Brasil e Colômbia se enfrentam com duelo de dois craques da Copa: Neymar e James Rodríguez

Brasil e Colômbia farão partida que vale pelas quartas de final, nesta sexta-feira (4), às 17h, na Arena Castelão. Quem vencer, irá para a semifinal, que será disputada contra França ou Alemanha, duelo do mesmo dia, às 13h, no estádio do Maracanã.

A Fifa divulgou as cores dos uniformes que serão usados por Brasil e Colômbia no jogo, em Fortaleza. A Seleção vai entrar em campo com o seu tradicional uniforme amarelo. Já a Colômbia, que também usou a cor durante todo o Mundial até agora, jogará a partida com o uniforme vermelho.

Completam o uniforme da Seleção Brasileira o calção e o meião brancos. O goleiro entra com o também tradicional uniforme cinza. Já os colombianos usarão camisa vermelha com detalhes em branco, calção azul e meia azul e vermelha.

A última vez que o Brasil usou o seu segundo uniforme, a camisa azul, foi na Copa de 2010, quando perdeu para Holanda nas quartas de final e foi eliminado. A camisa azul foi usada pela primeira vez na final da Copa de 1958 entre Brasil e Suécia. Na Copa do Mundo 2014 e na Copa das Confederações no ano passado o Brasil não jogou de azul nenhuma vez.

O Brasil não deverá ter vida fácil contra a Colômbia, e não precisa ir muito longe para comprovar que a geração colombiana é mesmo muito forte. No dia 14 de novembro de 2012, num amistoso em Nova Jersey, nos Estados Unidos, as duas seleções empataram por 1 a 1, com direto a gol de Neymar e um pênalti perdido pelo atacante, que na época ainda vestia a camisa 11. Além disso, James Rodríguez e Cuadrado já mostravam que podiam decidir qualquer jogo.

Do time do Brasil que estreou na Copa do Mundo, seis jogadores estiveram neste amistoso em solo americano: Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Paulinho, Oscar e Neymar. Do lado da Colômbia, o time de José Perkeman também tinha seis jogadores que estrearam pela seleção: Ospina, Yepes, Cuadrado, Carlos Sanchez, Armero e James Rodríguez.

Com Luiz Gustavo fora, Paulinho volta ao time

Principal jogador do Brasil, Neymar tem quatro gols na Copa – mesmo número de Messi, da Argentina, e Thomas Müller, da Alemanha. Os jogos contra a Croácia, na abertura, e Camarões, no encerramento da fase de grupos, foram os melhores dele. Em ambos, marcou dois gols e acabou eleito o craque. Na dramática partida contra o Chile, nas oitavas, mostrou frieza para converter sua cobrança na disputa de pênaltis. O astro brasileiro ainda não deu nenhuma assistência.

Aos 22 anos e quatro meses, Neymar chega a sua primeira Copa do Mundo com uma responsabilidade gigantesca. O atual camisa 10 persegue a mais importante conquista da carreira e começou o Mundial com números melhores do que Ronaldo Fenômeno há 16 anos. Em 53 jogos, foi titular em todos. Ele é o artilheiro do Brasil no ciclo entre 2010 e 2014 e maior goleador da Seleção neste século. Até o momento, foram 35 gols. Com 21 assistências, Neymar também é o maior garçom desde a última Copa, apesar de ainda não ter dado um passe a gol sequer no Mundial de 2014.

De todos os classificados para as quartas de final do Mundial, o técnico do Brasil é o único que não tem alguém no departamento médico e nem precisou cortar jogadores contundidos antes da Copa do Mundo. Para o duelo desta sexta-feira, contra a Colômbia, no Castelão, o único desfalque será o volante Luiz Gustavo, suspenso após receber o segundo cartão amarelo na dramática vitória sobre o Chile.

Apenas um jogador desfalcou a Seleção por lesão até aqui: o atacante Hulk, no empate em 0 a 0 com o México. O zagueiro David Luiz, com dores nas costas, chegou a virar dúvida para o confronto do último sábado contra o Chile, mas foi a campo, foi o autor do gol do Brasil antes da disputa de pênaltis e foi um dos destaques do jogo. Neymar também assustou nos últimos dias, mas estará em campo contra a Colômbia. Sinal de que, além da sorte, o trabalho está sendo bem feito para evitar que os atletas parem no estaleiro.

Luiz Felipe Scolari quis aproveitar o último trabalho, nesta quinta-feira (3), antes da partida contra a Colômbia, pelas quartas de final da Copa do Mundo, para os últimos ajustes táticos. Mesmo sem revelar a escalação, é possível saber que Paulinho será titular no lugar de Luiz Gustavo, suspenso por dois cartões amarelos. Antes de deixar a concentração na Granja Comary, o técnico manteve a formação, apenas com essa alteração. Depois, testou Maicon no lugar de Daniel Alves e um esquema tático diferente com o zagueiro Henrique no lugar do atacante Fred, deixando a equipe sem uma referência na grande área.

Paulinho será titular contra a Colômbia (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Felipão deixou claro a escalação que vai usar na partida válidas pelas quartas de final da Copa do Mundo ao afirmar que o teste de Henrique como volante na vaga de Fred foi uma experiência para, de repente, ser usada durante o confronto diante da equipe de James Rodriguez & cia.

E foi justamente ao comentar a utilização de Henrique que o treinador deixou claro a utilização de Paulinho na vaga do titular. Por conta disso, Fernandinho atuará como primeiro volante no jogo desta sexta-feira.

