Do céu ao inferno: campeão da Copa do Brasil em 2012, Palmeiras amargava rebaixamento no mesmo ano
Relembre 2012 do Verdão: após faturar Copa do Brasil, clube é rebaixado no Brasileirão

Há uma ideia entre os seres humanos,, de que é mais fácil uma pessoa se dar bem na vida depois que ela já saboreou tanto o lado bom, quanto o lado ruim da nossa existência. É que, em tese, ter o conhecimento sobre os dois lados da moeda, tanto aquele que te traz prazer e alegria, quanto o que te proporciona momentos de aflição e dor, nos permite valorizar e desfrutar ainda mais cada minuto do nosso dia-a-dia, já que, em algum momento do passado, nós já sentimos o quão difícil é o lado cruel da vida. Os torcedores do Palmeiras sabem muito bem disso, uma vez que em 2012, eles vivenciaram o deleite do céu, e o fogo do inferno em um curto intervalo de cinco meses.

O início de 2012 para o Alviverde não foi dos mais brilhantes. No Campeonato Paulista, o clube da Academia de Futebol acabou caindo nas quartas de final, após perder por 3 a 2 para o Guarani de Campinas. Com a bola nos pés, o time dirigido por Luiz Felipe Scolari, também não demonstrava brilho a ponto de encher os olhos dos torcedores alviverdes. Na Copa do Brasil, porém, o time conseguiu conquistar o bi-campeonato sem perder nenhum jogo. Foi um belo contraste com relação ao que havia ocorrido no Paulistão.

Mas quando todos esperavam que após a glória na Copa do Brasil o time iria seguir bem no Campeonato Brasileiro, veio a grande decepção: O segundo rebaixamento da história do Verdão.

Fases iniciais da Copa do Brasil: classificações com sustos

Como normalmente acontece, sempre na primeira fase da Copa do Brasil, os maiores clubes do país medem forças contra agremiações que possuem bem menos expressão no âmbito do futebol nacional - e, às vezes, alguns destes pequenos clubes não estão sob os holofotes até mesmo dentro de seus próprios estados. No caso do Palmeiras, na fase inicial da Copa do Brasil de 2012, o adversário “desconhecido” do Verdão, foi o Coruripe, do Alagoas.

Se há algo no regulamento da Copa do Brasil que faz os clubes grandes pularem de alegria, é certamente o fato de um time visitante conseguir eliminar o jogo de volta em caso de vitória por dois ou mais gols de diferença no primeiro confronto, regra esta que só vale nas duas primeiras fases. Os palmeirenses então, esperavam um triunfo gordo diante do pequenino Coruripe, lá em Alagoas, para descartar o duelo da volta, em São Paulo. Mas não foi isso o que aconteceu. O time paulista até abriu o placar cedo, aos dois minutos do primeiro tempo, com o atacante Barcos, e a sensação era mesmo de que aconteceria uma goleada alviverde. Mas o time do então técnico Scolari, não manteve o ritmo acelerado e o jogo acabou com vitória mínima do Palmeiras.

Na segunda partida, a qual foi disputada em Jundiaí e não na capital paulista, por conta do compromisso que o Santos tinha na mesma noite no estádio do Pacaembu, em duelo pela Libertadores da América, o Palmeiras conquistou uma vitória expressiva diante dos alagoanos. Um 3 a 0 para lavar a alma, e avançou de fase. É importante relembrar, porém, que o Verdão só foi construir esse resultado significativo no segundo tempo do embate, uma vez que os palmeirenses jogaram muito mal a primeira etapa diante do Coruripe, no estádio Jayme Cintra.

