Salvador ou retranqueiro? A gangorra dos três anos de Tite na Seleção Brasileira
Foto: Divulgação / CBF

Dia 20 de junho de 2016. Há exatos três anos, Tite era oficializado como o novo técnico da Seleção Brasileira. Após exatos 1.095 dias, o trabalho do gaúcho de Caxias do Sul, vem sendo contestado. Mas qual a causa das críticas e protestos de imprensa e torcida? Afinal, Tite tem um aproveitamento de 84% à frente da Seleção.

Com um início irregular nas Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia 2018 e a desclassificação do Brasil diante do Peru, na Copa América de 2016, Dunga foi demitido e para o lugar dele, a CBF atendeu aos pedidos da torcida brasileira contratando Tite.

Início avassalador

Em seu primeiro trabalho à frente da Seleção, o então novo treinador provou que foi certa a sua contratação. Nos seus 10 primeiros jogos, nove vitórias. Consequência dos bons resultados, o Brasil não só se recuperou nas Eliminatórias, como também foi a primeira —fora a anfitriã, Rússia — seleção a marcar presença na Copa do Mundo de 2018.

Além da classificação, a equipe também obteve o melhor ataque, com 41 gols, e a melhor defesa, com 11 gols sofridos, e desses, apenas três na Era Tite. O sistema defensivo na verdade é o grande triunfo do treinador. Em 38 jogos, foram apenas 10 gols sofridos, uma média de 0,2 gols sofridos por partida. O ataque também foi eficiente, 83 gols marcados e Gabriel Jesus o artilheiro de Tite, com 16 tentos.

Primeiras críticas e contestações 

Já um pouco antes da Copa do Mundo, surgem as primeiras críticas, sendo elas por escalações, convocações e esquemas de jogo. Em seus trabalhos vitoriosos antes de aceitar o convite da Seleção, Tite já trabalhava demais o sistema defensivo e era reconhecido por isso, seus times não sofriam tantos gols. Porém também não eram times que encantavam os torcedores com goleadas.

Na Copa, a Seleção fez uma fase de grupos mediana: passou pelo México nas oitavas e parou nas quartas de final contra a Bélgica, 2 a 1. Entretanto, mesmo com a desclassificação, ficou a sensação de que a Seleção iria bem mais longe, pois jogou melhor que seu adversário.

Num total de 30 vitórias, seis empates e apenas duas derrotas, e um aproveitamento acima de 80%, evidentemente não são os resultados que colocam Tite à prova, mas, sim, o seu sistema de jogo. Quando mesmo jogando contra equipes inferiores, o treinador não abre mão de um volante para a entrada de algum jogador mais ofensivo. Além da continuidade de jogadores com idades já avançadas enquanto há opções mais jovens disponíveis.

Pontos-chave e esperança de sequência no projeto

Com a insistência em um estilo de jogo, além da opinião formada sem mudanças expressivas, as atitudes fora de campo — em decorrência de polêmicas sobre a não convocação de Douglas Costa por indisciplina e a permanência de Neymar após um soco em torcedor — somado com a falta de resultados expressivos diante de grandes seleções fora da América do Sul, podem, sim, pesar mais que os 84% de aproveitamento.

Então, para Tite, o título da Copa América jogando em casa, será de extrema importância para sua sequência na Seleção. O Brasil volta a campo sábado (22), na Arena Corinthians, às 16h, contra o Peru, algoz de Dunga na última Copa América.

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