"Dependendo do andamento do jogo, do resultado do jogo. É uma situação que o Henrique está acostumado comigo no Palmeiras, sabe se comportar. Mas não jogava nem com Thiago (Silva) nem com David (Luiz), é um pouco diferente. Mas é uma opção", comentou o técnico.

Criticado por sua emoção exagerada antes da decisão por pênaltis contra o Chile, no último sábado, Thiago Silva, enfim, se pronunciou sobre ter se afastado dos jogadores e chorado naquele momento. Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, no Castelão, palco das quartas de final contra a Colômbia, o capitão classificou sua atitude como normal e revelou estar bem psicologicamente para a partida.

"Não tenho nada engasgado, muito pelo contrário. Não escutei muitas coisas. É uma coisa natural esse tipo de pressão e comentário. Não vai me ajudar em nada. Em termos psicológicos acho que a gente está bem. Quando a gente se entrega aquilo que ama fazer é assim. A minha descarga foi pela situação, se perde ali volta para casa. Eu me entrego de corpo e alma naquilo que faço. A equipe está muito motivada para o confronto contra a Colômbia", afirmou o capitão.

James Rodríguez lidera um grupo invicto e de qualidade

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos quer que todos os colombianos torçam e apoiem a sua seleção no jogo contra o Brasil nesta sexta-feira, dia 4 de julho. Para isso, o líder colombiano decretou feriado nacional na Colômbia e garantiu que virá assistir ao jogo no Castelão, em Fortaleza. O feriado é por metade do dia, ou seja, todos os trabalhadores estarão liberados a partir do período da tarde para poderem ver o jogo.

José Pékerman exigiu total discrição para trabalhar com tranquilidade no Mundial; atitude contrária a adotada pelos colombianos nas últimas Copas em que esteve presente: imprensa com liberdade para exclusivas, folgas mais ‘brandas' e menos controle sobre o elenco.

O primeiro passo desta estratégia ocorreu logo com a escolha do QG ‘cafetero' para a Copa do Mundo: o CT de Cotia, na região metropolitana da capital. O local, isolado de grandes centros, recebeu a ‘tietagem' de torcedores somente nos primeiros dias de Mundial; Pékerman, por sua vez, permitiu a presença dos fãs somente uma vez, conforme regra da Fifa de obrigar as delegações a realizar um treino aberto durante o torneio.

Taticamente, a Colômbia mudou a sua disposição para as oitavas de final. Até o duelo contra o Uruguai, havia sido usado o esquema 4-2-3-1, o mesmo do Brasil. No último sábado (28), entrou uma formação com dois homens de frente, já que Jackson Martínez fez dupla ofensiva com Teó Gutiérrez. Em alguns momentos, percebeu-se um losango com Sanchez atrás, Aguilar e Cuadrado abertos pelas pontas e James Rodríguez pelo meio, encostando nos atacantes.

A ótima campanha – apenas quatro derrotas em 16 jogos, com a vaga assegurada com uma rodada de antecedência – deixou a Colômbia atrás apenas da Argentina. O grande desempenho na fase de grupos – com três vitórias em três jogos, nove gols marcados e dois sofridos – e a incontestável vitória sobre o Uruguai nas oitavas de final já garantiram a melhor campanha do país nas Copas – os colombianos haviam passado da primeira fase apenas em 1990, na Itália, sendo eliminados logo em seguida por Camarões. A talvez surpreendente, mas inegavelmente excelente campanha no Mundial é ilustrada na alegria dos jogadores em campo a cada gol marcado, com dancinhas lideradas pelo irreverente Armero.

Ao analisar as peças do Seleção Colombiana, é impossível começar por outro jogador que não seja James Rodríguez. Aos 22 anos, o meia do Monaco (FRA) chamou a responsabilidade, assumindo o papel que seria de Falcao García, e tem sido o comandante dentro de campo. Organizador, é o maestro que dita o ritmo da equipe. Todas as jogadas passam pelos seus pés. Além da qualidade, vai à frente e finaliza muito, tanto que é o artilheiro da Copa, com cinco gols marcados.

Algumas cobranças de falta e outras de escanteio. Quando a imprensa teve acesso ao treino da seleção colombiana, nesta quinta-feira, no estádio da Universidade de Fortaleza (Unifor), foi possível ver apenas um poucos desse fundamento treinado pelos comandados de Pékerman durante os últimos 15 minutos da atividade. As cobranças de bola parada feitas exaustivamente podem indicar que essa deve ser a principal arma do treinador para furar o bloqueio brasileiro. Esse foi o último treino antes de enfrentar o Brasil.

Ciente do talento de Neymar, Sánchez lembrou que o Brasil buscará o ataque no Castelão, e se o camisa 11 receber atenção especial, o restante da equipe ficará livre e aproveitará as brechas para avançar à semifinal da Copa do Mundo.

"Não é só Neymar. Será um trabalho difícil porque muita gente chega à área, e temos de jogar organizados para enfrentar o Brasil. O Neymar é uma referência, mas o time não é só ele", ressaltou o jogador.

O fato de a Colômbia nunca ter jogado as quartas de final da Copa do Mundo aumenta a responsabilidade para a partida. A experiência do técnico José Pékerman é considerada um trunfo. Independentemente da postura da Seleção Brasileira, a confiança de que é possível deixar o Castelão com a vaga na semifinal é clara.

"Vocês conhecem o Pekerman, sabem como ele trabalha. É uma pessoa que estudou muito, e confiamos totalmente nele. Todo o planejamento foi bem feito", completou Sánchez.

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