Na segunda fase da competição nacional, o Palmeiras precisou botar o pé na estrada novamente e viajar até o Ceará para enfrentar um adversário também desconhecido do grande público, o Horizonte, e a meta alviverde, obviamente, era tentar aniquilar o oponente logo no jogo de ida, vencendo o confronto por dois ou mais gols de diferença. Os cearenses, por outro lado, apostavam no fator casa para tentar surpreender. O time cearense, aliás, chegou a marcar o primeiro gol do jogo e assustar a torcida palmeirense. Mas, depois, com dois tentos de Leandro Amaro e um de Maikon Leite, o Palmeiras não só virou a partida como também despachou o Horizonte ali mesmo, sem necessidade do jogo de volta, em São Paulo.

Eliminado do Paulistão e brigando contra crise, é hora do Verdão só pensar nas fases decisivas da Copa do Brasil

No dia 25 de abril de 2012, o Palmeiras venceu o Paraná por 2 a 1, na partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Nesse período do ano, o Campeonato Brasileiro ainda não havia começado, mas um princípio de crise já começava a se instalar no Verdão porque, poucos dias antes, o Alviverde havia sido eliminado do Campeonato Paulista pelo Guarani. Além disso, em campo, o time não vinha jogando um bom futebol. O triunfo palmeirense no primeiro embate diante do Paraná, então, não só serviu para encaminhar a classificação alviverde às quartas de final da Copa do Brasil, como também para amenizar um início de crise que ameaça se instalar na Academia. No jogo da volta contra os paranaenses, desta vez em Barueri, o Verdão foi avassalador e aplicou uma goleada de 4 a 0, carimbando assim a passagem às quartas de final do torneio nacional.

Dois dias antes de estrear no Campeonato Brasileiro de 2012, contra a Portuguesa, no Pacaembu, o Palmeiras viajou até Curitiba para enfrentar o Atlético-PR, em duelo que abriu a fase quartas de final para ambas as equipes. Por motivos óbvios, nesse momento ainda não havia no Alviverde nenhum receio de rebaixamento no Brasileirão, mas os palmeirenses já tinham, de fato, a consciência de que teria de haver boa melhora no time para que fosse possível brigar pelas primeiras posições em um longo campeonato de 38 rodadas. O empate por 2 a 2 contra os atleticanos no estádio Durival Britto foi ótimo, e o retorno à semifinal de uma Copa do Brasil após 13 anos foi assegurado depois de um triunfo por 2 a 0 em casa, atuando na Arena Barueri.

Se a glória está próxima na Copa do Brasil, no Brasileirão o Verdão começa mal e, em quatro rodadas, time já é vice-lanterna

Nos quatro primeiros jogos do Campeonato Brasileiro de 2012, três derrotas e um empate, apenas dois gols marcados e cinco sofridos. Foi com essa campanha de dar inveja ao Íbis que o Palmeiras se desligou momentaneamente do Brasileirão para reunir suas forças na semifinal da Copa do Brasil. O clássico ante o Grêmio era, sem dúvida, o momento mais difícil do torneio para o Palmeiras até então. O Grêmio, na verdade, era o favorito para ir à decisão. O time de Felipão, no entanto, acabou construindo sua ida à decisão da Copa do Brasil já em Porto Alegre, na partida de ida, após vitória importantíssima por 2 a 0, com gols de Mazinho, aos 41 minutos do segundo tempo, e Barcos, aos 45. No jogo de volta, na Arena Barueri, os palmeirenses comemoraram a vaga na final do torneio nacional após um empate por 1 a 1 diante dos gaúchos. O gol foi marcado por Valdivia. Esse confronto também marcou o duelo entre Felipão, pelo Palmeiras, e Vanderlei Luxemburgo, pelo Grêmio.

