Especial: os 11 hinos mais bonitos do futebol brasileiro
Lamartine Babo era um gênio da música popular

Dentre tantos clubes grandes e charmosos, o hino é uma das principais identidades de um time, se não a principal. O interessante é que nas canções futebolísticas daqui do Brasil, temos a oportunidade de desfilar sobre o português rebuscado e uma linguagem característica da época, com melodias e versos cantados em uníssono pelos intérpretes. Sobre esse tema, fizemos um especial com os onze hinos mais bonitos do futebol brasileiro. 

O compositor mais importante desta era foi o Tijucano Lamartine Babo – um músico de mão cheias e torcedor apaixonado do América. O gênio morreu em 1963, mas sua presença pode ser sentida até hoje nos estádios de futebol. Afinal de contas,  Lamartine compôs os hinos do Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, além do América, Bangu, Madureira, Olaria, Bonsucesso, Canto do Rio e São Cristóvão. Cada um com a sua peculiaridade.

Identifcação - Time e torcida

Um hino para uma equipe de futebol é como uma declaração de amor, uma demonstração de afeto incondicional. As letras trazem o que há de mais importante no clube, seja as cores, o mascote, e claro, o torcedor. A função é enaltecer o time, para que lições sejam tiradas na hora de uma derrota e os festejos sejam embalados na euforia ilesa que se perde na imensidão das palavras.

Os cânticos sempre trazem os primórdios do esporte: a disposição, a lealdade, a garra e luta pela vitória. Não importa para qual time você torce, com que roupa você sai para trabalhar ou quais suas cores preferidas, um hino é um momento de colocar tudo para fora.

No Brasil, as duas maiores paixões são o futebol e o carnaval. Não à toa, existe uma identificação nítida dos hinos futebolísticos com as canções de carnaval, pelos compositores serem de uma escola carnavalesca. 

Com tantos times, foi muito difícil listar apenas os onze primeiros e, invevitavelmente, alguém acabou ficando de fora. Leia e faça uma viagem no tempo em que o esporte e a música caminhavam de mão dadas. Alguns clubes, inclusive, têm hinos oficiais e populares. 

11- Clube de Regatas Vasco da Gama

O primeiro hino do clube, conhecido como Hino Triunfal do Vasco da Gama e escrito por Joaquim Barros Ferreira da Silva, foi criado e ofercido ao em 1918. Depois daí, começou a aparecer um gênio da música popular brasileira. 

Composto por Lamartine Babo na década de 40, o hino do Gigante da Colina é um dos que tem mais amplificação. A canção instiga o torcedor cruzmaltino a apoiar o Vasco da Gama e glorificar as conquistas do clube. Não por acaso, o hino popular é mais conhecido até que o oficial e é um dos mais charmosos do futebol. 

Hino popular do Vasco

Letra e música: Lamartine Bobo

Vamos todos cantar de coração
A Cruz de Malta é o meu pendão
Tu tens o nome de um heróico português,
Vasco da Gama, a tua fama assim se fez!

Tua imensa torcida é bem feliz
Norte e sul,
Norte e sul deste Brasil
Tua estrela, na terra a brilhar, ilumina o mar!

No atletismo és um braço;
No remo és imortal;
No futebol és o traço de união Brasil-Portugal.

10 - Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense

O hino do tricolor do Rio Grande é a prova que o sentimento da torcida com o clube é incondicional. A letra, escrita com excelência, demonstra todo o amor que é capaz de levar a equipe a qualquer lugar. Aconteça o que acontecer, a torcida estará junto do Grêmio, seja onde ele estiver. 

Visando as comemorações de seu cinquentenário, o clube decidiu escolher um novo hino através de um concurso. O Boêmio compositor Lupicínio Rodrigues, gremista, faturou o prêmio com a composição que embala as conquistas tricolores até os dias hoje.

Hino do Grêmio

Letra e música: Lupcínio Rodrigues

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

50 anos de glória
Tens imortal tricolor
Os feitos da tua história
Conta o Rio Grande com amor

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Nós como bons torcedores
Sem hesitarmos sequer
Aplaudiremos o Grêmio
Aonde o Grêmio estiver.

