Em 1996, Fluminense e Atlético-PR vivenciaram guerra campal nas Laranjeiras; relembre

A partida tida como de vida ou morte para o tricolor à beira do rebaixamento teve um trágico fim, em especial, ao goleiro do Atlético, Ricardo Pinto

Em 1996, Fluminense e Atlético-PR vivenciaram guerra campal nas Laranjeiras; relembre
Ricardo sendo carregado pelos companheiros após ser atingido por um pontapé

1996 foi um ano triste para a história do Fluminense devido ao primeiro rebaixamento da história do clube. No entanto, outro fator ocorrido neste ano também é de se lamentar. Trata-se do duelo entre Fluminense e Atlético-Pr ocorrido no dia 10 de novembro daqule mesmo ano que terminou debaixo de socos e pontapés no gramado das Laranjeiras.

O contexto da partida era o mais tenso possível para o tricolor carioca que não poderia nem ao mesmo empatar caso quisesse permanecer na elite do futebol nacional. Outro ponto principal da trágica partida fica por conta do ex-goleiro e hoje técnico de futebol Ricardo Pinto que já havia vestido a camisa do Fluminense por cinco anos.

Logo no início da partida, os 2.188 pagantes presentes no Estádio das Laranjeiras viram o atacante Leonardo abrir o placar para o tricolor aos 3' minutos de partida. Entretanto, aos 21' da primeira etapa, Paulo Rink fez ótima jogada e rolou para Luís Carlos empatar em favor do Atlético. 

Após o gol, um torcedor invadiu o campo na tentativa de reclamar com os zagueiros do Fluminense. Esse torcedor, no entanto, foi contido pelos próprios jogadores e retirado de campo com auxílio da polícia. Era o primeiro indício de uma possível confusão caso o rebaixamento fosse confirmado.

Motivado pelo gol de empate, o furacão se lançou ao ataque e aos 37 minutos do primeiro tempo, após cruzamento de Jean Carlo, Paulo Rink subiu sozinho e testou para o fundo do gol virando o placar. A virada provocou um desespero nos jogadores tricolores que se lançaram desordenadamente ao ataque, porém sem sucesso.

De volta do intervalo, o Fluminense - desesperado pelo resultado - continuava a se lançar ao ataque. O Atlético, por sua vez, controlava o resultado e buscava as saídas em contra-ataque como arma para matar a partida. E em uma dessas saídas em velocidade, Luís Carlos tocou na saída do goleiro Leo Percovich e ampliou para o furacão, aumentando a angústia dos tricolores presentes.

Sem desistir, o tricolor segue em busca do resultado que o salvaria da queda e aos 8' do segundo tempo vê o lateral-esquerdo Alexandre Seixas ser derrubado na área. O também lateral Paulo Roberto vai para a cobrança e converte a penalidade, mantendo as quase nulas esperanças tricolores que viam o final da partida se aproximar e as oportunidades de vencer, tornarem-se menos frequentes.

Neste momento, torcedores presentes no estádio, irritados com a situação, passam a atirar objetos em campo. O alvo? O goleiro Ricardo Pinto, que defendia a meta rubro-negra. Com a confusão gerada pela torcida, o árbitro Antônio Vidal da Silva paralisa a partida por 10 minutos, esperando que a situação se normalizasse.

Pouco tempo depois, em um corner cobrado pela equipe tricolor no lado esquerdo de seu ataque, todos os jogadores sobem para área tentando o gol de empate, entre eles, o goleiro Leo Percovich. Após a cobrança, Ricardo Pinto sobe tranquilo e encaixa a bola, no entanto, o goleiro do Fluminense perde a cabeça e agride Ricardo com um pontapé.

Minutos depois, Antônio Vidal da Silva decreta o final da partida, dando início à confusão generalizada. Ricardo Pinto vai em direção à torcida do Fluminense batendo no peito, mostrando-os o escudo atleticano. A torcida, no entanto, invade o campo e - com pedaços de madeira e ferro - agridem o goleiro, entre outros jogadores presentes no gramado. 

Em meio à batalha campal, o goleiro atleticano tenta revidar os golpes sofridos por torcedores, mas é golpeado na cabeça e cai no chão com um ferimento na cabeça. O jogador foi retirado do campo arrastado em meio ao extenso sangramento que escorria pelo seu rosto. Ricardo levou 8 pontos na cabeça, ainda nos vestiários das Laranjeiras e posteriormente, foi conduzido ao hospital.

A completa destruição de parte do estádio fizeram o tricolor perder o mando de campo das partidas seguintes e aumentou o clima de tensão no clube. Para se livrar do rebaixamento naquele ano, o Fluminense precisava vencer o Vitória, no Espiríto Santo e conseguiu. Mas também dependia das derrotas de Bahia e Criciúma, que encaravam Flamengo e Atlético-PR, respectivamente. Os resultados finais não foram favoráveis ao Tricolor, que acabou rebaixado.