Álvaro: "Metade dos grandes clubes têm problemas com jogadores alcoólatras"
Álvaro comemorando gol com a camisa do Bragantino (Arte: Marcello Neves/VAVEL Brasil; Foto: Divulgação/Bragantino)
Experiência, grandes histórias, dramas e futuro. O zagueiro Álvaro, hoje capitão do Mogi Mirim, falou abertamente sobre toda a sua carreira com a equipe da VAVEL Brasil. Títulos, passagens por São Paulo, Goiás, Internacional, Flamengo e seleção olímpica, além de passagens pelo futebol europeu. O jogador de 36 anos não escondeu o seu drama com o álcool no passado, e fez revelações sobre os seus planos para o futuro.
Álvaro foi revelado pelo São Paulo em 1995, e o comandante do time era nada mais do que Telê Santana. O atleta disse como foi o seu início de carreira e como era visto “o mestre Telê”. “O Telê nessa época esbanjava respeito, subimos na época eu, Sidnei, Denílson e o Fabiano. Subimos com 17 anos, naquela época a gente olhava pro Telê e já tremia de tanto respeito que ele exercia sobre o grupo. Isso foi muito importante para a minha carreira, sempre fui um jogador de muita força, os ensinamentos do Telê vão ficar guardado por toda a minha vida”, lembrou.
No Tricolor, Álvaro foi emprestado para o América-MG e o Goiás. E foi na equipe goiana que o zagueiro teve um ano importante para a carreira, chegando até mesmo a ganhar uma vaga na seleção olímpica de 2000. Após o retorno para o clube do Morumbi, o beque foi negociado com o futebol espanhol.
"Hélio dos Anjos me levou para o Goiás, e foi ali que minha carreira realmente se encaixou" - Álvaro, sobre seu início de carreira
“Foi uma época de transição. Estive no São Paulo em 1995, 96 e 97, em 98 no América-MG emprestado, 1999 fui para o Goiás. O Goiás tinha acabado de cair para segunda divisão, e o treinador era o Hélio dos Anjos que trabalhou comigo no América. Ele me levou para o Goiás. Ali a minha carreira realmente se encaixou. No São Paulo eu jogava, ficava no banco, jogava, ficava no banco. No Goiás realmente eu fui titular absoluto, joguei a maioria das partidas, e acabei sendo convocado para a seleção olímpica, onde conquistamos o Pré-Olímpico. Também ganhei a Série B e o Campeonato Goiano aquele ano, foi um ano importante, por que eu já era um jogador experiente por ter começado muito jovem, e ao mesmo tempo jovem por ter só 20 anos. Foi onde a minha carreira se estabilizou, acabei voltando para o São Paulo em 2000 e depois fui vendido para a Europa”, resumiu Álvaro.
O jogador recordou da época olímpica com um gostinho de que a seleção poderia ir mais longe na competição. Na sua visão, faltou experiência para se chegar ao inédito título. “O que faltou aquela seleção foram os três jogadores com mais experiência, que não foram. Na época tinha o Rivaldo, Romário e o Cafu. Mas o Vanderlei optou. Foi a escolha dele, poderia ter dado certo, mas ele optou por não levar. Eu acho que esses três jogadores dariam estabilidade na seleção, retiraria um pouco da responsabilidade de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Alex até a mim próprio, até por eles serem mais experientes daria um pouco de instabilidade a seleção”, disse.
"A passagem pelo futebol espanhol me fez entender várias coisas que o Brasil, no começo, não conseguiu me fazer entender" - Álvaro, sobre trajetória na Europa
Álvaro passou mais de oito anos no futebol espanhol. Conquistou títulos como a Copa do Rey e a Supercopa da Espanha pelo Zaragoza, e enfrentou grandes jogadores. “Foi uma passagem muito boa, me fez entender várias coisas que no Brasil, no começo, não conseguiu me fazer entender. Posicionamento, táticas, entender os treinadores, me faz hoje ter vontade de quando parar, seguir como treinador, ensinar. O futebol europeu me fez ter muita bagagem para poder ainda estar jogando com 36 anos no Brasil, e poder ainda pensar como treinador, que é onde vou estar daqui a pouco, daqui a uns dois, três anos, mudando de lado”. O atleta ainda atuou pelo Levante, após boa passagem pelo Zaragoza.
Retornando ao Brasil, Álvaro foi para o Internacional. No Beira-Rio conquistou títulos, mas vivia o drama do alcoolismo. Transferiu-se para o Flamengo, onde foi campeão brasileiro, sendo um dos destaques da equipe, o que lhe rendeu até uma música cantada pela torcida e lembrada pelo jogador: “Uhh, Álvaro é mau, pega um pega geral”, relembra sorrindo.