9 - Associação Desportiva São Caetano

O time que colocou o ABC Paulista no mapa do futebol traz em sua história uma canção que contagia e emociona. Muito bem composto e escrito por Carlos Roberto de Jesus Polastro, o hino do São Caetano é, sem sombra de dúvidas, um dos mais belos do estado de São Paulo e do país.

O ápice do Azulão aconteceu no início do século XI, quando chegou à duas finais do Campeonato Brasileiro e uma da Libertadores da América, terminando como vice nas três ocasiões. 

Hino do São Caetano

Letra e música: Carlos Roberto de Jesus Polastro

No dia quatro de dezembro aconteceu
Aquele fato que marcou a nossa história
Foi nessa data que, pujante ele nasceu
Um clube já predestinado para a glória

Com disciplina e respeitando seus rivais
Parte prá luta para ser o campeão 
Leva a torcida para o delírio
Alegra o meu coração 

São Caetano, vamos prá vitória
Nosso objetivo é só o gol... "gol !"
Marque prá sempre, fique na memória
Mostre ao povo o que é futebol

São Caetano, brilhe e a sua luz
Se perpetuará na imensidão
Honre a cidade que te batizou
Ostenta ao alto o seu pendão.

8 -  Clube Náutico Capibaribe

O hino do Náutico composto por Tovinho foi oficializado apenas na década de 90. A canção demonstra todo o carinho da torcida com o clube alvirrubro, o único hexa campeão do estado de Pernambuco - uma declaração de afeto e amor. 

Antes, "o come e dorme" era considerado o hino do Clube Náutico Capibaribe, mas, faltava-lhe uma letra; a diretoria preferiu optar por outro meio e foi bem sucedida. O hino chama atenção pela sua melodia e sua leveza poética, que nos faz viajar em uma época em que o time alvirrubro era soberano em Pernambuco.

Hino do Náutico

Letra e música: Tovinho

Da união de duas cores mágicas
Nasceu a força e a raça 
Vermelho de luta  
Branco de paz 
Quem olha não esquece jamais 

Da união de sete letras mágicas: N-A-U-T-I-C-O 
Nasceu um time que encanta 
Que manda e desmanda 
Que faz o nosso Carnaval

Náutico teu caminho é de luz 
Tua força, tua garra 
Fascina e seduz

No meu coração 
Brotou o esplendor
De te adorar com emoção

No meu coração
Brotou o esplendor
De te adorar com muito amor.

7 - Sport Club Corinthians Paulista

Para todo grande clube, existe uma música oficial que se torna símbolo de respeito e adoração ao time. Claro que com o grande Corinthians não seria diferente. O primeiro hino foi escrito na década de 30, com letra de Eduardo Dohmen, música de La Rosa Sobrinho e gravado por Guarani e Pirajá. Em seguida, a diretoria alvinegra optou por uma composição feita entre 1951 e 1952, que acabou caindo nas graças da Gaviões da Fiel após a conquista do IV Centenário de São Paulo, em 1954.

O hino do Conrigão traz uma parceria histórica de Lauro D'Ávila (letra) e Edmundo Russomanno (música), que criaram uma das canções mais belas do esporte bretão. A música é composta em duas partes. A primeira exalta o Clube, em um ritmo mais lento: “Salve o Corinthians”. Já a segunda, firma a grandeza do clube paulista colocando a importância do alvinegro perante os demais times Brasileiros, com um ritmo mais acelerado: “É do Brasil, o Clube mais Brasileiro”.

Hino do Corinthians

Letra: Laurdo D'Ávila; música: Edmundo Russomano

Salve o Corinthians 
O campeão dos campeões 
Eternamente 
Dentro dos nossos corações

Salve o Corinthians 
De tradições e glórias mil 
Tu és orgulho 
Dos desportistas do Brasil

Teu passado é uma bandeira 
Teu presente, uma lição 
Figuras entre os primeiros 
Do nosso esporte bretão

Corinthians grande 
Sempre altaneiro 
És do Brasil 
O clube mais brasileiro.

6 - Esporte Clube Bahia

No Nordeste, poucos times são tão respeitados quanto o tricolor baiano. No ano de 1946, um grupo de torcedores, liderado por Amado Bahia Monteiro, decidiu criar uma torcida uniformizada. Para tal, queria criar também um canto para animar o grupo. Assim, procuraram o professor e jornalista Adroaldo Ribeiro Costa que, entusiasmado, já tratou de iniciar os trabalhos no dia seguinte. Como a torcida do Bahia não era muito grande na época, ele buscou compensar a inferioridade numérica com emoção e vibração. Surgia, aos poucos, o hino tricolor.

