a Roma nas quartas de final da competição europeia. No jogo de ida, venceram o time italiano por 4 a 1 no Camp Nou. Na volta, os italianos surpreenderam e fizeram três gols contra nenhum dos visitantes. Com 4 a 4 no agregado, a Roma ficou com a classificação.

A história voltou a se repetir em 2018-19, porém dessa vez contra o Liverpool. Na ida, vitória por 3 a 0 contra os Reds. Tudo indicava que o raio não cairia duas vezes no mesmo lugar, mas caiu. Na volta, em Anfield Road, os ingleses fizeram partida fantástica e aplicaram goleada por 4 a 0. Portanto, outra eliminação trágica.

Mesmo campeão espanhol, o Barcelona terminou a última temporada com gosto amargo na boca após sofrer derrota na final da Copa do Rei para o Valencia por 2 a 1 e precisou se contentar com o vice-campeonato.

O desempenho continuou insatisfatório na atual edição e Valverde foi demitido em janeiro de 2020. Para seu lugar, contrataram Quique Setién. A troca, entretanto, não agradou os jogadores, pois gostavam do antigo treinador e não se adaptaram ao novo comandante.

Além de vestiário conturbado, o time não voltou bem após a paralisação. Na liga, era visível a superioridade do Real Madrid, que ficou com o título. Na penúltima rodada, o Barcelona dependia de combinação de resultados: torcer por derrota do Madrid e fazer sua parte contra Osasuna. Contudo, nada aconteceu conforme planejado. O rival foi campeão e Barça perdeu por 2 a 1 para o adversário.

Por fim, a goleada histórica sofrida nas quartas de final na Champions para o Bayern de Munique foi a gota d’água.

Jogadores

O elenco do Barcelona está envelhecido e precisa de reformulação. Jogadores como Piqué, Busquets, Jordi Alba, Sergi Roberto e Suárez ainda estão no clube por causa de nome e passado; não rendem mais como antes e estão acomodados.

Na atual temporada, o time ficou muito dependente do goleiro Ter Stegen, que fez ótimas defesas durante o ano, e de Messi, o craque argentino. Ao que tudo indica, o melhor jogador do mundo está cansado de carregar o time nas costas e pode se despedir do Barça a qualquer momento.

No banco de reservas, são poucas boas opções à disposição do treinador. Apenas Junior Firpo, Ansu Fati e Riqui Puig entram na maioria dos jogos durante o segundo tempo, ou quando necessário, são relacionados ao time titular.

Os blaugranas também tiveram problemas com as contratações que ainda não deram certo. Coutinho e Griezmann, por exemplo, são os casos. O brasileiro não fez boas partidas com a camisa do time espanhol e foi emprestado ao Bayern de Munique. O francês, por sua vez, ainda não engrenou conforme esperado e não conseguiu criar sintonia com Messi e Suárez.

Conclusão

O Barcelona precisa passar por reformulações, tanto dentro quanto fora de campo, e a catastrófica eliminação sofrida para o Gigante da Baviera acende esse alerta vermelho no clube. Demorou para que muitos percebessem, mas agora não dá para esconder mais os problemas internos. As cobranças precisam ser feitas, justamente porque é inadmissível um time de grande expressão mundial passar por tanta humilhação. Que os culpados sejam responsabilizados.

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