"Metade dos grandes clubes têm problemas com jogadores alcoólatras" - revela Álvaro sobre alcoolismo
Mesmo com as boas atuações, o jogador não conseguia se livrar do álcool, mas hoje Álvaro está totalmente recuperado, garante: “Foi um momento em que eu passei por dificuldades, e com problemas de vicio com bebidas alcoólicas. Metade dos grandes clubes têm problemas com jogadores alcoólatras. Mas meu problema foi superado há alguns anos, hoje eu vivo saudável, uma situação que relembra para poder ensinar aos mais jovens.
Álvaro se afastou dos gramados em 2010 e fez um curso para técnicos de futebol, até que seu amigo, Bruno Quadros, atuel treinador do Linense, o fez um convite para retornar aos gramados em 2013. “Eu nem imaginava que eu poderia voltar (aos gramados), já tinha parado de jogar. Fui fazer o curso, estava direcionando a minha vida. Quando o Bruno (Quadros) me chamou ele disse, 'olha, preciso de um líder dentro de campo, um capitão'. Eu respondi que iria treinar antes, o clube não precisava me pagar, não precisa arcar com as minhas despesas, eu arco, mas se eu chegar a uma condição física que eu possa ajudar, nós assinamos um contrato. Então foi o que aconteceu, eu vim para o Linense, fiquei treinando de agosto a novembro, emagreci, entrei em forma, e acabei podendo ajudar o time em uma das melhores temporadas que o clube fez, ficando entre os nove, quase classificamos e tudo mais... Eu vim pelo relacionamento com o Bruno, poderia ter voltado, infelizmente não deu certo por algumas questões, mas foi um momento muito bom pra minha vida, porque eu voltei para o futebol, joguei e continuei aprendendo muito mais para mais tarde poder começar a vida como treinador”, explicou.

Depois de fazer um bom campeonato pelo Linense, Álvaro foi disputar a Série B do Campeonato Brasileiro pelo Bragantino. O beque manteve o nível das boas atuações, e em dezembro parecia tudo certo para o atleta retornar ao Linense, mas acabou indo para o Mogi Mirim. O zagueiro explicou que o fez ir para o time do presidente Rivaldo.
“Foi porque havia uma negociação com um time árabe. Poxa, 36 anos e você receber propostas como essa? Eu tive que dar atenção a proposta. O que eu fiz foi levar a proposta até os dirigentes do Linense, e ver se eles poderiam esperar ate o dia 30. Disseram que não. Liguei para o pessoal de lá, disse que teria que vir para o Linense por que tinha dado a minha palavra, mas que eu não queria deixar essa proposta de lado. Eles disseram tudo bem, 'quanto o Linense vai pagar?', eu disse. O Linense vai pagar X, quatro meses de contrato, fiz a soma, eles disseram 'avisa o pessoal do Linense que você pode fazer o contrato, se ate o dia 30 a gente fechar contrato com você a gente paga o valor total do seu contrato ai o Linense te libera. A diretoria entendeu que não aceitaria isso", explicou.
"O Rivaldo em seguida me ligou e disse que aceitaria, e acertamos o contrato dessa forma. Eu não vim para o Linense pela diretoria que não quis aceitar, uma situação que seria totalmente favorável ao Linense, e se não saísse, estaria hoje aqui. Se eu saísse o Linense poderia contratar um ou dois jogadores do mesmo nível e sem tirar dinheiro do cofre, foi o que o Rivaldo acabou entendendo, e hoje estou no Mogi Mirim, capitão e bastante feliz”, completou Álvaro.
Agora no Mogi Mirim, o experiente zagueiro é o capitão e líder do time. Ele falou sobre as pretensões da equipe na competição. “Pensamos jogo a jogo, passo a passo, cada jogo para nos significa a classificação, faltando cinco rodadas vamos saber a onde nos vamos”, projetou.
Álvaro tem o sonho de ser treinador. Com os pés no chão, o zagueiro sonha e faz planos para após pendurar as chuteiras. O capitão do Sapão quer ser o primeiro técnico negro da historia da seleção brasileira. “Sonho em um dia comandar a seleção brasileira. Assim como a Dilma foi a primeira mulher na presidência do Brasil, eu gostaria de fazer uma historia nesse sentido, o primeiro treinador negro que comandou a seleção. Mas ainda tenho que passar por muitas coisas ainda, tenho que passar por uma primeira oportunidade para ver como me saio e ai sim você se dedicando, estudando, aprendendo, mantendo os pés no chão, pode ter uma oportunidade no futuro”, finalizou Álvaro.
(Fotos: Reproduções)
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