Depois de escrita, faltava a melodia. Não demorou muito e ela saiu naturalmente. Após alguns retoques, a canção havia sido concebida. Foi levada para a torcida, que adorou e levou para os jogos, porém, o trupo de torcedores não durou muito e o hino foi esquecido. Quase 10 anos depois, o dirigente do Bahia na época, João Palma Neto, buscou aumentar a força do Bahia através de uma campanha de sócios sustentada em uma vasta publicidade. Quando o hino foi entregue ao Bahia, Adroaldo Ribeiro transferiu todos os direitos autorais do hino para o clube

Hino do Bahia

Somos da turma tricolor
Somos a voz do campeão
Somos do povo um clamor
Ninguém nos vence em vibração

Vamos avante esquadrão
Vamos serás um vencedor
Vamos conquistar mais um tento
BAHIA, BAHIA, BAHIA!
Ouve esta voz que é teu alento
BAHIA, BAHIA, BAHIA!

Mais um, mais um Bahia
Mais um mais um título de glória
Mais um, mais um Bahia
É assim que se resume a sua história.

5 - Clube Atlético Mineiro

Com uma letra divinamente bem escrita, o hino do Galo é um dos mais especiais. Em 1969, um mineiro natural de Montes Claros, chamado Vicente Motta, foi convidado por Alberto Perini, membro da diretoria do Galo para que compusse um novo hino para o Atlético Mineiro. 

Motta, que vencera os dois últimos concursos de marchinhas de carnaval de Belo Horizonte, recebeu algumas exigências: o hino deveria exaltar a campanha vitoriosa de 1950 na Europa e a conquista do título de Campeões dos Campeões em 1937. O lado vingador do Galo também não deveria ficar de fora. Imediatamente ele aceitou. E depois de estudar o estilo de Lamartine Babo - autor de todos os hinos dos times de futebol do Rio de Janeiro e o mestre do assunto - começou a compor o hino.

O hino é um dos mais belos do futebol mundial e constata-se que é o mais cantado no futebol brasileiro nos estádios. Por ser cantado na primeira pessoa do plural ("Nós somos do Clube Atlético Mineiro/jogamos com muita raça e amor"), consegue contagiar coletivamente a massa atleticana, apaixonada e fiel ao seu clube e às suas cores.

Hino do Atlético

Letra e música: Vicente Motta

Nós somos do Clube Atlético Mineiro
Jogamos com muita raça e amor
Vibramos com alegria nas vitórias
Clube Atlético Mineiro
Galo Forte Vingador.

Vencer, Vencer, Vencer
Este é o nosso ideal
Honramos o nome de Minas
No cenário esportivo mundial

Lutar, Lutar, Lutar
Pelos gramados do mundo pra vencer
Clube Atlético Mineiro
Uma vez até morrer

Nós somos Campeões do Gelo
O nosso time é imortal
Nós somos Campeões dos Campeões
Somos o orgulho do esporte nacional

Lutar, Lutar, Lutar
Com toda nossa raça pra vencer
Clube Atlético Mineiro
Uma vez até morrer.

4 - Paraná Clube

O hino do tricolor da Vila Capanema é uma belíssima declaração de amor ao time. Composta em parceria por João Arnaldo e Sebastião Lima, a música simboliza toda magnitude do Paraná Clube perante à sua torcida apaixonada. O clube, mesmo jovem (fundado em 1989), já tem tradição e conta com uma legião de torcedores pelo estado, que se entitulam como os "camisa doze". 

De acordo com o hino, o Paraná se coloca como uma potência do sul. A campanha de maior destaque em âmbito nacional foi no Campeonato Brasileiro de 2006, quando alcançou uma vaga na Copa Libertadores da América. 