Enquanto disputa título da Copa do Brasil contra o Coritiba, Palmeiras briga também para fugir da zona de rebaixamento no Brasileirão

O Campeonato Brasileiro estava somente na sétima rodada quando o Palmeiras desembarcou na Arena Barueri, no dia 5 de julho de 2012, para jogar a primeira partida da finalíssima da Copa do Brasil diante do Coritiba. E apesar da péssima campanha do Verdão até aquele momento no Brasileirão, com cinco pontos ganhos (o então líder Atlético-MG já tinha 16 pontos), quatro derrotas, dois empates e uma vitória, sete gols marcados e nove sofridos, a queda para a Série B do nacional ainda não assustava os palmeirenses. Acreditava-se, à época, que assim que a Copa do Brasil acabasse, o Alviverde iria se recuperar imediatamente no Brasileirão. Não houve recuperação alguma.

Nas finais da Copa do Brasil, O Palmeiras conseguiu uma vitória por 2 a 0 no confronto de ida, em Barueri, e praticamente encaminhou o título nacional. No segundo jogo, no estádio Couto Pereira, em Curitiba, o time comandado por Felipão, foi guerreiro e, na bola parada, arrancou um empate por 1 a 1, confirmando, de forma invicta, o segundo título da Copa do Brasil para o Verdão. Com a taça de um dos campeonatos de futebol mais importantes do Brasil assegurada, era hora do Palmeiras se reerguer em um outro campeonato nacional, esse, com certeza, bem mais difícil que a competição de mata-mata que o Alviverde conquistara: o Campeonato Brasileiro.

Após conquista da Copa do Brasil, Verdão luta, mas não escapa do segundo rebaixamento no Campeonato Brasileiro desde 2002

De fato, havia tempo suficiente para a recuperação do Palmeiras no Brasileirão 2012, já que o clube alviverde pôde focar somente na competição nacional desde a nona até a trigésima oitava rodada. Mas, mesmo com todo esse tempo à disposição, nenhuma melhora significativa aconteceu na Academia de Futebol, e o final foi trágico para os torcedores palmeirenses.

Logo após vencer a Copa do Brasil, o Palmeiras ocupava a décima nona colocação no Brasileirão 2012, depois de nove partidas disputadas. Ou seja, o clube estava praticamente estacionado na mesma vice-lanterna desde a quarta rodada, sem sinais de grandes melhoras. O Palmeiras, aliás, nunca chegou a ter uma grande queda no Brasileirão após a conquista da Copa do Brasil, já que o time sempre figurou na parte de baixo da tabela. Computando todas as 38 rodadas daquele nacional, por exemplo, a melhor classificação do Verdão ocorreu na primeira jornada, quando o time ocupou o sétimo lugar. No Campeonato Brasileiro de 2012, o Alviverde nunca foi melhor que sétimo colocado.

Também é impressionante lembrar que, da vigésima segunda rodada até a trigésima oitava, o time, agora comandado não mais por Felipão e sim por Gilson Kleina, nunca chegou a ter uma posição melhor que décimo sétimo. No Brasileirão 2012, somente em seis das 38 rodadas o Palmeiras ficou fora da zona de rebaixamento. A zona da degola, a propósito, foi a casa dos palmeirenses durante todas as 19 jornadas do segundo turno daquele nacional.

É complicado imaginar que um clube da grandeza do Palmeiras caiu no fogo do inferno apenas cinco meses depois de conquistar, de forma invicta, o título da Copa do Brasil. De fato, o Alviverde foi muito bem no torneio de mata-mata porque tinha como comandante um dos treinadores que mais entendem desse tipo de competição, que é o Luiz Felipe Scolari.

E, também, disputar um campeonato eliminatório passa bastante pelo seguinte esquema: você dá a vida em um jogo e depois administra como pode o resultado no outro duelo. Em um Campeonato Brasileiro de 38 rodadas, por outro lado, é preciso que um time ofereça bem mais que raça e fama de copeiro. É preciso que um clube tenha elenco grande e de qualidade para suportar a maratona de jogos sem deixar a peteca cair. O Palmeiras de 2012 não tinha esse grande elenco de qualidade e, muito por conta disso, teve que sofrer com seu segundo rebaixamento à Série B do Brasileirão em um período de dez anos.

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