Palmeiras decacampeão: Dudu, raça palmeirense em campo
Dudu comemorando um gol com a camisa palmeirense (Foto: Cesar Greco/Divulgação/SE Palmeiras)

Palmeiras decacampeão: Dudu, raça palmeirense em campo

Na nova era de uma velho Palmeiras, Dudu é o símbolo da redenção e do torcedor nos gramados do novo-velho Palestra Itália

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Victor Cunha

Eduardo Pereira Rodrigues. Ou mais precisamente, Dudu. O símbolo de um novo-velho Palmeiras. A marca da mudança , de retorno do alviverde ao patamar de onde ele nunca deveria ter saído. O maior chapéu da história. O camisa 7 que lembra tantos outros camisas 7 da história alviverde. Ninguém melhor que ele pra ser o artilheiro do Allianz Parque, com 27 gols. Ninguém melhor que um ídolo como ele pra representar o clube em campo, dar o sangue, a alma e o suor pela camisa com um P no peito. Esse texto é uma singela homenagem a um dos ídolos mais recentes da história do clube. Ao capitão do enea. Ao artilheiro do tri da Copa do Brasil. Ao símbolo do deca. Mas antes de sua chegada, nem tudo eram flores. Na verdade, nada eram flores.

A chegada do camisa 7

Como já foi lembrado, a situação do Palestra estava péssima. Era um domingo, dia 7 de Dezembro de 2014 qualquer, mas não um jogo qualquer. O Palmeiras empatara com o Atlético Paranaense, enquanto o Santos vencera o Vitória, na Bahia. Isso garantia a permanência do Palestra na Série A do Campeonato Brasileiro. No dia 11 de Janeiro de 2015, o Palmeiras surpreendia a todos. Dudu era disputado por dois rivais, Corinthians e São Paulo. Mas ambos viram o camisa 7 vestir verde naquela manhã. Com isso o Palmeiras dava os indícios que ele tinha voltado.

Foto: Reprodução/GettyImages
Foto: Reprodução/GettyImages

 

Em sua primeira decisão, um paulista conta o Santos, Dudu falhou, batendo um pênalti que talvez mudasse a derrota na final daquele ano. Mas o destino quis que o mesmo Santos, no mesmo Allianz, no mesmo gol sul, consagrasse Dudu. Uma virada era necessária na noite do dia 2 de Dezembro de 2015. 2 gols, pênaltis, o tri da Copa do Brasil para o Palmeiras e uma torcida em lua de mel com seu camisa 7, que já mostrava sinais de uma identificação com seu jogador/torcedor.

Foto: Reprodução/GettyImages
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2016 e o Enea

Então chegou 2016. O ano de 22 anos. O ano de 9 conquistas. Na Libertadores, a dolorosa queda na fase de grupos abalava a relação ídolo torcida. Mas não por muito tempo. Chame um mestre-Cuca e faça uma bela receita de laterais na área, zagueiros dançantes e o personagem principal de nossa história ser o mais importante na conquista de um dos campeonatos mais disputados do mundo, o capitão da equipe do enea. O capitão marcou apenas 6 gols em 33 jogos, além de ter dado 10 assistências para seus companheiros marcarem. Mas a garra em campo, a vontade e a importância para a equipe foram maiores do que tudo isso. Com o gol contra o Botafogo, que encaminhava o título, Dudu mostrava que vinha pra ficar.

2017: um ponto fora da curva

2017, apesar do investimento e dos jogadores de alto nível do elenco palestrino, foi um ano difícil para os torcedores alviverdes. Um ano que o time amargou eliminações em seus domínios e viu seu maior rival se sagrar campeão do Campeonato Brasileiro, onde o Palmeiras amargou um segundo lugar. Tudo isso aumentava as críticas feitas a Dudu, que por ser o símbolo de uma nova era, tinham expectativas altíssimas para o ano. Tais críticas em excesso deixaram uma dúvida para o ano seguinte: Dudu ficaria no Palmeiras?

2018: o deca vem aí

Se incia 2018. Mais um ano de muitos investimentos, mais um ano de contratações bombásticas. Então, a bomba que a torcida menos desejava na vida: Dudu tinha propostas e estudava deixar o Palmeiras. Em meio a tantos craques que chegavam, como Scarpa e Lucas Lima, Dudu deixar o clube seria um baque imenso. Era dia 23 de janeiro quando Mattos e Dudu entraram na sala de coletivas da Acadêmia de Futebol pra dar um anuncio. A torcida esperava pelo pior, mas, nas palavras de Mattos, tudo ocorreu bem. "Dudu vai ficar por amor", disse o diretor de futebol, mostrando a recusa do jogador perante uma proposta de 51 milhões de reais da China. O dia do fico foi um dia de alívio na vida do palestrino, que via grandes chances de um ano de sucesso. Mas nem tudo são flores, mais uma vez. Uma derrota na final do Paulista para o arquirrival Corinthians abalava as estruturas do Palestra, que se via muito pressionado por uma conquista no ano.
Então veio a derradeira derrota para o Fluminense, a derrota que tirou Roger Machado do clube e colocou em seu lugar um outro técnico já conhecido da torcida e de Dudu: Felipão.

Foto: Cesar Greco/Divulgação/SE Palmeiras
Foto: Cesar Greco/Divulgação/SE Palmeiras

 

Luiz Felipe Scolari chegava para conquistar títulos. Ou mais precisamente, conquistou um, o deca.
Após a chegada de Felipão, Dudu melhorou. Voltou a jogar o que sabia e se tornou indispensável na equipe alviverde. O camisa 7 já havia trabalhado com Felipão, no Grêmio, há 4 anos. A melhora de rendimento do atacante fez com que o time melhorasse. Uma marca dos últimos anos do Palmeiras foi: quando Dudu está bem, o time está bem. O camisa 7 é um termômetro da equipe em campo, um líder que nunca fez corpo mole. Um ídolo.

Na campanha da conquista de mais um brasileirão palmeirense, Dudu deu 12 assistências, sendo o maior garçom da competição. Dudu foi o símbolo, junto com Felipão, de uma reviravolta e superação dentro de um campeonato tão disputado quanto o Brasileirão. De um time com um alto investimento, que estava desacreditado, a campeão com um técnico desacreditado que ficou mais de 20 jogos sem perder. Com muio jogadores de nome no banco e jogando, tendo mais de um turno de invencibilidade, não perdendo para nenhum dos participantes da competição. A campanha do decacampeonato palmeirense foi de se dar inveja. A atuação de Dudu no campeonato foi de se dar inveja.

Ao fim do ano, ainda não se tem certeza da permanência de Dudu no Palmeiras, existem incertezas sobre tal situação, mas existe uma certeza em tudo isso: o camisa 7 guerreiro que tanto fez pelo Palmeiras agora está, com certeza, nos braços e corações do milhões de torcedores, que, estando ou não presentes no estádio, cantavam do fundo do pulmão, pelo menos uma vez "Dudu guerreiro".

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