Hino Paraná 

Letra: João Arnaldo; música: Sebastião Lima

Paraná já nasceste gigante
És o fruto de luta e união
Tens a força, o arrojo, a imponência
E o poder da realização

Nas três cores do teu estandarte
tão altiva está a gralha azul
que plantou neste solo tão fértil
esta grande potência do sul

Meu Paraná, meu tricolor!
Teu pavilhão simboliza
Em cores tão vivas
A garra e o amor

Meu Paraná, meu tricolor!
Eu sou a camisa doze
Que tanto te ama
Sou teu torcedor

Tua origem coberta de glória
É que faz teu imenso valor
Teu destino é vitória, vitória
Salve o meu esquadrão tricolor

Paraná és guerreiro valente
S do esporte a maior razão
Verdadeira alegria do povo
Paraná clube do coração

3 - Botafogo de Futebol e Regatas

Foi em 1942, data da sua composição, que a versão mais moderna passou a dominar o conhecimento popular: os hinos de Lamartine Babo passaram a ser tocados nos salões dos clubes em seus bailes de carnaval; aos poucos, foram cada vez mais levados para a vida do clube e, principalmente, para os jogos no Maracanã.

Apesar de ser o mais conhecido, o hino não é o oficial da agremiação. Na verdade, o Botafogo tem dois hinos oficiais, um dedicado ao futebol e o outro ao remo (os dois principais esportes do clube). 

Hino popular do Botafogo

Letra e Música: Lamartine Babo

Botafogo, Botafogo, 
campeão desde 1910
Foste herói em cada jogo, Botafogo
Por isso é que tu és e hás de ser
Nosso imenso prazer

Tradições aos milhões tens também
Tu és o Glorioso,
Não podes perder, perder pra ninguém.

Noutros esportes tua fibra está presente
Honrando as cores do Brasil de nossa gente
Na estrada dos louros, um facho de luz 
Tua Estrela Solitária te conduz.

2 - Sociedade Esportiva Palmeiras

Poucas músicas tem um português tão clássico e arrematador como o hino palmeirense. Tudo isso unido a uma melodia de muito brio e que não sai da cabeça. Para qualquer fã de futebol é obrigatório saber a letra de cor.

O Hino da Sociedade Esportiva Palmeiras foi composto em 1949 pelo dr. Antonio Sergi, maestro, regente, arranjador e professor do consultório dramático e musical de São Paulo, diretor artístico da rádio Cruzeiro do Sul e maestro da Orquestra Colúmbia. 

Como sua paixão era a orquestração e a música erudita, nas poucas vezes em que elaborou as letras para as próprias composições, o maestro usou o pseudônimo de Gennaro Rodrigues.

Hino do Palmeiras

Letra e música: Antonio Sergi

Quando surge o alviverde imponente
No gramado em que a luta  o aguarda,
Sabe bem o que vem pela frente.
Que a dureza do prélio não tarda!

E o Palmeiras no ardor da partida,
Transformando a lealdade em padrão.
Sabe sempre levar de vencida
E mostrar que, de fato, é campeão!

Defesa que ninguém passa.
Linha atacante de raça.
Torcida que canta e vibra!!!

Defesa que ninguém passa.
Linha atacante de raça.
Torcida que canta e vibra
Por nosso alviverde inteiro,
Que sabe ser brasileiro,
Ostentando a sua fibra!

1 - America Football Club

Apaixonado por futebol e torcedor do America, Lamartine Babo compôs o hino do seu clube de coração baseado na adaptação de uma música americana chamada “Row Row Row”. Coincidência ou não, muita gente acha este hino o mais bonito de todos.

Beleza à parte, os hinos dos grandes clubes cariocas cantados há seis décadas por milhões de torcedores anônimos e famosos são os seus grandes sucessos de público. O time da Tijuca, aqui, leva a medala de ouro. 

Hino do America

Letra e música: Lamartine Babo


Hei de torcer, torcer, torcer
Hei de torcer até morrer
Morrer, morrer

Pois a torcida americana
É toda assim
A começar por mim
A cor do pavilhão
É a cor do nosso coração
Os nossos dias de emoção
Toda torcida cantará esta canção
Trá - lá - lá - lá - lá - lá

Campeões de 13, 16 e 22
Trá - lá - lá - lá
Temos muitas glórias
E surgirão outras depois
Trá-lá-lá-lá

Campeões com a pelota nos pés
Fabricamos aos montes, aos dez

Nós ainda queremos muito mais
América unido vencerás.

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